CISTITE ACTÍNICA E INTERSTICIAL: O PAPEL DO ENFERMEIRO ESTOMATERAPEUTA NA ABORDAGEM CONSERVADORA
Palavras-chave:
Cistite Actínica; Cistite Intersticial; Estomaterapia; Cuidados de Enfermagem; Incontinência Urinária.Resumo
Objetivo
Sintetizar, por meio de revisão da literatura, as evidências relacionadas à cistite actínica e à cistite intersticial, abordando suas características clínicas e fisiopatológicas e o papel do enfermeiro estomaterapeuta no manejo conservador.Método
Revisão narrativa da literatura realizada nas bases PubMed/MEDLINE e Scopus, incluindo publicações entre 2015 e 2024. Foram priorizadas revisões sistemáticas, estudos observacionais e diretrizes clínicas de sociedades internacionais relevantes. Os estudos selecionados abordaram aspectos clínicos, fisiopatológicos e terapêuticos da cistite actínica e da cistite intersticial, com ênfase no manejo conservador e na atuação multiprofissional.
Resultados
A literatura demonstra que a cistite actínica e a cistite intersticial compartilham sintomas urinários incapacitantes, como dor pélvica, urgência e aumento da frequência miccional, embora apresentem etiologias distintas. A cistite actínica (CA) resulta de lesões vasculares progressivas e fibrose da parede vesical decorrentes da radiação ionizante, podendo manifestar-se meses ou anos após o tratamento oncológico. Já a cistite intersticial (CI) também conhecida como síndrome da bexiga dolorosa (SBD), está associada à disfunção da barreira urotelial, processos inflamatórios e alterações na modulação neural da dor. As diretrizes internacionais indicam que o manejo inicial dessas condições deve priorizar intervenções conservadoras. Estudos também apontam elevada prevalência de disfunções do assoalho pélvico em pacientes com CI/SBD, reforçando a importância de intervenções de reabilitação pélvica no controle sintomático. Nesse cenário, o enfermeiro estomaterapeuta pode contribuir significativamente na triagem clínica, na orientação sobre hábitos miccionais, na identificação de fatores desencadeantes e na promoção do autocuidado.
Conclusão
As evidências indicam que o manejo conservador desempenha papel central no tratamento inicial da CA e da CI/SBD. Estratégias baseadas em educação terapêutica, mudanças comportamentais e intervenções voltadas ao assoalho pélvico demonstram potencial para reduzir sintomas urinários e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O enfermeiro estomaterapeuta possui potencial relevante, embora ainda subexplorado, no cuidado a pacientes com cistites crônicas associadas a sintomas urinários complexos. Suas competências em educação para o autocuidado, orientação comportamental e reabilitação funcional alinham-se às recomendações das diretrizes internacionais para o manejo inicial dessas condições. A ampliação da produção científica nessa área pode fortalecer a inserção da estomaterapia nas linhas de cuidado voltadas às disfunções miccionais e à dor pélvica crônica, contribuindo para uma assistência mais integrada, resolutiva e centrada no paciente.
Downloads
Referências
International Continence Society. ICS guidelines on bladder pain syndrome and lower urinary tract symptoms [Internet]. Bristol: International Continence Society; 2021. Available from: https://www.ics.org
Clemens JQ, Erickson DR, Varela NP, Lai HH. Diagnosis and treatment of interstitial cystitis/bladder pain syndrome (AUA/SUFU guideline). J Urol. 2022;208(1):34-42.
Nascimento, L. A. P., et al. (2025). Cistite actínica: uma revisão da literatura quanto às opções terapêuticas orientadas à uma condição de difícil manejo.Recet, 12(1), e00178.
Moura AC, et al. Perfil epidemiológico das internações por cistite no Brasil entre 2018 e 2022. Braz J Health Rev. 2024;7(3):e70646. Available from: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/70646


