FORMAÇÃO EM ESTOMATERAPIA: DESAFIOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS CRÍTICO-REFLEXIVAS NO CUIDADO EM SAÚDE

Autores

  • Caroline Rodrigues De Oliveira Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Carolina Cabral Pereira Da Costa Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Dayse Carvalho Do Nascimento Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Jakeline Costa Dos Santos Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Letícia Alves Do Nascimento Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Midian Oliveira Dias
  • Patrícia Alves Dos Santos Silva
  • Norma Valéria Dantas De Oliveira Souza

Palavras-chave:

Descritores: Estomaterapia, Educação em Enfermagem, Formação Profissional, Educação Permanente

Resumo

Objetivo

Refletir sobre a formação em estomaterapia na perspectiva do desenvolvimento ampliado de competências profissionais, considerando a integração entre os diferentes pilares da prática em saúde.

Desenvolvimento

 Trata-se de um estudo de natureza teórico-reflexiva, fundamentado na trajetória docente e assistencial em estomaterapia, articulada à literatura científica e às diretrizes internacionais da área¹-³, bem como às políticas de formação em saúde e educação permanente⁴. A estomaterapia, enquanto especialidade da enfermagem, configura-se como campo estratégico para o cuidado à atenção integral à pessoa com estomias, feridas, incontinências¹-³. Para além do manejo técnico, abrange dimensões educativas, relacionais, investigativas e de reabilitação, fundamentais para a promoção do autocuidado, da autonomia e da qualidade de vida ¹,³. Entretanto, observa-se que o cuidado em estomaterapia ainda se organiza, frequentemente, a partir de uma lógica centrada em intervenções técnicas, como a troca de curativos e equipamentos coletores, prescrição de dispositivos e múltiplos adjuvantes, em detrimento de abordagens educativas, integradas e centradas na pessoa²,³. Essa configuração evidencia não apenas desafios no âmbito assistencial, mas também tensiona os processos formativos, nos quais coexistem a necessidade de respostas rápidas às demandas do cuidado e a construção de uma formação mais crítica e reflexiva⁴,⁵. Nesse contexto, emerge, a reflexão sobre a importância de sustentar processos formativos que valorizem o desenvolvimento do pensamento crítico, mesmo diante das pressões do cotidiano assistencial e das expectativas dos discentes por soluções imediatas e instrumentalizadas. Reconhecer o cuidado como prática complexa implica considerar que, para além do domínio técnico, são necessárias competências relacionadas à análise, tomada de decisão fundamentada, atuação interdisciplinar e compromisso com a produção de conhecimento¹,3,⁵. Destaca-se, assim, a atuação do enfermeiro estomaterapeuta como agente articulador entre assistência, ensino, pesquisa e gestão, contribuindo para a qualificação do cuidado e para a formação de profissionais mais preparados para lidar com a complexidade das práticas em saúde¹. Evidencia-se que a centralidade na dimensão técnica, embora necessária, pode, quando isolada, limitar a construção de um cuidado integral, crítico e baseado em evidências³. Ao mesmo tempo, reconhece-se que o contexto assistencial e formativo impõe demandas por agilidade e resolutividade. Nesse cenário, estratégias pedagógicas que articulam teoria e prática, estimulam o pensamento científico e favorecem a reflexão crítica mostram-se fundamentais para equilibrar essas dimensões⁴,⁵. A estomaterapia apresenta-se, assim, como campo potente para o desenvolvimento ampliado de competências, ao integrar cuidado técnico qualificado com educação em saúde, produção de conhecimento e organização do processo de trabalho¹-³.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 A formação em estomaterapia, quando orientada por uma perspectiva ampliada do cuidado, contribui para a construção de práticas profissionais mais críticas, integradas e centradas na pessoa. Destaca-se o papel do docente como mediador desse processo, favorecendo o equilíbrio entre a necessária competência técnica e o desenvolvimento de uma postura crítico-reflexiva. Como contribuição para a estomaterapia, a presente reflexão reforça a importância de processos formativos que integrem assistência, ensino, pesquisa e gestão, contribuindo para a formação de profissionais mais preparados para lidar com a complexidade do cuidado e fortalecer a qualidade da assistência nos diferentes contextos de atuação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Chabal LO, Prentice JL, Ayello EA. Practice implications from the WCET® International Ostomy Guideline 2020. Adv Skin Wound Care. 2021;34(6):293–300.

Brasil. Ministério da Saúde. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília: Ministério da Saúde; 2021.

Salomé GM, Almeida SA, Mendes B. Quality of life and nursing care for patients with intestinal stoma. Rev Bras Enferm. 2022;75(3):e20210123.

Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2018.

Feuerwerker LCM. Micropolítica e saúde: produção do cuidado, gestão e formação. Porto Alegre: Rede Unida; 2014

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Rodrigues De Oliveira, C., Cabral Pereira Da Costa, C., Carvalho Do Nascimento, D., Costa Dos Santos, J., Alves Do Nascimento, L., Oliveira Dias, M., Alves Dos Santos Silva, P., & Dantas De Oliveira Souza, N. V. (2026). FORMAÇÃO EM ESTOMATERAPIA: DESAFIOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS CRÍTICO-REFLEXIVAS NO CUIDADO EM SAÚDE. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2376