AUTOCUIDADO EM PESSOAS COM ESTOMIAS DE ELIMINAÇÃO: BARREIRAS NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO
Palavras-chave:
Estomia, Autocuidado, Estomaterapia, Adaptação PsicológicaResumo
Objetivo
Identificar as principais barreiras que permeiam o processo de adaptação e o desenvolvimento das habilidades de autocuidado em pessoas com estomias de eliminação, analisando a repercussão desses entraves na autonomia e na qualidade de vida do indivíduo.
Método
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa. O levantamento de dados foi realizado nas bases de dados LILACS e BDENF (via portal BVS), SciELO e PubMed, utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): "Estomia", "Autocuidado" e "Adaptação Psicológica", mediada pelo operador booleano AND. Os critérios de inclusão contemplaram artigos originais, publicados nos últimos cinco anos, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram excluídos estudos que não abordassem especificamente estomias de eliminação e aqueles que não discutissem as dificuldades cotidianas enfrentadas no processo de reabilitação da pessoa com estomia.
Resultados
A análise dos estudos evidenciou que as pessoas com estomias enfrentam barreiras multidimensionais (físicas, psicoemocionais, cognitivas e sociais). No âmbito psicossocial, destacam-se distúrbios de autoimagem, sentimentos de desprestígio, ansiedade e insegurança no manejo do equipamento coletor¹⁻⁴. A preocupação constante com vazamentos, gases e odores foi elencada como fator determinante para o isolamento social, retardando o retorno às atividades habituais. Sintomas pós-operatórios e/ou de tratamentos de doenças de base, como fadiga, dor e fraqueza muscular também surgem como dificultadores do processo². No cenário assistencial, a principal barreira compreende a ausência de demarcação pré-operatória, resultando em estomas de difícil visualização e manuseio, o que impõe a dependência de terceiros. Ademais, o despreparo das equipes de cuidado não especializadas e a alta hospitalar precoce contribuem para um déficit de informações, gerando insegurança¹. Complicações periestomais, como dermatites e hérnias paraestomais, também foram identificadas como obstáculos significativos ao autocuidado pleno³⁻⁴.
Conclusão
Observa-se que as barreiras identificadas são multifatoriais e exigem uma abordagem multidisciplinar e humanizada. Quando as necessidades de apoio emocional e educação em saúde são negligenciadas, o processo de reabilitação que visa a autonomia do indivíduo é prejudicado.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O estudo reforça o papel imprescindível do enfermeiro especialista na identificação precoce de barreiras que interferem no autocuidado. As contribuições para a especialidade residem na necessidade de implementação de protocolos assistenciais que contemplem desde a demarcação da estomia no pré-operatório até o acompanhamento ambulatorial. Ao promover estratégias de educação em saúde personalizadas e suporte emocional, é possível minimizar complicações e potencializar a reabilitação plena, assegurando a retomada da dignidade e da qualidade de vida da pessoa com estomia
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Referências
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