TRAJETÓRIA DE 30 ANOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM ESTOMATERAPIA NO CONTEXTO AMAZÔNICO
Palavras-chave:
Estomaterapia, Educação em Enfermagem, Educação em Saúde, Pesquisa Participativa Baseada na ComunidadeResumo
Objetivo
Descrever a trajetória profissional da primeira enfermeira estomaterapeuta no contexto amazônico.
Desenvolvimento
Relato de experiência fundamentado na análise cronológica de informações disponíveis no currículo Lattes da profissional, contemplando sua trajetória ao longo de 36 anos desde a graduação em Enfermagem, 33 anos de atuação docente em duas universidades públicas e 30 anos de atuação na Estomaterapia. Destaca-se, como gênese de sua trajetória na área, a formação especializada obtida por meio do curso de Enfermagem em Estomaterapia pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.
No contexto da região amazônica, sua trajetória profissional consolida-se por meio de expressiva atuação na formação, assistência e produção do conhecimento em Estomaterapia. No estado do Pará, no âmbito da docência em instituições públicas de ensino superior, já contribuiu para a formação de cerca de 3.000 enfermeiros. Ressalta-se sua participação em duas edições do Curso de Especialização em Enfermagem em Estomaterapia da Universidade de Brasília, experiência de grande relevância e aprendizagem em sua trajetória profissional. Destaca-se, ainda, sua liderança no Grupo de Pesquisa Laboratório de Estudos em Enfermagem em Estomaterapia da Amazônia.
Em sua formação stricto sensu, destacam-se estudos desenvolvidos no mestrado e doutorado, com enfoque no cuidado especializado, nas vulnerabilidades e no acesso aos serviços de saúde. Coordenou a pesquisa "Perfil de Estomizados no Contexto Amazônico", que contribuiu para a compreensão epidemiológica regional. Idealizou e participou da pesquisa “Escalpelamento: lágrimas nos rios da Amazônia”, ampliando o escopo da estomaterapia para agravos regionais negligenciados. Atualmente tem se dedicado aos estudos sobre inteligência artificial nas áreas de abrangência da estomaterapia, além de coordenar a pesquisa “Entre plantões e refeições: como está o intestino de quem cuida?”, tendo como público-alvo os profissionais de saúde.
No campo da extensão, coordenou iniciativas como “Rede Dialógica de Pessoas com Estomia”, “Novembro Multicores”, e atualmente, participa do programa “Acompanhamento e orientação nutricional de pessoas com estomia no contexto amazônico”, promovendo assistência, educação nutricional, acolhimento e o protagonismo dos usuários.
Sua trajetória foi marcada pela atuação em assessoria técnica de multinacionais na área de dispositivos para estomias, feridas e incontinências. No cenário associativo, desde 2012 exerce papel de Presidente Seccional e Diretora do Conselho Científico da Associação Brasileira de Estomaterapia, SOBEST Seccional Pará e membro pleno do World Council of Enterostomal Therapists.
No âmbito político-institucional, participou de entidades representativas, como a Associação dos Ostomizados do Pará, que historicamente contribuiu para a defesa dos direitos das pessoas com estomia e fortalecimento do controle social. Sua representatividade institucional, possibilitou a participação na criação do serviço de atenção à pessoa com estomia e composição da câmara técnica na Secretaria de Estado da Saúde do Pará, evidenciando o compromisso com a organização da rede de cuidado e com a garantia de acesso integral à saúde.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A trajetória descrita evidencia que a produção de conhecimento contextualizado, associada à educação em saúde e à articulação institucional, contribui para a qualificação do cuidado, ampliação do acesso e defesa dos direitos das pessoas com estomias, feridas ou incontinências, em um contexto regional desafiador.
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Referências
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