QUALIFICAÇÃO DO CUIDADO EM ESTOMIAS INTESTINAIS: REESTRUTURAÇÃO DO FLUXO PÓS-OPERATÓRIO

Autores

  • Leonardo Mendes Cardoso
  • Francisco Raimundo Silva Junior

Palavras-chave:

Estomaterapia, Estomias, Cuidados Pós-Operatórios

Resumo

Objetivo

Relatar a reestruturação do fluxo assistencial no pós-operatório de pessoas com estomias intestinais, visando à qualificação do cuidado, à segurança assistencial e ao fortalecimento da atuação do enfermeiro estomaterapeuta.

Desenvolvimento

Trata-se de um relato de experiência realizado em um serviço de Estomaterapia de uma instituição hospitalar, a partir da avaliação do fluxo assistencial de pessoas com estomias intestinais no período pós-operatório¹. A assistência a esses pacientes requer abordagem sistematizada, educação em saúde e acompanhamento contínuo, considerando os impactos físicos, emocionais e sociais decorrentes da confecção do estoma². Fragilidades no fluxo assistencial podem comprometer a adaptação do paciente, aumentar a incidência de complicações periestomais e dificultar a adesão ao tratamento³. Foram identificadas lacunas relacionadas à descontinuidade do cuidado após a alta hospitalar, ausência de padronização nas orientações e dificuldades no acesso a dispositivos coletores. Diante disso, foi realizada a reestruturação do fluxo assistencial, estabelecendo que todos os pacientes submetidos à confecção de estomia intestinal fossem acompanhados pelo serviço de Estomaterapia desde o pós-operatório imediato. A equipe assistencial passou a acionar o enfermeiro estomaterapeuta como profissional de referência, garantindo a realização de consulta de enfermagem ainda durante a internação, com avaliação clínica, inspeção do estoma e da pele periestomal, orientações ao paciente e familiares sobre autocuidado, além do fornecimento inicial de insumos. Para assegurar a continuidade assistencial, foi instituído o agendamento de consulta ambulatorial em até sete dias após a alta hospitalar, com reavaliação clínica, prescrição individualizada de dispositivos coletores e orientações quanto ao acesso aos insumos. O acompanhamento segue com retorno mensal no primeiro mês e, posteriormente, a cada três meses, com foco na prevenção de complicações, monitoramento clínico e fortalecimento do autocuidado. Observou-se melhora na organização do cuidado, maior adesão ao acompanhamento ambulatorial e maior segurança dos pacientes no manejo do estoma. 

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 A reestruturação do fluxo assistencial mostrou-se eficaz na qualificação do cuidado à pessoa com estomia intestinal no pós-operatório, promovendo maior integração entre os níveis de atenção, padronização das condutas e segurança no processo de adaptação ao estoma. A inserção sistemática do enfermeiro estomaterapeuta, desde o pós-operatório imediato até o seguimento ambulatorial, fortalece o autocuidado, previne complicações e otimiza o acesso a dispositivos coletores adequados, com impacto positivo na qualidade de vida. Destaca-se, ainda, o potencial dessa estratégia como modelo organizacional replicável em diferentes contextos assistenciais, reforçando a importância da organização de fluxos de cuidado centrados no paciente e orientados por práticas seguras, resolutivas e baseadas em evidências.

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Biografia do Autor

Francisco Raimundo Silva Junior

Enfermeiro, Mestre em Medicina Translacional e Doutorando em Ciências Morfofuncionais pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com formação clínica e científica voltada para o cuidado de feridas, queimaduras e biomateriais aplicados à saúde. Possui especializações em Enfermagem em Terapia Intensiva, Clínica Médica e Cirúrgica, Enfermagem Dermatológica e Estomaterapia. Atua em pesquisa translacional com ênfase no desenvolvimento, avaliação histológica, microbiológica e clínica da pele de tilápia (Oreochromis niloticus) como curativo biológico, incluindo estudos experimentais, ensaios clínicos e tecnologias associadas ao cuidado de feridas e queimaduras. Apresenta produção científica em periódicos nacionais e internacionais, com destaque para estudos sobre biomateriais, tratamento de queimaduras, estomaterapia e tecnologias educativas em saúde. Possui experiência em docência no ensino superior, extensão universitária, capacitação profissional e desenvolvimento de materiais educativos, além de participação ativa em eventos científicos e projetos de inovação em saúde.

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2021.

Couto JA, Sá TS, Silva KS, Nunes MR. Orientações de enfermagem a pacientes ostomizados: revisão integrativa. Res Soc Dev. 2021;10(9):e31310918086. doi:10.33448/rsd-v10i9.18086.

Brizante NHC, Pietrafesa GAB, da Silva SA, de Camargo EAF, Siviero IMPS. Complicações periestomais de maior ocorrência na cidade do interior de São Paulo. Braz. J. Desenvolver. [Internet]. 2023, 10 de maio [citado em 10 de abril de 2026];9(05):15548-60. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/59597

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Mendes Cardoso, L., & Silva Junior, F. R. (2026). QUALIFICAÇÃO DO CUIDADO EM ESTOMIAS INTESTINAIS: REESTRUTURAÇÃO DO FLUXO PÓS-OPERATÓRIO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2375