A CAPACIDADE VESICAL ESPERADA (CVE) SUPERESTIMA VOLUMES MICCIONAIS EM CRIANÇAS COM ENURESE E BEXIGA HIPERATIVA
Palavras-chave:
Disfunção do trato urinário inferior, Criança, Diário miccional, EstomaterapiaResumo
A avaliação de crianças com sintomas do trato urinário inferior inclui a análise dos volumes miccionais obtidos por meio de um diário miccional (DM) em comparação com a capacidade vesical esperada (CVE). Constitui-se num instrumento de medida de extrema utilidade, não invasivo, barata e precisa que permite traçar o perfil do hábito urinário e características determinantes da função vesical da criança, bem como documentar claramente esses achados. A CVE representa o volume miccional máximo esperado como padrão para comparação, valor que deve ser interpretado e calculado em relação à idade da criança.
Objetivo
Avaliar a hipótese é que os volumes obtidos com o DM em crianças com disfunção do trato urinário inferior (DTUI) são inferiores à sua CVE.
Método
Pais e responsáveis de crianças de 5 a 14 anos com bexiga hiperativa (BH) e enurese monossintomática primária (EMP) foram orientadas a preencher um DM de 3 dias como parte de sua avaliação, após aplicação de questionário específico validado. Os dados obtidos do DM foram comparados com a CVE pela fórmula clássica, CVE: (idade+1) x 30, padronizada pela ICCS
Resultados
Foram incluídas 98 crianças com idade média de 8.23 ± 2,26 anos (53% do sexo masculino). Destas, 59 apresentavam enurese primária monossintomática e 30 bexiga hiperativa. A frequência, volume urinário médio e volume noturno foram semelhantes, independentemente de quantos dias os episódios de micção foram registrados. Quanto à correlação entre volume máxima urinário (VMMax) e CVE, observou-se em toda amostra que em 68% das crianças, o VMMax foi menor que o CVE. Já nas crianças com EMP foi 67% e 69% com BH, respectivamente.
Conclusão
Na população estudada, a fórmula tradicional da CVE superestimou a capacidade vesical em 83% tanto em crianças com enurese primária monossintomática, quanto com bexiga hiperativa, quando comparada aos volumes obtidos pelo DM. Isso pode levar a vieses na avaliação clínica.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O presente estudo evidencia a atuação e autonomia do enfermeiro estomaterapeuta na interpretação e avaliação do diário miccional, especialmente no contexto das disfunções do trato urinário inferior.
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Referências
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