SOFRIMENTO PSÍQUICO EM INDIVÍDUOS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA APS
Palavras-chave:
Estomaterapia, ferimentos e lesões, Atenção Primária á SaúdeResumo
Objetivo
Analisar o sofrimento psíquico em indivíduos com feridas de difícil cicatrização na Atenção Primária à Saúde.
Método
Estudo observacional, transversal e analítico, com abordagem quantitativa, realizado com indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde de um município do Nordeste brasileiro. A amostra foi composta por 83 participantes, selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas, utilizando o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) para avaliação do sofrimento psíquico. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Campus UFS/Lag, sob Parecer nº 7.311.588.
Resultados
Foram avaliados 83 indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na APS, com predomínio de idosos, baixa escolaridade, ausência de ocupação formal e alta prevalência de doenças crônicas. As lesões foram majoritariamente únicas, com destaque para úlceras vasculogênicas, seguidas por feridas traumáticas e lesões por pressão, sendo o cuidado predominantemente realizado no domicílio com trocas diárias de curativos. Em relação aos desfechos, observou-se presença relevante de sofrimento psíquico, com escore médio no SRQ-20 próximo ao ponto de corte para suspeição de transtornos mentais comuns. Além disso, identificou-se associação significativa entre sofrimento mental e pior qualidade de vida (p<0,001), evidenciando o impacto dos aspectos emocionais na percepção de saúde dos indivíduos. A análise das etiologias demonstrou que úlceras mistas estavam mais associadas ao sofrimento psíquico, enquanto lesões por pressão apresentaram piores desfechos funcionais. Em contrapartida, feridas traumáticas mostraram maior preservação da funcionalidade. Esses achados sugerem que tanto a gravidade quanto a cronicidade das lesões influenciam diretamente o estado emocional dos pacientes. Do ponto de vista interpretativo, o sofrimento psíquico pode ser compreendido como resultado da interação entre dor crônica, limitação funcional, dependência de cuidados e alterações na autoimagem, frequentemente associadas ao isolamento social.Nesse contexto, indivíduos com feridas crônicas não vivenciam apenas um agravo físico, mas uma condição complexa que compromete o bem-estar global. Assim, os achados evidenciam a necessidade de um cuidado integral na Atenção Primária à Saúde, com incorporação da avaliação da saúde mental na prática clínica. A atuação do estomaterapeuta deve incluir estratégias de suporte psicossocial, fortalecimento do autocuidado e abordagem multiprofissional, visando minimizar o sofrimento psíquico e melhorar os desfechos clínicos.
Conclusão
O sofrimento psíquico mostrou-se frequente e associado a piores desfechos, especialmente na qualidade de vida e funcionalidade, evidenciando que as feridas crônicas constituem uma condição complexa que impacta a saúde mental.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Destaca-se a necessidade de incorporar a avaliação do sofrimento psíquico na prática clínica, com atuação do estomaterapeuta voltada ao suporte psicossocial, fortalecimento do autocuidado e abordagem multiprofissional.
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