QUALIDADE DE VIDA EM PESSOAS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Palavras-chave:
estomaterapia, Atenção Primária á Saúde, Ferimentos e LesõesResumo
Objetivo
Analisar a qualidade de vida de pessoas com feridas de difícil cicatrização na Atenção Primária à Saúde, bem como sua associação com fatores sociodemográficos, clínicos e assistenciais no município de Lagarto, Sergipe.
Método
Estudo observacional, transversal e analítico, com abordagem quantitativa, realizado com indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde de um município do Nordeste brasileiro. A amostra foi composta por 83 participantes, selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas, utilizando o (Wound-QoL-17) para avaliação da qualidade de vida. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Campus UFS/Lag, sob Parecer nº 7.311.588.
Resultados
Os indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na APS apresentaram perfil caracterizado por predominância de idosos, baixa escolaridade, ausência de ocupação formal e elevada prevalência de doenças crônicas, evidenciando um contexto de vulnerabilidade social e clínica. Em relação à qualidade de vida, observou-se impacto moderado entre os participantes, indicando comprometimento significativo nos domínios físico, emocional e nas atividades diárias. Esse impacto mostrou-se associado a fatores como dor persistente, limitação funcional e dependência de cuidados, que interferem diretamente na autonomia e na rotina dos indivíduos. Além disso, verificou-se associação significativa entre pior qualidade de vida e maior presença de sofrimento psíquico, evidenciando a influência dos aspectos emocionais na percepção de bem-estar. A análise das etiologias revelou que úlceras mistas estavam mais relacionadas a piores escores de qualidade de vida, possivelmente devido à maior complexidade clínica, enquanto lesões por pressão apresentaram maior comprometimento funcional. Em contrapartida, feridas traumáticas demonstraram menor impacto sobre a qualidade de vida, sugerindo melhor adaptação e recuperação funcional nesses casos.Os achados indicam que a qualidade de vida em pessoas com feridas crônicas é influenciada por múltiplos fatores, incluindo características clínicas da lesão, condições de saúde associadas e aspectos psicossociais. Dessa forma, compreende-se que o impacto dessas lesões ultrapassa o âmbito físico, afetando também a saúde mental, a participação social e a independência dos indivíduos, o que reforça a necessidade de uma abordagem integral no cuidado.
Conclusão
A qualidade de vida de indivíduos com feridas de difícil cicatrização na APS encontra-se moderadamente comprometida, sendo influenciada por fatores físicos, funcionais e emocionais. A associação com o sofrimento psíquico evidencia que essas condições não se limitam ao agravo local, mas configuram uma situação complexa que afeta o bem-estar global dos indivíduos.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Os resultados reforçam a importância da atuação do estomaterapeuta na perspectiva do cuidado integral, considerando a qualidade de vida como um desfecho central. Torna-se essencial incorporar a avaliação dos aspectos físicos, funcionais e emocionais na prática clínica, com desenvolvimento de estratégias que minimizem o impacto da ferida no cotidiano do indivíduo. Dessa forma, a estomaterapia contribui para um cuidado mais humanizado, resolutivo e centrado nas necessidades da pessoa com feridas crônicas.
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