DEFORMIDADES E FATORES ASSOCIADOS NO DESENVOLVIMENTO DE ÚLCERAS NOS PÉS DE PESSOAS COM DIABETES MELLITUS

Autores

  • Roseanne Montargil Rocha Universidade Estadual de Santa Cruz
  • Vanessa Azevedo Silva Universidade Estadual de Santa Cruz
  • Ellen Fernanda Da Silva Vieira Universidade Estadual de Santa Cruz
  • Rafael Ernane Andrade ONG Unidos pelo Diabetes
  • Tâa Pereira Da Cruz Santos Universidade Estadual de Santa Cruz
  • Marcelo Araujo Universidade Estadual de Santa Cruz

Palavras-chave:

Diabetes Mellitus, úlcera nos pés, Deformidade, Fatores de Risco, Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Estimar prevalência de deformidades e seus fatores associados no desenvolvimento de úlceras nos pés de pessoas com DM.

Método

Estudo transversal, exploratório. A pesquisa faz parte de um estudo maior aprovado pelo comitê de ética sob parecer N. 5.779.758. A amostra foi por conveniência, correspondendo a 1542 pessoas com DM que participaram do mutirão. A variável dependente foi a úlcera no pé. Ocorreu a análise descritiva exploratória através da frequência absoluta e relativa, medidas de tendência central como a média e mediana e as medidas de dispersão desvio padrão e o intervalo interquartil. Para as variáveis contínuas e discretas foi realizado o teste de Kolmogorov-Smirnov. As associações entre variáveis categóricas e a presença de úlceras foram avaliadas com os testes de Qui-quadrado de Pearson ou Exato de Fisher. Para comparação das variáveis contínuas entre os grupos, utilizou-se o teste de Mann-Whitney. Na análise multivariada, foi aplicada a regressão de Poisson, utilizando a estimativa de Razão de Prevalência (RP) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%).

Resultados

64,6% foram do sexo feminino, 62,7% com idade entre 51 a 70 anos, 73,8% relataram hipertensão, 40,04% em sobrepeso e 28,7% em obesidade, 86,4% não praticavam atividade física, 14,3% referiram doença renal, média de tempo de diagnóstico de  9,67 anos, 21,9% usam insulina, a média de glicemia de jejum 231mg/dl, 14,2% apresentavam úlcera, 3,2%  amputação, 30,5% micose, 29,5% unha encravada, ausência de pulso tibial posterior 17,5% e ausência de pulso pedioso 10,7% e 25,3% com perda da sensibilidade protetora plantar. A prevalência estimada de calo foi 9,2% e deformidade de 15,4%, distribuída entre joanete 9,5%, pé calvo 2,7%, dedos sobrepostos 1,7% e o pé de Charcot 1,5%. Variáveis com associação estatisticamente significativa (p < 0,05) incluíram: Perda Sensibilidade, amputação, ferida prévia no pé, internação por problemas no pé, sinais de infecção, pulso tibial posterior, pulso pedioso, etilismo, retinopatia, maculopatia no olho direito e maculopatia no olho esquerdo. Algumas variáveis apresentaram tendência de associação (p < 0,2), sendo consideradas para o modelo multivariado: realização de diálise, pé seco descamativo, onicomicose, onicocriptose, deformidade: joanete, retinopatia no olho direito, ureia, microalbuminúria e microalbuminúria/albumina. Os resultados da análise de regressão logística multivariada presença de ferida prévia no pé foi associada a maiores chances do desfecho, com OR = 4,73 e sinais de infecção com OR = 37,1. 

Conclusão

A presença de deformidade e seus os fatores associados são preditores importantes para ulceração nos pés por diabetes.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

No Brasil, 16,6 milhões de pessoas vivem com o diabetes mellitus (DM). A projeção indica um aumento para cerca de 24 milhões em 20501. Cerca de 85% das úlceras precedem amputações. A cada 60 segundos, três pessoas sofrem amputação por  DM 2,3. A doença nos pés é caracterizada pela neuropatia periférica, doença arterial periférica, infecção, neuro-osteoartropatia, sendo a ulceração uma das complicações mais graves4. Desvelar os fatores associados a ulceração contribui na tomada de decisão pelos estomaterapeutas tanta na prevenção como no tratamento, fortalecendo a clínica baseada em evidências.

 

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Biografia do Autor

Roseanne Montargil Rocha, Universidade Estadual de Santa Cruz

Docente Pleno da Universidade Estadual de Santa Cruz; Enfermeira Estomaterapeuta Tisobest; membro do Conselho Científico da Sobest; Docente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde da UESB e do Mestrado Profissional em Enfermagem da UESC. Membro do Conselho Científico da ONG Unidos pelo Diabetes. Pesquisadora CNPq. Coordenadora do Núcleo de Estomaterapia da UESC e do Projeto rede de Cuidados em Diabetes.

Vanessa Azevedo Silva, Universidade Estadual de Santa Cruz

Enfermeira, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem- Mestrado profissional; especialista clínica na Empresa Urgo Medical.

Ellen Fernanda Da Silva Vieira, Universidade Estadual de Santa Cruz

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem - Mestrado Profissional; Enfermeira, especialista em Enfermagem Oncológica e educação em saúde para preceptores do SUS.

Rafael Ernane Andrade, ONG Unidos pelo Diabetes

Doutor pela Unifesp; Retinólogo e diretor do Hospital Beira Rio; Presidente da ONG Unidos pelo Diabetes.

Tâa Pereira Da Cruz Santos, Universidade Estadual de Santa Cruz

Mestre em Enfermagem pela Universidade estadual de Santa Cruz; Enfermeiro assistencial e responsável técnico da Policlínica Regional de Itabuna e do Pronto Socorro do Hospital de Base Luis Eduardo Magalhaes.

Marcelo Araujo, Universidade Estadual de Santa Cruz

Docente da Universidade Estadual de Santa Cruz; Médico angiologista.

Referências

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IWGDF. Prevention guideline (2023 update) - IWGDF Guidelines [Internet]. [citado 23

de maio de 2025]. Available at: https://iwgdfguidelines.org/prevention-guideline-2023/

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Montargil Rocha, R., Azevedo Silva, V., Da Silva Vieira, E. F., Ernane Andrade, R., Pereira Da Cruz Santos, T., & Araujo, M. (2026). DEFORMIDADES E FATORES ASSOCIADOS NO DESENVOLVIMENTO DE ÚLCERAS NOS PÉS DE PESSOAS COM DIABETES MELLITUS. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2387