PROTAGONISMO DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO E NO RASTREAMENTO DA DOENÇA ARTERIAL PERIFÉRICA: PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES
Palavras-chave:
Doença Arterial Periférica, Atenção Primária à Saúde, Educação, Enfermagem, EstomaterapiaResumo
Objetivo
Analisar o papel do enfermeiro na identificação precoce da Doença Arterial Periférica (DAP) na Atenção Primária à Saúde, por meio da utilização do Índice Tornozelo-Braquial (ITB), e sua relação com a educação e fatores de risco cardiovasculares.
Método
Estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado em unidades de Atenção Primária à Saúde de um município do sul de Minas Gerais, no período de janeiro a junho de 2025. A amostra foi composta por 61 adultos com fatores de risco cardiovasculares. Os dados foram coletados por meio de questionário contendo variáveis sociodemográficas e clínicas. O ITB foi mensurado com Doppler vascular portátil, seguindo diretrizes nacionais, sendo considerados valores <0,8 indicativos de DAP e >1,3 de rigidez arterial. Sintomas de claudicação foram avaliados pelo Questionário de Claudicação de Edimburgo. Durante a coleta, foram realizadas orientações educativas individuais sobre prevenção de complicações vasculares e autocuidado, alinhadas às práticas de educação em saúde. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 6.768.174).
Resultados
A média de idade da amostra foi 59,2 anos, predominando o sexo feminino (70,5%) e com maioria autodeclarada branca (85,2%). Observou-se elevada prevalência de hipertensão arterial (50,8%), diabetes mellitus (42,6%) e sobrepeso (IMC médio 28,25 kg/m²), indicando um perfil de alto risco cardiovascular¹. Alterações no ITB foram identificadas em 45% dos participantes, sendo 37% sugestivas de DAP e 8% indicativas de rigidez arterial, revelando uma proporção significativa de indivíduos com comprometimento vascular subclínico²,³. Sintomas de dor ou desconforto em membros inferiores foram relatados por 62,3%, principalmente ao subir ladeiras (94,7%) ou caminhar em ritmo normal (65,8%), porém sem associação significativa com ITB alterado, evidenciando a elevada ocorrência de DAP assintomática¹. Observou-se também baixa percepção dos participantes quanto à gravidade dos fatores de risco e à relação com complicações vasculares, reforçando a necessidade de estratégias educativas sistemáticas. Esses achados reforçam que a avaliação clínica isolada é insuficiente para a detecção precoce da doença e justificam a necessidade de triagem sistemática conduzida pelo enfermeiro, com potencial para antecipar intervenções e prevenir complicações graves.
Conclusão
A triagem sistemática com ITB fortalece a integralidade do cuidado e, quando associada à educação em saúde, amplia o potencial de prevenção de complicações graves, como lesões isquêmicas e amputações, melhorando a circulação periférica e a qualidade de vida dos pacientes.
Ao incorporar o ITB à rotina de enfermagem, o cuidado vascular torna-se mais proativo, antecipando intervenções clínicas e prevenindo desfechos adversos. Quando associado a estratégias estruturadas de educação em saúde, amplia-se a autonomia do paciente, favorecendo o autocuidado e a adesão às recomendações clínicas⁵.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Para a estomaterapia, isso significa reduzir risco de necrose, úlceras isquêmicas e amputações, garantindo maior segurança ao paciente e potencializando a eficácia das intervenções. O trabalho evidencia que o enfermeiro não é apenas executor de protocolos, mas agente central na prevenção de complicações crônicas, transformando a prática assistencial e consolidando a enfermagem como protagonista na produção de desfechos clínicos relevantes⁵.
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Referências
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