FUNCIONALIDADE EM PESSOAS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE.

Autores

  • Lays Jane Nascimento Dantas
  • Ana Ruth Santos Xavier
  • Victória Rocha Santos
  • Ariadne Do Nascimento Conceição
  • Tarcísio Silveira Santos Guimarães
  • Iasmin De Jesus Fraga
  • Caíque Jordan Nunes Ribeiro

Palavras-chave:

Estomaterapia, Ferimentos e lesões, Atenção primária à saúde

Resumo

Objetivo

Avaliar a funcionalidade, bem como seus impactos, em usuários com feridas de difícil cicatrização na Atenção Primária à Saúde em Lagarto, Sergipe.

Método

Estudo observacional, transversal e analítico, com abordagem quantitativa, realizado com indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde de um município do Nordeste brasileiro. A amostra foi composta por 83 participantes, selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas, utilizando a Medida de Independência Funcional (MIF). Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Campus UFS/Lag, sob Parecer nº 7.311.588.

Resultados

A funcionalidade de indivíduos com feridas de difícil cicatrização acompanhados na Atenção Primária à Saúde apresentou-se, em média, preservada, com escore médio na Medida de Independência Funcional (MIF) de 104 (IC95%: 97,4–111,0), sugerindo predomínio de independência funcional. No entanto, essa aparente preservação não ocorreu de forma homogênea, sendo identificadas diferenças importantes entre subgrupos. Observou-se correlação negativa entre funcionalidade e idade ( p=0,009), indicando que o envelhecimento contribui para a redução da independência funcional, possivelmente em decorrência de alterações fisiológicas, maior carga de comorbidades e menor reserva funcional. Em contrapartida, a forte correlação positiva entre funcionalidade e autoeficácia (p<0,001) evidencia que a percepção de capacidade para o autocuidado exerce papel central na manutenção da autonomia, mesmo diante de condições crônicas. A análise das etiologias reforça a influência da gravidade clínica nos desfechos funcionais. As lesões por pressão estavam associadas aos piores níveis de funcionalidade, o que pode ser explicado pela restrição de mobilidade, maior dependência de cuidadores e maior complexidade assistencial. Por outro lado, feridas traumáticas apresentaram maior preservação funcional, possivelmente por estarem relacionadas a eventos agudos e com menor comprometimento sistêmico. Do ponto de vista ampliado, a funcionalidade mostrou-se um desfecho multifatorial, influenciado não apenas por aspectos clínicos, mas também por fatores psicossociais. Assim, embora os resultados apontem para uma média de independência funcional, evidencia-se a existência de grupos vulneráveis com maior risco de incapacidade.

Conclusão

A funcionalidade em indivíduos com feridas de difícil cicatrização na Atenção Primária à Saúde mostrou-se, em média, preservada, porém com redução significativa associada ao avanço da idade e a fatores clínicos. Dessa forma, as feridas crônicas impactam a funcionalidade de forma heterogênea, exigindo abordagens individualizadas e integrais no cuidado.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Os achados destacam a necessidade de a estomaterapia incorporar a avaliação funcional como componente essencial da assistência, indo além do tratamento local da ferida. A atuação do estomaterapeuta deve priorizar estratégias que promovam a autonomia, estimulem a mobilidade e fortaleçam a autoeficácia dos indivíduos. Além disso, torna-se fundamental a identificação precoce de pacientes com maior risco de declínio funcional, especialmente idosos e aqueles com lesões por pressão, possibilitando intervenções direcionadas.

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Biografia do Autor

Lays Jane Nascimento Dantas

Enfermeira formada pela Universidade Federal de Sergipe. Mestranda em Ciências Aplicadas à Saúde

Ana Ruth Santos Xavier

Enfermeira formada pela Universidade Federal de Sergipe - UFS, mestranda em Ciências Aplicadas à Saúde - UFS. 

Victória Rocha Santos

Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe

Ariadne Do Nascimento Conceição

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe

Tarcísio Silveira Santos Guimarães

Graduando em Enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe

Iasmin De Jesus Fraga

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe

Caíque Jordan Nunes Ribeiro

Enfermeiro (2014), licenciado em Enfermagem (2015), doutor (2020) e mestre (2016) em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Estomaterapeuta pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (2025). Especialista em Saúde da Família (2015) pela Universidade Aberta do SUS (UNASUS/UnB) e em Enfermagem do Trabalho e Saúde Ocupacional (2020) pela Faculdade Jardins (Fajar). Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem de Lagarto (DENL/UFS) e docente permanente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UFS (PPGEN/UFS) e do Programa de Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Saúde (PPGCAS/UFS). Membro da Associação Brasileira de Estomaterapia (Sobest). Atualmente é coordenador do PPGEN/UFS.

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Jane Nascimento Dantas, L., Santos Xavier, A. R., Rocha Santos, V., Do Nascimento Conceição, A., Silveira Santos Guimarães, T., De Jesus Fraga, I., & Nunes Ribeiro, C. J. (2026). FUNCIONALIDADE EM PESSOAS COM FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2432