GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS EM ESTOMATERAPIA E FERIDAS: DESAFIOS E IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM
Palavras-chave:
Estomaterapia, Resíduos de Serviços de Saúde, Feridas, Sustentabilidade, Saúde PlanetáriaResumo
Objetivo
Refletir criticamente sobre as evidências acerca do gerenciamento de resíduos de serviço de saúde (RSS) relacionados ao cuidado à pessoa com feridas e as lacunas formativas na Enfermagem à luz da saúde planetária.
Desenvolvimento
Trata-se de uma reflexão crítica da literatura, com análise de estudos que abordam o manejo de RSS na enfermagem, com ênfase no cuidado a pessoas com feridas e na formação acadêmica voltada à saúde ambiental. Na interface entre a Estomaterapia e a saúde planetária, destaca-se o papel da enfermagem na promoção de práticas de cuidado ecologicamente responsáveis. Parte-se da compreensão de que o ato de cuidar das pessoas com feridas transcende a atenção individual e envolve a determinação social do processo saúde-doença em seus contextos mais amplos, como o ambiente e os sistemas que sustentam a vida1. O gerenciamento de RSS pode ser entendido como uma expressão concreta da ética do cuidado, evidenciando que o descarte inadequado de materiais compromete tanto a saúde humana quanto o equilíbrio ecológico1,2. Na área da saúde planetária há escassez de literatura específica sobre o gerenciamento de resíduos no contexto do cuidado à pessoas feridas. Um estudo evidenciou que o cuidado à pessoa com ferida gera diversidade significativa de resíduos, totalizando 23 tipos, incluindo materiais classificados nos grupos B (químicos), A4 (infectantes), E (perfurocortantes) e D (comuns), cada qual com fluxos específicos de manejo e descarte2. Apesar dessa complexidade, graduandos de enfermagem relatam que a saúde ambiental é abordada de forma pontual e limitada, sendo os conteúdos apresentados de maneira fragmentada, sem promover sensibilização ou desenvolvimento crítico3. Além disso, observa-se que, embora os acadêmicos reconheçam os tipos de RSS, persistem lacunas quanto à segregação, ao descarte adequado, à responsabilidade pelo manejo e à necessidade de tratamento prévio antes da destinação final4.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
Há discrepância entre o conhecimento teórico e a aplicação prática no manejo de RSS entre estudantes de enfermagem, somada à limitada produção científica sobre o tema no contexto do cuidado às pessoas com feridas, evidenciando fragilidades na formação quanto à sustentabilidade. Assim, o cuidado à pessoa com feridas deve ser abordado considerando a importância dessa temática, uma vez que essa assistência é comum no cotidiano dos profissionais e uma prévia reflexão sobre isso pode influenciar as etapas do processo de enfermagem e, consequentemente, contribuir com a saúde ambiental e planetária. O estudo reforça a necessidade de integrar de forma transversal a temática saúde ambiental na formação em enfermagem, especialmente na estomaterapia, promovendo o desenvolvimento de competências críticas e sustentáveis. A problematização do uso de insumos e do manejo de resíduos pode favorecer práticas mais conscientes, contribuindo para a redução dos impactos ambientais sem comprometer a qualidade do cuidado.
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Referências
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Silva, B. M. Descarte dos resíduos gerados na prática clínica da estomaterapia: construção de um infográfico. 2023. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2023. Disponível em: http://hdl.handle.net/1843/58407.
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