AUTOCUIDADO E FATORES COMPORTAMENTAIS NA GESTÃO DO EQUIPAMENTO COLETOR
Palavras-chave:
Autocuidado, estomias, estomaterapiaResumo
Objetivo
Avaliar a influência das competências de autocuidado e dos fatores comportamentais na aderência do equipamento coletor em pessoas com estomia de eliminação intestinal.
Método
Revisão de escopo conduzida segundo o Joanna Briggs Institute (JBI) e reportada conforme o PRISMA-ScR. O protocolo encontra-se registrado no Open Science Framework (OSF) (https://doi.org/10.17605/OSF.IO/9BPT6). Foram incluídos estudos publicados nos últimos 10 anos, sem restrição de idioma ou desenho metodológico. A estratégia de busca abrangeu bases de dados internacionais e contemplou termos relacionados à estomia, autocuidado, adesão e falha de dispositivos. O processo de seleção seguiu etapas de triagem por título/resumo e leitura integral por revisores independentes.
Resultados
Foram incluídos 18 estudos após processo rigoroso de elegibilidade. As evidências indicam que falhas na aderência do equipamento coletor estão fortemente associadas a dificuldades no autocuidado. Erros técnicos recorrentes incluem recorte inadequado da placa, preparação insuficiente da pele periestomal, aplicação incorreta e ausência de aquecimento/pressão adequada para ativação do adesivo. Limitações visuais, cognitivas e motoras comprometem a execução das etapas do cuidado, sobretudo em populações idosas ou com comorbilidades. Adicionalmente, fatores comportamentais e emocionais — como ansiedade, medo de fugas, insegurança e baixa autoeficácia — influenciam práticas disfuncionais, nomeadamente trocas excessivas, manipulação frequente do dispositivo e inspeção repetitiva da pele, reduzindo o tempo de uso e a eficácia da vedação. Em contrapartida, intervenções educativas estruturadas, centradas na pessoa e baseadas em treino prático, demonstraram melhoria significativa na técnica de aplicação, aumento da confiança e maior durabilidade do equipamento coletor.
Conclusão
As competências de autocuidado e os fatores comportamentais constituem determinantes críticos da aderência e desempenho do equipamento coletor. A abordagem sistemática é essencial para prevenir fugas, lesões cutâneas periestomais e impactos negativos na qualidade de vida.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Os achados reforçam o papel central do enfermeiro estomaterapeuta na avaliação contínua das competências do doente, na identificação precoce de barreiras comportamentais e na implementação de programas educativos individualizados. A integração de acompanhamento especializado, educação terapêutica estruturada e suporte contínuo mostra-se fundamental para promover autonomia, otimizar a adesão ao dispositivo e reduzir complicações evitáveis.
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Referências
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