FATORES ASSOCIADOS À AUTOEFICÁCIA EM INDIVÍDUOS COM FERIDAS CRÔNICAS NA APS
Palavras-chave:
Estomaterapia, ferimentos e lesões, Atenção Primária á SaúdeResumo
Objetivo
Avaliar os fatores sociodemográficos, clínicos e comportamentais associados à autoeficácia em indivíduos com feridas crônicas acompanhados na Atenção Primária à Saúde.
Método
Estudo observacional, transversal e analítico, com abordagem quantitativa, realizado com indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde de um município do Nordeste brasileiro. A amostra foi composta por 83 participantes, selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas, utilizando a escala Chronic Wound Self-Efficacy Scale (CWSES). Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Campus UFS/Lag, sob Parecer nº 7.311.588.
Resultados
A autoeficácia dos indivíduos com feridas crônicas apresentou escore de 35,6 (IC95%: 32,9–38,3), indicando nível moderado de percepção de capacidade para o autocuidado. Embora os participantes demonstrem alguma confiança na condução do cuidado com a ferida, ainda existem limitações que podem comprometer a adesão terapêutica e os desfechos clínicos. Observou-se associação significativa entre autoeficácia e funcionalidade (p < 0,001), evidenciando que indivíduos com maior percepção de capacidade para o autocuidado tendem a apresentar melhor desempenho nas atividades de vida diária. Esse resultado reforça o papel da autoeficácia como um importante determinante da autonomia, especialmente em condições crônicas que exigem manejo contínuo. Adicionalmente, considerando o perfil da amostra, composta majoritariamente por idosos (62,3±18,1 anos), com baixa escolaridade (74,7%), alta prevalência de doenças crônicas (69,9%) e ausência de ocupação formal (73,5%), evidencia-se que fatores sociodemográficos e clínicos podem influenciar negativamente a construção da autoeficácia . Tais condições podem limitar o acesso à informação, reduzir a capacidade de autocuidado e aumentar a dependência de terceiros. No contexto assistencial, a predominância de cuidados domiciliares (72,3%) e a realização de curativos pelo próprio paciente ou familiares (50,6%) reforçam a necessidade de níveis adequados de autoeficácia, uma vez que o sucesso terapêutico depende diretamente da capacidade do indivíduo em conduzir o cuidado cotidiano. Embora de forma indireta, a literatura aponta que baixos níveis de autoeficácia estão associados a piores indicadores de saúde mental e qualidade de vida, o que pode potencializar o impacto das feridas crônicas e dificultar o enfrentamento da condição.Dessa forma, os achados evidenciam que a autoeficácia é um elemento central no manejo de feridas crônicas na APS, sendo influenciada por fatores clínicos, funcionais e sociodemográficos. Estratégias voltadas para educação em saúde, fortalecimento do autocuidado e apoio multiprofissional são essenciais para promover maior autonomia e melhorar os desfechos desses indivíduos.
Conclusão
As feridas de difícil cicatrização exercem um impacto multidimensional profundo. A autoeficácia confirmou-se como um fator protetivo e preditor de melhor funcionalidade, enquanto a lesão por pressão emergiu como a condição de maior impacto negativo na autonomia do indivíduo.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
A assistência em estomaterapia na APS deve integrar a avaliação da autoeficácia como indicador clínico de sucesso. É importante que o enfermeiro estomaterapeuta desenvolvam intervenções educativas voltadas ao empoderamento e rastreie precocemente o sofrimento mental.
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Referências
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