LETRAMENTO EM SAÚDE E EDUCAÇÃO RELACIONADOS À QUALIDADE DE VIDA EM DIABETES E LESÕES

Autores

  • Larissa De Paula Dias Barroso
  • Jéssica De Aquino Pereira Universidade do Vale do Sapucaí
  • Sthefany Pereira Morais
  • Daniela De Castro Lisboa

Palavras-chave:

Estomaterapia, Diabetes Mellitus, Letramento em Saúde, Qualidade de Vida, Educação em Saúde

Resumo

Objetivo

Analisar a relação entre letramento em saúde, qualidade de vida e condições clínicas em pessoas com diabetes mellitus e lesões em membros inferiores, considerando o papel da educação no manejo da doença.

Método

Estudo observacional, transversal, realizado em dois hospitais-escola públicos, com 100 participantes adultos com diabetes mellitus tipo 2 e lesões em membros inferiores. Foram aplicados questionário sociodemográfico e clínico, o instrumento Diabetic Foot Ulcer Scale - Short Form (DFS-SF) para avaliação da qualidade de vida e o Short Assessment of Health Literacy for Portuguese-speaking Adults (SAHLPA-18) para mensuração do letramento em saúde. As lesões foram classificadas pelo sistema Wound, Ischemia and Foot Infection (WIfI). Embora não tenha sido avaliada como variável mensurada, a educação foi considerada na fundamentação. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP nº 6828838).

Resultados

 Participaram 100 indivíduos, com predominância do sexo feminino, idade média de 65,03 anos, baixa escolaridade (7,1 anos) e tempo médio de diagnóstico de diabetes de 14,37 anos. Observou-se elevada frequência de letramento em saúde inadequado, associada ao baixo nível educacional.

A qualidade de vida esteve comprometida em cinco dos seis domínios avaliados, com maior impacto na preocupação com a lesão e menor no incômodo relacionado ao cuidado. A presença de hipertensão associou-se a pior qualidade de vida nos domínios de lazer e atividades diárias, enquanto a neuropatia esteve relacionada a maior dependência funcional e maior preocupação com a lesão.

Indivíduos com letramento adequado apresentaram melhor percepção da saúde física e menor incômodo com o cuidado da lesão. Em contrapartida, o letramento inadequado evidenciou dificuldades na compreensão e utilização das informações em saúde, impactando diretamente o manejo da doença e o autocuidado¹,².

Conclusão

 O baixo letramento em saúde compromete significativamente o manejo do diabetes e o autocuidado em pessoas com lesões em membros inferiores, evidenciando que a dificuldade de compreensão das orientações em saúde está diretamente relacionada a piores desfechos clínicos e qualidade de vida¹,²,³,⁴.

A simples transmissão de informações não garante mudanças no cuidado, especialmente diante de barreiras educacionais, sociais e funcionais³. Esses achados reforçam que estratégias educativas tradicionais são insuficientes quando não consideram o nível de letramento dos pacientes, limitando a adesão ao tratamento e a efetividade das intervenções⁵. Mais do que informar, é necessário garantir compreensão, significado e capacidade de ação.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 

A estomaterapia assume papel estratégico na transformação desse cenário, ao desenvolver intervenções educativas acessíveis, individualizadas e centradas no nível de letramento dos pacientes.

O fortalecimento do letramento em saúde amplia a autonomia, qualifica o autocuidado e contribui diretamente para a prevenção de complicações como infecções, agravamento de lesões e amputações⁵.

Mais do que uma ferramenta educativa, o letramento em saúde configura-se como um eixo estruturante do cuidado, capaz de reduzir iniquidades, melhorar desfechos clínicos e promover qualidade de vida³.

Nesse contexto, o enfermeiro estomaterapeuta consolida-se como agente central na mediação do conhecimento e na construção de um cuidado mais efetivo, resolutivo e seguro.

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Referências

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

De Paula Dias Barroso, L., De Aquino Pereira, J., Pereira Morais, S., & Lisboa, D. D. C. (2026). LETRAMENTO EM SAÚDE E EDUCAÇÃO RELACIONADOS À QUALIDADE DE VIDA EM DIABETES E LESÕES. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2398