FUNCIONALIDADE EM PESSOAS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE.
Palavras-chave:
Estomaterapia, Ferimentos e lesões, Atenção primária à saúdeResumo
Objetivo
Avaliar a funcionalidade, bem como seus impactos, em usuários com feridas de difícil cicatrização na Atenção Primária à Saúde em Lagarto, Sergipe.
Método
Estudo observacional, transversal e analítico, com abordagem quantitativa, realizado com indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde de um município do Nordeste brasileiro. A amostra foi composta por 83 participantes, selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas, utilizando a Medida de Independência Funcional (MIF). Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Campus UFS/Lag, sob Parecer nº 7.311.588.
Resultados
A funcionalidade de indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde apresentou-se, em média, preservada, com escore médio na Medida de Independência Funcional (MIF) de 104 (IC95%: 97,4–111,0), sugerindo predomínio de independência funcional. No entanto, essa aparente preservação não ocorreu de forma homogênea, sendo identificadas diferenças importantes entre subgrupos. Observou-se correlação negativa entre funcionalidade e idade ( p=0,009), indicando que o envelhecimento contribui para a redução da independência funcional, possivelmente em decorrência de alterações fisiológicas, maior carga de comorbidades e menor reserva funcional. Em contrapartida, a forte correlação positiva entre funcionalidade e autoeficácia (p<0,001) evidencia que a percepção de capacidade para o autocuidado exerce papel central na manutenção da autonomia, mesmo diante de condições crônicas. A análise das etiologias reforça a influência da gravidade clínica nos desfechos funcionais. As lesões por pressão estavam associadas aos piores níveis de funcionalidade, o que pode ser explicado pela restrição de mobilidade, maior dependência de cuidadores e maior complexidade assistencial. Por outro lado, feridas traumáticas apresentaram maior preservação funcional, possivelmente por estarem relacionadas a eventos agudos e com menor comprometimento sistêmico. Do ponto de vista ampliado, a funcionalidade mostrou-se um desfecho multifatorial, influenciado não apenas por aspectos clínicos, mas também por fatores psicossociais. Assim, embora os resultados apontem para uma média de independência funcional, evidencia-se a existência de grupos vulneráveis com maior risco de incapacidade.
Conclusão
A funcionalidade em indivíduos com feridas de difícil cicatrização na Atenção Primária à Saúde mostrou-se, em média, preservada, porém com redução significativa associada ao avanço da idade e a fatores clínicos. Dessa forma, as feridas crônicas impactam a funcionalidade de forma heterogênea, exigindo abordagens individualizadas e integrais no cuidado.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Os achados destacam a necessidade de a estomaterapia incorporar a avaliação funcional como componente essencial da assistência, indo além do tratamento local da ferida. A atuação do estomaterapeuta deve priorizar estratégias que promovam a autonomia, estimulem a mobilidade e fortaleçam a autoeficácia dos indivíduos. Além disso, torna-se fundamental a identificação precoce de pacientes com maior risco de declínio funcional, especialmente idosos e aqueles com lesões por pressão, possibilitando intervenções direcionadas.
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