QUALIFICAÇÃO DO CUIDADO EM ESTOMIAS INTESTINAIS: REESTRUTURAÇÃO DO FLUXO PÓS-OPERATÓRIO
Palavras-chave:
Estomaterapia, Estomias, Cuidados Pós-OperatóriosResumo
Objetivo
Relatar a reestruturação do fluxo assistencial no pós-operatório de pessoas com estomias intestinais, visando à qualificação do cuidado, à segurança assistencial e ao fortalecimento da atuação do enfermeiro estomaterapeuta.
Desenvolvimento
Trata-se de um relato de experiência realizado em um serviço de Estomaterapia de uma instituição hospitalar, a partir da avaliação do fluxo assistencial de pessoas com estomias intestinais no período pós-operatório¹. A assistência a esses pacientes requer abordagem sistematizada, educação em saúde e acompanhamento contínuo, considerando os impactos físicos, emocionais e sociais decorrentes da confecção do estoma². Fragilidades no fluxo assistencial podem comprometer a adaptação do paciente, aumentar a incidência de complicações periestomais e dificultar a adesão ao tratamento³. Foram identificadas lacunas relacionadas à descontinuidade do cuidado após a alta hospitalar, ausência de padronização nas orientações e dificuldades no acesso a dispositivos coletores. Diante disso, foi realizada a reestruturação do fluxo assistencial, estabelecendo que todos os pacientes submetidos à confecção de estomia intestinal fossem acompanhados pelo serviço de Estomaterapia desde o pós-operatório imediato. A equipe assistencial passou a acionar o enfermeiro estomaterapeuta como profissional de referência, garantindo a realização de consulta de enfermagem ainda durante a internação, com avaliação clínica, inspeção do estoma e da pele periestomal, orientações ao paciente e familiares sobre autocuidado, além do fornecimento inicial de insumos. Para assegurar a continuidade assistencial, foi instituído o agendamento de consulta ambulatorial em até sete dias após a alta hospitalar, com reavaliação clínica, prescrição individualizada de dispositivos coletores e orientações quanto ao acesso aos insumos. O acompanhamento segue com retorno mensal no primeiro mês e, posteriormente, a cada três meses, com foco na prevenção de complicações, monitoramento clínico e fortalecimento do autocuidado. Observou-se melhora na organização do cuidado, maior adesão ao acompanhamento ambulatorial e maior segurança dos pacientes no manejo do estoma.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A reestruturação do fluxo assistencial mostrou-se eficaz na qualificação do cuidado à pessoa com estomia intestinal no pós-operatório, promovendo maior integração entre os níveis de atenção, padronização das condutas e segurança no processo de adaptação ao estoma. A inserção sistemática do enfermeiro estomaterapeuta, desde o pós-operatório imediato até o seguimento ambulatorial, fortalece o autocuidado, previne complicações e otimiza o acesso a dispositivos coletores adequados, com impacto positivo na qualidade de vida. Destaca-se, ainda, o potencial dessa estratégia como modelo organizacional replicável em diferentes contextos assistenciais, reforçando a importância da organização de fluxos de cuidado centrados no paciente e orientados por práticas seguras, resolutivas e baseadas em evidências.
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Referências
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