ESTADO NUTRICIONAL E CICATRIZAÇÃO NA EPIDERMÓLISE BOLHOSA: IMPLICAÇÕES DA GASTROSTOMIA PARA A PRÁTICA DA ESTOMATERAPIA

Autores

  • Mirelly Silva

Palavras-chave:

Epidermólise bolhosa;, Gastrostomia, Nutrição, Cicatrização de Feridas (Wound Healing), Epidermólise bolhosa; Nutrição; Cicatrização; Gastrostomia; Estomaterapia.

Resumo

Objetivo

Analisar a relação entre o estado nutricional e o processo de cicatrização em pacientes com epidermólise bolhosa, destacando as implicações do uso da gastrostomia para a prática da estomaterapia.

Método

 Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, LILACS e SciELO. Foram utilizados os descritores epidermolysis bullosa, nutrition, wound healing e gastrostomy, combinados por operadores booleanos.

Incluíram-se estudos nacionais e internacionais, revisões sistemáticas, consensos clínicos e diretrizes que abordassem a influência do estado nutricional na cicatrização de feridas e o papel da gastrostomia como estratégia de suporte nutricional em pacientes com epidermólise bolhosa. Não houve delimitação quanto ao período de publicação, considerando a baixa disponibilidade de evidências específicas sobre o tema.

Resultados

 

A literatura evidencia que a epidermólise bolhosa está frequentemente associada à desnutrição crônica, que se manifesta por baixo peso, déficit de crescimento, hipoalbuminemia e deficiências de micronutrientes. Esses fatores comprometem diretamente todas as fases do processo cicatricial, incluindo a resposta inflamatória, a angiogênese, a proliferação fibroblástica e a síntese de colágeno.

Pacientes com estado nutricional inadequado apresentam maior tempo de cicatrização, maior suscetibilidade a infecções, aumento da dor e pior prognóstico clínico. Nesse contexto, a intervenção nutricional precoce configura-se como elemento central do cuidado integral em EB.

A gastrostomia surge como alternativa eficaz para garantir aporte calórico-proteico adequado, especialmente em pacientes com comprometimento significativo da ingestão oral. Estudos indicam que seu uso está associado à melhora do estado nutricional, ganho ponderal e potencial impacto positivo na evolução das lesões cutâneas.

Entretanto, a realização da gastrostomia em pacientes com epidermólise bolhosa traz desafios específicos, sobretudo relacionados à fragilidade da pele periestoma. O risco aumentado de maceração, bolhas, erosões e infecções locais exige cuidados altamente especializados. Assim, o manejo correto do estoma, com uso de técnicas atraumáticas, dispositivos adequados e proteção rigorosa da pele, torna-se determinante para a segurança e continuidade do suporte nutricional.

Nesse cenário, a atuação da estomaterapia é fundamental, tanto na prevenção quanto no tratamento de complicações relacionadas ao estoma, promovendo práticas baseadas em evidências e adaptadas às particularidades da EB.

Conclusão

O estado nutricional exerce papel central no processo de cicatrização em pacientes com epidermólise bolhosa. A gastrostomia configura-se como intervenção relevante para a otimização dos desfechos clínicos, especialmente em casos de ingestão oral prejudicada. Contudo, sua efetividade está diretamente relacionada à qualidade dos cuidados com o estoma e à proteção da pele periestoma, reforçando a necessidade de abordagem especializada.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 

A estomaterapia desempenha papel estratégico na interface entre suporte nutricional e cuidado com a pele em pacientes com epidermólise bolhosa. O enfermeiro estomaterapeuta atua na prevenção de complicações, manejo do estoma, educação de pacientes e cuidadores e adaptação das tecnologias assistenciais à fragilidade cutânea. Destaca-se a necessidade de desenvolvimento de protocolos específicos para o manejo da gastrostomia nessa população, bem como a capacitação contínua das equipes de saúde.

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Referências

- El Hachem M, et al. Multidisciplinary care in epidermolysis bullosa. Orphanet J Rare Dis. 2014;9:76.

- Salera S, et al. Nutritional management of epidermolysis bullosa: an evidence-based review. Clin Nutr. 2020;39(7):1951–1964.

- Haynes L, et al. Nutritional support in children with epidermolysis bullosa. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2012;54(5):618–623.

- Zidorio APC, et al. Gastrostomy in epidermolysis bullosa: a systematic review. Br J Dermatol. 2018;178(6):1312–1321.

- Denyer J, Pillay E. Best practice guidelines for skin and wound care in epidermolysis bullosa. Int Wound J. 2017;14(6):1175–1193

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Silva, M. (2026). ESTADO NUTRICIONAL E CICATRIZAÇÃO NA EPIDERMÓLISE BOLHOSA: IMPLICAÇÕES DA GASTROSTOMIA PARA A PRÁTICA DA ESTOMATERAPIA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2359