PROTAGONISMO DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO E NO RASTREAMENTO DA DOENÇA ARTERIAL PERIFÉRICA: PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES

Autores

  • Ariane Cristina Da Silva
  • Larissa De Paula Dias Barroso
  • Jéssica De Aquino Pereira Universidade do Vale do Sapucaí
  • Sthefany Pereira Morais
  • Ana Beatriz Alves Da Costa
  • Daniela Castro Lisboa

Palavras-chave:

Doença Arterial Periférica, Atenção Primária à Saúde, Educação, Enfermagem, Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Analisar o papel do enfermeiro na identificação precoce da Doença Arterial Periférica (DAP) na Atenção Primária à Saúde, por meio da utilização do Índice Tornozelo-Braquial (ITB), e sua relação com a educação e fatores de risco cardiovasculares.

Método

 Estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado em unidades de Atenção Primária à Saúde de um município do sul de Minas Gerais, no período de janeiro a junho de 2025. A amostra foi composta por 61 adultos com fatores de risco cardiovasculares. Os dados foram coletados por meio de questionário contendo variáveis sociodemográficas e clínicas. O ITB foi mensurado com Doppler vascular portátil, seguindo diretrizes nacionais, sendo considerados valores <0,8 indicativos de DAP e >1,3 de rigidez arterial. Sintomas de claudicação foram avaliados pelo Questionário de Claudicação de Edimburgo. Durante a coleta, foram realizadas orientações educativas individuais sobre prevenção de complicações vasculares e autocuidado, alinhadas às práticas de educação em saúde.  O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 6.768.174).

Resultados

 A média de idade da amostra foi 59,2 anos, predominando o sexo feminino (70,5%) e com maioria autodeclarada branca (85,2%). Observou-se elevada prevalência de hipertensão arterial (50,8%), diabetes mellitus (42,6%) e sobrepeso (IMC médio 28,25 kg/m²), indicando um perfil de alto risco cardiovascular¹. Alterações no ITB foram identificadas em 45% dos participantes, sendo 37% sugestivas de DAP e 8% indicativas de rigidez arterial, revelando uma proporção significativa de indivíduos com comprometimento vascular subclínico²,³. Sintomas de dor ou desconforto em membros inferiores foram relatados por 62,3%, principalmente ao subir ladeiras (94,7%) ou caminhar em ritmo normal (65,8%), porém sem associação significativa com ITB alterado, evidenciando a elevada ocorrência de DAP assintomática¹. Observou-se também baixa percepção dos participantes quanto à gravidade dos fatores de risco e à relação com complicações vasculares, reforçando a necessidade de estratégias educativas sistemáticas. Esses achados reforçam que a avaliação clínica isolada é insuficiente para a detecção precoce da doença e justificam a necessidade de triagem sistemática conduzida pelo enfermeiro, com potencial para antecipar intervenções e prevenir complicações graves.

Conclusão

 A triagem sistemática com ITB fortalece a integralidade do cuidado e, quando associada à educação em saúde, amplia o potencial de prevenção de complicações graves, como lesões isquêmicas e amputações, melhorando a circulação periférica e a qualidade de vida dos pacientes.

Ao incorporar o ITB à rotina de enfermagem, o cuidado vascular torna-se mais proativo, antecipando intervenções clínicas e prevenindo desfechos adversos. Quando associado a estratégias estruturadas de educação em saúde, amplia-se a autonomia do paciente, favorecendo o autocuidado e a adesão às recomendações clínicas⁵.  

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 Para a estomaterapia, isso significa reduzir risco de necrose, úlceras isquêmicas e amputações, garantindo maior segurança ao paciente e potencializando a eficácia das intervenções. O trabalho evidencia que o enfermeiro não é apenas executor de protocolos, mas agente central na prevenção de complicações crônicas, transformando a prática assistencial e consolidando a enfermagem como protagonista na produção de desfechos clínicos relevantes⁵.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Lee M, Smolderen KG, Ionescu C, Hillegass WB, Romain G, Mena-Hurtado C. Lower-extremity symptoms and ankle–brachial index screening as predictors of cardiovascular outcomes. Vasc Med. 2023.

Cervilla Suárez FJ, Muñoz Cobos F, García Ruiz A, Gálvez Alcaraz LF. Alteración del índice tobillo-brazo en pacientes con riesgo de enfermedad arterial periférica en atención primaria: frecuencia y factores asociados. Med Fam Andal. 2022;23(2):112-121.

Vural T, Tan MN, Kartal M, Guldal AD. Detecting peripheral arterial disease in primary care: a population-based study. Korean J Fam Med. 2020;41(1):61-67.

Aboyans V, Ricco JB, Bartelink MEL, et al. 2023 ESC Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice. Eur Heart J. 2023;44(24):1885-1982.

Sun J, Fan Z, Kou M, Wang X, Yue Z, Zhang M. Impact of nurse-led self-management education on type 2 diabetes: a meta-analysis. Front Public Health. 2025;13:1622988. doi:10.3389/fpubh.2025.1622988.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Cristina Da Silva, A., De Paula Dias Barroso, L., De Aquino Pereira, J., Pereira Morais, S., Alves Da Costa, A. B., & Castro Lisboa, D. (2026). PROTAGONISMO DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO E NO RASTREAMENTO DA DOENÇA ARTERIAL PERIFÉRICA: PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2397