MANEJO DE LESÃO TEGUMENTAR CAUSADA POR LEISHMANIOSE NO CUIDADO DE FERIDAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Leishmaniose, Estomaterapia, Ferimentos e LesõesResumo
Objetivo
O objetivo do presente estudo foi descrever as atividades realizadas pelos acadêmicos de Enfermagem de um projeto de extensão em um Hospital Universitário em Brasília, Distrito Federal, sob supervisão de enfermeiros e docentes do curso, com enfoque no manejo de lesões tegumentares causadas por leishmaniose, bem como descrever as estratégias utilizadas e identificar a contribuição da Estomaterapia no cuidado aos pacientes com essa condição.
Desenvolvimento
O trabalho faz parte de um projeto de pesquisa guarda-chuva, que teve sua aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o número CAEE: 93770625.7.0000.5558. Paciente do sexo feminino, 72 anos, com diagnóstico prévio de hipotireoidismo, admitida no serviço mediante encaminhamento de médico ortopedista por apresentar úlcera arterial localizada em maléolo lateral direito. Após realização de biópsia, confirmou-se o diagnóstico de leishmaniose tegumentar. Na admissão, a lesão apresentava pele perilesional hiperemiada, edema grau 1+/4+, bordas irregulares e desniveladas, além de leito com presença de tecido de granulação associado a áreas de esfacelo aderido e excessiva quantidade de exsudato seroso (4+/4+), paciente relatava dor 10/10. O plano terapêutico foi sistematizado com base em abordagem integral da lesão, incluindo higienização com soro fisiológico, desbridamento instrumental de tecido inviável de modo suave, devido a sensibilidade do leito, além da utilização de coberturas como a malha antimicrobiana e espuma hidrocelular com ibuprofeno, associadas a tecnologias adjuvantes, usadas em grande parte do tratamento1,3. Dentre elas estão a Terapia Fotodinâmica, com uso de substância fotossensibilizante azul de metileno a 1%, associada à laserterapia com luz vermelha (9 J) para controle microbiológico3,4 e a Terapia de Fotobiomodulação com comprimentos de onda vermelho e infravermelho, com o objetivo de favorecer o reparo tecidual e manejo da dor3. Ademais, foram realizados registros fotográficos e mensuração da lesão a cada 15 dias para acompanhamento da evolução clínica e resposta ao tratamento instituído.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
Ao longo de 42 semanas de acompanhamento, observou-se evolução clínica significativa da lesão, evidenciada pela melhora da pele perilesional, contração progressiva das bordas, redução da carga microbiana e modulação da dor e inflamação. A condução terapêutica, baseada na associação entre intervenções tópicas direcionadas ao leito da ferida mais o uso das terapias adjuvantes, contribuíram para a otimização do tempo de cicatrização e alcance da epitelização da lesão. O estudo contribui para o fortalecimento da estomaterapia ao evidenciar a importância da atuação especializada no manejo de feridas complexas, como a Leishmaniose Tegumentar1. A evolução clínica observada reforça o papel do estomaterapeuta na avaliação do leito da ferida e na escolha adequada de coberturas, com base em evidências científicas, destacando um olhar integral e individualizado, que considera as condições sistêmicas, sociais e emocionais do paciente.
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Referências
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