QUALIDADE DE VIDA EM PESSOAS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA

Autores

  • Lays Jane Nascimento Dantas
  • Ana Ruth Xavier Santos
  • Giseli Do Nascimento Silva
  • Victoria Rocha Santos
  • Ariadne Do Nascimento Conceição
  • Caíque Jordan Nunes Ribeiro

Palavras-chave:

estomaterapia, Atenção Primária á Saúde, Ferimentos e Lesões

Resumo

Objetivo

Analisar a qualidade de vida de pessoas com feridas de difícil cicatrização na Atenção Primária à Saúde, bem como sua associação com fatores sociodemográficos, clínicos e assistenciais no município de Lagarto, Sergipe.

Método

Estudo observacional, transversal e analítico, com abordagem quantitativa, realizado com indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde de um município do Nordeste brasileiro. A amostra foi composta por 83 participantes, selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas, utilizando o (Wound-QoL-17) para avaliação da qualidade de vida. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Campus UFS/Lag, sob Parecer nº 7.311.588.

Resultados

Os indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na APS apresentaram perfil caracterizado por predominância de idosos, baixa escolaridade, ausência de ocupação formal e elevada prevalência de doenças crônicas, evidenciando um contexto de vulnerabilidade social e clínica. Em relação à qualidade de vida, observou-se impacto moderado entre os participantes, indicando comprometimento significativo nos domínios físico, emocional e nas atividades diárias. Esse impacto mostrou-se associado a fatores como dor persistente, limitação funcional e dependência de cuidados, que interferem diretamente na autonomia e na rotina dos indivíduos. Além disso, verificou-se associação significativa entre pior qualidade de vida e maior presença de sofrimento psíquico, evidenciando a influência dos aspectos emocionais na percepção de bem-estar. A análise das etiologias revelou que úlceras mistas estavam mais relacionadas a piores escores de qualidade de vida, possivelmente devido à maior complexidade clínica, enquanto lesões por pressão apresentaram maior comprometimento funcional. Em contrapartida, feridas traumáticas demonstraram menor impacto sobre a qualidade de vida, sugerindo melhor adaptação e recuperação funcional nesses casos.Os achados indicam que a qualidade de vida em pessoas com feridas crônicas é influenciada por múltiplos fatores, incluindo características clínicas da lesão, condições de saúde associadas e aspectos psicossociais. Dessa forma, compreende-se que o impacto dessas lesões ultrapassa o âmbito físico, afetando também a saúde mental, a participação social e a independência dos indivíduos, o que reforça a necessidade de uma abordagem integral no cuidado.

Conclusão

 A qualidade de vida de indivíduos com feridas de difícil cicatrização na APS encontra-se moderadamente comprometida, sendo influenciada por fatores físicos, funcionais e emocionais. A associação com o sofrimento psíquico evidencia que essas condições não se limitam ao agravo local, mas configuram uma situação complexa que afeta o bem-estar global dos indivíduos.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Os resultados reforçam a importância da atuação do estomaterapeuta na perspectiva do cuidado integral, considerando a qualidade de vida como um desfecho central. Torna-se essencial incorporar a avaliação dos aspectos físicos, funcionais e emocionais na prática clínica, com desenvolvimento de estratégias que minimizem o impacto da ferida no cotidiano do indivíduo. Dessa forma, a estomaterapia contribui para um cuidado mais humanizado, resolutivo e centrado nas necessidades da pessoa com feridas crônicas.

 

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Biografia do Autor

Ana Ruth Xavier Santos

Enfermeira formada pela Universidade Federal de Sergipe; Mestranda em Ciências Aplicadas à Saúde UFS. 

Giseli Do Nascimento Silva

Graduanda em enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe

Victoria Rocha Santos

Enfermeira formada pela Universidade Federal de Sergipe

Ariadne Do Nascimento Conceição

Graduanda em enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe

Caíque Jordan Nunes Ribeiro

Enfermeiro (2014), licenciado em Enfermagem (2015), doutor (2020) e mestre (2016) em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Estomaterapeuta pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (2025). Especialista em Saúde da Família (2015) pela Universidade Aberta do SUS (UNASUS/UnB) e em Enfermagem do Trabalho e Saúde Ocupacional (2020) pela Faculdade Jardins (Fajar). Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem de Lagarto (DENL/UFS) e docente permanente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UFS (PPGEN/UFS) e do Programa de Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Saúde (PPGCAS/UFS). Membro da Associação Brasileira de Estomaterapia (Sobest). Atualmente é coordenador do PPGEN/UFS.

Referências

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Jane Nascimento Dantas, L., Xavier Santos, A. R., Do Nascimento Silva, G., Rocha Santos, V., Do Nascimento Conceição, A., & Nunes Ribeiro, C. J. (2026). QUALIDADE DE VIDA EM PESSOAS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2431