FERIDA COMPLEXA CERVICAL APÓS ANGINA LUDWIG: EXPERIÊNCIA EM AMBULATÓRIO ESPECIALIZADO COM REGISTRO DE FOTOS EVOLUTIVO.
Palavras-chave:
Infecção odontogênica; Angina de Ludwig; feridas complexas; cicatrização; Ozonioterapia; Estomaterapia; Coberturas com prata.Resumo
Objetivo
Refletir sobre o manejo clínico de infecção odontogênica grave com evolução para Angina de Ludwig e descrever a condução de ferida complexa em ambulatório especializado até a cicatrização completa.
Desenvolvimento
Métodos
Estudo do tipo ensaio clínico-reflexivo, baseado na prática assistencial em Ambulatório de Feridas Complexas (AFC), com análise das condutas adotadas no cuidado integrado de paciente com lesão cervical extensa após abordagem imediata com drenagem cirúrgica por compressão do abscesso infiltrante, submetida à internação hospitalar, antibioticoterapia intravenosa e acompanhamento ambulatorial em serviço especializado em feridas complexas.
Paciente feminina, 40 anos, evoluiu com celulite em região de maxilar direito com extensão cervical, associada a febre e desconforto respiratório, necessitando internação hospitalar, antibioticoterapia intravenosa e drenagem cirúrgica. Após alta, apresentou ferida complexa cervical com dimensões iniciais de 10 x 7 x 2 cm.
O manejo ambulatorial incluiu limpeza com água ozonizada e Ozonioterapia sistêmica, uso sequencial de coberturas com nanotecnologias: carvão ativado, espuma de poliuretano com prata, hidrofibra com prata e hidrogel com cobertura secundária a traumática. Observou-se progressão adequada do leito da ferida, com formação de tecido de granulação e epitelização progressiva.
A cicatrização completa ocorreu em aproximadamente 30 dias de acompanhamento.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A Angina de Ludwig permanece uma condição de alta gravidade, com mortalidade associada principalmente ao comprometimento das vias aéreas e disseminação sistêmica da infecção. A importância da abordagem precoce e agressiva, como a imediata drenagem cirúrgica associada à antibioticoterapia foi fundamental para controle da infecção. A utilização de coberturas de alta tecnologia seguiu os princípios do tratamento por fases, controle de infecção (prata, carvão ativado, ozonioterapia), manutenção do meio úmido (hidrofibra, hidrogel), transferência do exsudato do leito na fase epitelização e proteção atraumatica (tecnologia Safetac com silicone).
O manejo integrado, associando intervenção cirúrgica precoce e cuidado especializado de feridas, foi determinante para o desfecho favorável, na prevenção de reinfecção, estímulo à cicatrização adequada, a redução de complicações, assim como, remindo o tempo na completa cicatrização.Destaca-se a importância da continuidade assistencial e da atuação multiprofissional no tratamento de feridas complexas, especialmente em regiões anatômicas críticas de difícil acesso.
Conclusão
Infecções odontogênicas podem evoluir para quadros graves com risco iminente de vida. A atuação integrada entre abordagem hospitalar, cirúrgica e ambulatorial especializada em feridas complexas foi essencial no manejo adequado da lesão, respeitando as fases da cicatrização e utilizando coberturas com nanotecnologia, permitindo menos trocas da cobertura primária, maior maturação do tecido neoformado, contribuiu diretamente para a recuperação completa da paciente em tempo reduzido.Downloads
Referências
Referências (Estilo Vancouver)
Flynn TR, Shanti RM, Hayes C. Severe odontogenic infections, part 2: prospective outcomes study. J Oral Maxillofac Surg. 2006;64(7):1104–13.
Marioni G, Rinaldi R, Staffieri C, Marchese-Ragona R, Saia G, Stramare R, et al. Deep neck infection with dental origin: analysis of 85
consecutive cases. Acta Otolaryngol. 2008;128(2):201–6.
Britt JC, Josephson GD, Gross CW. Ludwig’s angina in the pediatric population: report of a case and review of the literature. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2000;52(1):79–87.
World Union of Wound Healing Societies (WUWHS). Principles of best practice: wound exudate and the role of dressings. London: MEP Ltd; 2007.
Percival SL, McCarty SM, Lipsky B. Biofilms and wounds: an overview of the evidence. Adv Wound Care. 2015;4(7):373–81.


