MANEJO DA CONSTIPAÇÃO NA EPIDERMÓLISE BOLHOSA: ESTRATÉGIAS PARA PREVENÇÃO DA INCONTINÊNCIA FECAL
Palavras-chave:
Epidermólise bolhosa; Constipação; Incontinência fecal; Reabilitação intestinal; Estomaterapia.Resumo
Objetivo
Descrever estratégias de manejo da constipação intestinal em pacientes com epidermólise bolhosa como forma de prevenção da incontinência fecal, destacando as contribuições para a estomaterapia.
Método
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura realizada nas bases PubMed, LILACS e SciELO, utilizando os descritores “epidermolysis bullosa”, “constipation”, “fecal incontinence” e “bowel management”. Foram incluídos estudos clínicos, revisões e diretrizes internacionais relacionadas à constipação funcional e ao manejo intestinal em doenças crônicas.
Resultados
A constipação intestinal é uma das manifestações gastrointestinais mais frequentes na epidermólise bolhosa, resultante principalmente da dor associada a lesões perianais, fissuras e estenoses, que levam à retenção fecal voluntária. Esse processo evolui frequentemente para impactação fecal e incontinência fecal secundária, caracterizada por escape involuntário de fezes líquidas. Evidências demonstram que o manejo precoce e sistematizado da constipação é fundamental para interromper esse ciclo.
As principais estratégias incluem:
- Educação intestinal, com orientação ao paciente e aos cuidadores sobre o funcionamento do intestino e os sinais de alerta;
- Estabelecimento de rotina evacuatória, respeitando horários e estímulos fisiológicos;
- Adequação da ingestão hídrica e nutricional, considerando as limitações orais e esofágicas comuns na EB;
- Intervenções comportamentais, com estímulo ao posicionamento adequado e ambiente acolhedor;
- Prevenção e manejo de lesões perianais, com cuidados específicos da pele, escolha criteriosa de produtos e técnicas atraumáticas.
A abordagem multiprofissional, envolvendo enfermagem, nutrição, gastroenterologia e dermatologia, mostra-se essencial. Entretanto, destaca-se o protagonismo do enfermeiro estomaterapeuta na avaliação contínua da função intestinal, no planejamento do cuidado e na adaptação das estratégias às particularidades cutâneas e funcionais desses pacientes.
Destaca-se ainda a importância da prevenção de lesões perianais, uma vez que a dor é fator central na perpetuação da constipação. A ausência de protocolos específicos para pacientes com epidermólise bolhosa evidencia a necessidade de adaptação das recomendações existentes para essa população.
Conclusão
O manejo adequado da constipação intestinal é fundamental para a prevenção da incontinência fecal em pacientes com epidermólise bolhosa, devendo ser iniciado precocemente e conduzido de forma contínua.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O enfermeiro estomaterapeuta tem papel essencial na implementação de estratégias de reeducação intestinal, na prevenção de lesões perianais e na educação de pacientes e cuidadores. A sistematização do cuidado intestinal pode contribuir significativamente para a redução de complicações e melhoria da qualidade de vida.
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Referências
-Denyer J, Pillay E. Best practice guidelines for skin and wound care in epidermolysis bullosa. Int Wound J. 2017;
- Tabbers MM, et al. Evaluation and treatment of functional constipation in children. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2014;
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- El Hachem M, et al. Multidisciplinary care in epidermolysis bullosa. Orphanet J Rare Dis. 2014;
-Haynes L, et al. Nutritional support in children with epidermolysis bullosa. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2012.


