PERCEPÇÃO DE ENFERMEIROS SOBRE SABERES E PRÁTICAS EM ESTOMATERAPIA NOS AMBIENTES DE TRABALHO ASSISTENCIAIS
Palavras-chave:
Enfermagem, Estomaterapia;, Mercado de TrabalhoResumo
Objetivo
Compreender como enfermeiros percebem os saberes e as práticas relacionados à Estomaterapia no ambiente de trabalho.
Método
Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório, conduzido conforme o protocolo COREQ. Realizado em duas enfermarias de clínica médica e uma de clínica cirúrgica de um hospital universitário no Rio de Janeiro, contou com a participação de 14 enfermeiros, selecionados por amostragem não probabilística por conveniência, com definição do número de participantes pelo critério de saturação teórica. A coleta de dados ocorreu entre novembro de 2024 e março de 2025, por meio de entrevistas individuais semiestruturadas, com duração média de 20 minutos. Após transcrição no Word 2016, os dados foram analisados com o software IraMuTeQ®, utilizando a Classificação Hierárquica Descendente (CHD), que organiza os segmentos de texto em classes lexicais a partir da frequência e semelhança dos vocabulários. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob número de parecer: 6.076.021.
Resultados
O corpus analisado foi composto por 14 textos, resultando em 129 segmentos de textos (ST). Destes, foram aproveitados 115 na análise, o que representa um índice de retenção de 89,15%, considerado satisfatório, segundo os critérios metodológicos recomendados. Os resultados, a partir dos ST analisados, mostram que os enfermeiros compreendem parcialmente o escopo de estomaterapia e que há maior identificação desta especialidade relacionados aos cuidados com estomias e feridas. Os resultados deste estudo descortinam a visibilidade e a importância atribuída pelos participantes aos conteúdos de estomaterapia, averbados como diferencial no cuidado aos pacientes, familiares e para a equipe de saúde. Entretanto, a busca pela especialidade não é uma realidade no cenário desta pesquisa, já que nenhum dos participantes possui pós-graduação em estomaterapia e referem dúvidas, apesar de atuarem com pacientes com demandas de estomaterapia em seu cotidiano laboral1. Nesta perspectiva, observa-se a influência do modelo econômico capitalista neoliberal no mundo do trabalho em enfermagem. Através da precarização, instabilidade e flexibilização dos postos de trabalho, impulsionando o enfermeiro a assumir múltiplos vínculos, e, desta forma, desfavorecendo a capacitação e atualização profissional. 2,3 Os ST mostram a necessidade de maior aproximação entre a equipe assistencial dos setores e a comissão de cuidados em estomaterapia, instituindo parcerias e fortalecendo a prática.
Conclusão
Os achados evidenciaram que a percepção dos enfermeiros sobre os saberes e práticas em Estomaterapia ainda é heterogênea, com avanços no recomhecimento de sua importância, porém marcada por lacunas de conhecimento, limitações na formação e desafios na incorporação sistemática dessas práticas no cotidiano assistencial.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O estudo contribui ao evidenciar fragilidades e potencialidades na atuação dos enfermeiros, subsidiando o aprimoramento da formação profissional e a qualificação da assistência. Além disso, reforça a necessidade de fortalecer a educação permanente, destacar a visibilidade da Estomaterapia, enquanto especialidade, favorecendo um cuidado mais integral, seguro e resolutivo às pessoas em situação de estomaterapia.
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Referências
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