GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS EM ESTOMATERAPIA E INCONTINÊNCIAS: DESAFIOS E IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM
Palavras-chave:
Estomaterapia, Resíduos de Serviços de Saúde, Incontinência Urinária, Incontinência Fecal, Sustentabilidade AmbientalResumo
Objetivo
Refletir criticamente sobre as evidências acerca do gerenciamento de resíduos de serviço de saúde (RSS) relacionados ao cuidado à pessoa com incontinências e os principais desafios e lacunas na formação da graduação de Enfermagem sob a ótica da saúde planetária
Desenvolvimento
Trata-se de um estudo tipo reflexão teórica acerca do gerenciamento de resíduos em incontinência e como esse tema tem sido abordado no ensino de graduação em Enfermagem sob a ótica da saúde planetária. Na interface entre a Estomaterapia e a saúde planetária, destaca-se o papel da enfermagem na promoção de práticas de cuidado ecologicamente responsáveis. Parte-se da compreensão de que o ato de cuidar das pessoas com incontinência transcende a atenção individual e envolve a determinação social do processo saúde-doença em seus contextos mais amplos, como o ambiente e os sistemas que sustentam a vida1. O gerenciamento de RSS pode ser entendido como uma expressão concreta da ética do cuidado, evidenciando que o descarte inadequado de materiais compromete tanto a saúde humana quanto o equilíbrio ecológico1,2. Na área da saúde planetária há escassez de literatura específica sobre o gerenciamento de resíduos no contexto do cuidado à pessoas incontinentes. Um estudo realizado em Minas Gerais sobre o gerenciamento de RSS na área de incontinências destaca que a produção de resíduos biológicos exige o descarte em sacos brancos infectantes, enquanto os químicos usam sacos laranjas ou caixas próprias e os resíduos considerados sem riscos devem ser descartados em sacos azuis para resíduos comuns2. Outro estudo destaca que apesar da Estomaterapia promover a qualidade e de vida e dignidade a pessoas com incontinências, o grande consumo de materiais descartáveis (fradas, absorventes, cateteres) geram um alto volume de resíduos plásticos que impactam de forma negativa a sustentabilidade do planeta3. Esse paradoxo da prática clínica com a saúde planetária deve ser discutido desde a formação em enfermagem. No entanto, não se observa discussões nas instituições de ensino, tendo em vista que na graduação de enfermagem os discentes relatam que persistem lacunas na abordagem integral de conteúdos referentes a manejo de resíduos em serviços de saúde4. Com isso, destaca-se que a área de saúde ambiental permanece pouco explorada dentro da graduação de enfermagem4,5 o que gera conflitos no gerenciamento e manejo adequado dos resíduos, especialmente na Estomaterapia, especificamente na área das incontinências
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A perspectiva da enfermagem sobre o descarte de resíduos no cuidado a pessoas com incontinências ainda é limitada, sendo marcada por lacunas na produção científica, na formação em enfermagem e na integração da saúde planetária à prática clínica. A ausência de abordagem sobre sustentabilidade contribui para práticas potencialmente prejudiciais ao meio ambiente. Como contribuição à estomaterapia, esse estudo ilumina a necessidade de integrar a responsabilidade sustentável à assistência em futuras pesquisas. Além disso, abre-se a discussão acerca da necessidade da formação acadêmica abranger as especificidades do manejo dos RSS na área da estomaterapia, promovendo uma prática clínica crítica e sustentável e permitindo que o enfermeiro, no papel de educador, valide esses conhecimentos à população.
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Referências
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