SOFRIMENTO PSÍQUICO EM INDIVÍDUOS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA APS

Autores

  • Lays Jane Nascimento Dantas
  • Ana Ruth Santos Xavier
  • Giseli Do Nascimento Silva
  • Iasmin Fraga De Jesus
  • Tarcísio Silveira Santos Guimarães
  • Caíque Jordan Nunes Ribeiro

Palavras-chave:

Estomaterapia, ferimentos e lesões, Atenção Primária á Saúde

Resumo

Objetivo

Analisar o sofrimento psíquico em indivíduos com feridas de difícil cicatrização na Atenção Primária à Saúde.

Método

Estudo observacional, transversal e analítico, com abordagem quantitativa, realizado com indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde de um município do Nordeste brasileiro. A amostra foi composta por 83 participantes, selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas, utilizando o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) para avaliação do sofrimento psíquico. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Campus UFS/Lag, sob Parecer nº 7.311.588.

Resultados

Foram avaliados 83 indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na APS, com predomínio de idosos, baixa escolaridade, ausência de ocupação formal e alta prevalência de doenças crônicas. As lesões foram majoritariamente únicas, com destaque para úlceras vasculogênicas, seguidas por feridas traumáticas e lesões por pressão, sendo o cuidado predominantemente realizado no domicílio com trocas diárias de curativos. Em relação aos desfechos, observou-se presença relevante de sofrimento psíquico, com escore médio no SRQ-20 próximo ao ponto de corte para suspeição de transtornos mentais comuns. Além disso, identificou-se associação significativa entre sofrimento mental e pior qualidade de vida (p<0,001), evidenciando o impacto dos aspectos emocionais na percepção de saúde dos indivíduos. A análise das etiologias demonstrou que úlceras mistas estavam mais associadas ao sofrimento psíquico, enquanto lesões por pressão apresentaram piores desfechos funcionais. Em contrapartida, feridas traumáticas mostraram maior preservação da funcionalidade. Esses achados sugerem que tanto a gravidade quanto a cronicidade das lesões influenciam diretamente o estado emocional dos pacientes. Do ponto de vista interpretativo, o sofrimento psíquico pode ser compreendido como resultado da interação entre dor crônica, limitação funcional, dependência de cuidados e alterações na autoimagem, frequentemente associadas ao isolamento social.Nesse contexto, indivíduos com feridas crônicas não vivenciam apenas um agravo físico, mas uma condição complexa que compromete o bem-estar global. Assim, os achados evidenciam a necessidade de um cuidado integral na Atenção Primária à Saúde, com incorporação da avaliação da saúde mental na prática clínica. A atuação do estomaterapeuta deve incluir estratégias de suporte psicossocial, fortalecimento do autocuidado e abordagem multiprofissional, visando minimizar o sofrimento psíquico e melhorar os desfechos clínicos.

Conclusão

O sofrimento psíquico mostrou-se frequente e associado a piores desfechos, especialmente na qualidade de vida e funcionalidade, evidenciando que as feridas crônicas constituem uma condição complexa que impacta a saúde mental.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Destaca-se a necessidade de incorporar a avaliação do sofrimento psíquico na prática clínica, com atuação do estomaterapeuta voltada ao suporte psicossocial, fortalecimento do autocuidado e abordagem multiprofissional.

 

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Biografia do Autor

Ana Ruth Santos Xavier

Enfermeira pela Universidade Federal de Sergipe, mestranda em Ciências Aplicadas à Saúde - UFS.

Giseli Do Nascimento Silva

Graduanda em enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe

Iasmin Fraga De Jesus

Graduanda de enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe

Tarcísio Silveira Santos Guimarães

Graduando de enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe 

Caíque Jordan Nunes Ribeiro

Enfermeiro (2014), licenciado em Enfermagem (2015), doutor (2020) e mestre (2016) em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Estomaterapeuta pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (2025). Especialista em Saúde da Família (2015) pela Universidade Aberta do SUS (UNASUS/UnB) e em Enfermagem do Trabalho e Saúde Ocupacional (2020) pela Faculdade Jardins (Fajar). Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem de Lagarto (DENL/UFS) e docente permanente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UFS (PPGEN/UFS) e do Programa de Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Saúde (PPGCAS/UFS). Membro da Associação Brasileira de Estomaterapia (Sobest). Atualmente é coordenador do PPGEN/UFS.

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Jane Nascimento Dantas, L., Santos Xavier, A. R., Do Nascimento Silva, G., Fraga De Jesus, I., Silveira Santos Guimarães, T., & Nunes Ribeiro, C. J. (2026). SOFRIMENTO PSÍQUICO EM INDIVÍDUOS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA APS. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2430