ASSISTÊNCIA ESPECIALIZADA EM ESTOMATERAPIA NO MANEJO DO PROLAPSO DE ALÇA EM COLOSTOMIA
Palavras-chave:
"Estomaterapia", "Colostomia", "Cuidados de Enfermagem", "Prolapso", "Educação em Saúde"Resumo
Objetivo
Descrever a Sistematização da Assistência de Enfermagem estruturada para o manejo de pacientes com estomias intestinais com presença de prolapso de alça.
Desenvolvimento
O Abdome Agudo Obstrutivo (AAO) representa condição cirúrgica crítica, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal, podendo levar à isquemia e necrose1. Nesses cenários, a confecção de estomas, como colostomias, torna-se intervenção vital para desviar o trânsito e permitir recuperação do tecido afetado. Contudo, a presença do estoma pode evoluir para complicações como prolapso de alça, que exige manejo especializado2. Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, no qual foi conduzido por discente de Estomaterapia e profissional estomaterapeuta em atendimento ambulatorial especializado em Fortaleza no estado do Ceará. O foco foi o cuidado de enfermagem e a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em paciente colostomizado e prolapso de alça. Os diagnósticos de enfermagem foram identificados usando a Taxonomia II da NANDA-I3, com intervenções baseadas na Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC)4. A SAE para o manejo do prolapso divide-se em três principais diagnósticos: eliminação, integridade cutânea e autogestão. Na eliminação, destacam-se os diagnósticos de Eliminação intestinal prejudicada evidenciado por alteração no processo normal de defecação pelo reto ou por ostomia, relacionado a mobilidade física prejudicada; Continência fecal prejudicada evidenciada por perda de controle com passagem involuntária de fezes e flatos, relacionada a inabilidade de retardar a evacuação, inabilidade de segurar flatos e trauma retal, com intervenções focadas no monitoramento do efluente e na adaptação de sistemas coletores que comportem o segmento prolapsado sem causar trauma à mucosa. Em relação a integridade cutânea, o diagnóstico de Risco de integridade da pele prejudicada relacionado à presença de estomia e contato da pele periestomal com efluentes, exigindo vigilância rigorosa da pele periestomal e o uso de dispositivos com recorte preciso para evitar dermatites associadas ao efluente ou à tração mecânica do prolapso. Por fim, em relação a autogestão aborda o Risco de padrão de sono ineficaz definido por suscetibilidade a dificuldade de vivenciar prejudicando negativamente a função, relacionada à autogestão ineficaz do estoma e comportamentos sedentário, com intervenções educativas voltadas ao esvaziamento preventivo da bolsa, uso de cintos elásticos para estabilização do estoma e suporte psicossocial diante das mudanças na imagem corporal. A sistematização proposta enfatiza que a escolha de dispositivos coletores de duas peças e bases convexas ou planas, associadas a adjuvantes, é fundamental para garantir a segurança e o conforto do paciente.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A aplicação de uma SAE estruturada permite uma abordagem integral e baseada em evidências para pacientes com complicações de estomias, como o prolapso de alça. A utilização das taxonomias padronizadas favorece a comunicação entre a equipe de saúde e a continuidade do cuidado especializado. Esta proposta contribui para a prática clínica do enfermeiro estomaterapeuta ao oferecer um roteiro sistematizado para o manejo de uma complicação complexa. A sistematização reforça o papel estratégico do especialista na prevenção de agravos, promoção da autonomia do paciente e melhoria dos desfechos clínicos e da qualidade de vida do paciente.
Downloads
Referências
Baldissera KC de S, Alves JG C, Pessoa FL, Guimarães HV, Câmara KMMT da, et al. Abordagem do Abdome Agudo Obstrutivo: Critérios Para Abordagem Cirúrgica. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences. 2025;7(2):2631–41.
Prezzotto EC, Machado EC, Paula MJA B de, Abrantes PRG, Turra G, et al. ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO: ETIOLOGIA, FISIOPATOLOGIA, DIAGNÓSTICO E MANEJO TERAPÊUTICO. Revista Contemporânea. 2024;4(12):e7009.
NANDA International. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificações 2021-2023. Porto Alegre: Artmed; 2021.
Bulechek GM, Butcher HK, Dochterman JM. Classificação das intervenções de enfermagem (NIC). 7ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.


