CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DE FERIDAS OPERATÓRIAS EM CIRURGIA CARDÍACA: ESTUDO PILOTO

Autores

  • Maria Beatriz Nunes De Carvalho Universidade Estadual do Ceará
  • Aurilene Lima Da Silva Universidade Estadual do Ceará
  • Rhanna Emanuela Fontenele Lima De Carvalho Universidade Estadual do Ceará
  • Sarah Beatriz Pinto Bezerra Universidade Estadual do Ceará
  • Victoria Souza De Oliveira Universidade Estadual do Ceará

Palavras-chave:

estomaterapia, ferida cirúrgica, infecção de sítio cirúrgico, cirurgia cardíaca, curativos

Resumo

Objetivo

Descrever as características clínicas de feridas operatórias em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca em um estudo piloto. 

Método

Estudo descritivo e observacional, oriundo da fase piloto de um ensaio clínico randomizado que avalia a eficácia clínica de uma cobertura com cloreto de dialquil carbamoil (DACC) na prevenção de infecção de sítio cirúrgico (ISC), complicação relevante associada ao aumento de morbidade e à necessidade de vigilância sistemática¹. O estudo foi realizado entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, em um hospital público referência em cardiopneumologia, em Fortaleza, Ceará. A população incluiu indivíduos com 18 anos ou mais, sem imunossupressão e infecção ativa. A amostra foi composta por 11 pacientes, alocados aleatoriamente em controle (curativo convencional com gaze estéril e fita microporosa) e grupo intervenção (cobertura com DACC associada a coxim estéril). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 6.573.512).  O acompanhamento ocorreu desde o pós-operatório imediato em unidade de terapia intensiva, incluindo enfermaria, alta hospitalar e monitoramento remoto. A avaliação das feridas foi realizada nos dias 2, 7, 14, 30 e 90, por meio de checklist estruturado contemplando sinais inflamatórios, exsudato, integridade da ferida e pele perilesional, alinhada às recomendações atuais para avaliação sistematizada de feridas cirrúrgicas², além de registro fotográfico e análise de prontuários. 

Resultados

A cirurgia cardíaca é um procedimento que apresenta risco significativo de complicações associadas à ferida operatória, especialmente em incisões esternais³. Dos participantes, 63,6% (7) eram do sexo masculino, com média de idade de 58,36 anos (DP ± 12,06). Sete pacientes foram alocados no grupo controle e quatro no grupo DACC, sendo a menor amostra decorrente de perdas no seguimento. Observou-se evolução cicatricial predominantemente favorável entre os participantes, com baixa frequência de sinais inflamatórios locais, como hiperemia, edema e calor. A presença de exsudato excessivo foi pouco frequente e, quando presente, apresentou-se em pequena quantidade e com características serosas. Não houve casos de deiscência de ferida operatória durante o período avaliado. A intensidade de dor relacionada à ferida foi baixa, com pontuação máxima de 2 na Escala Visual Analógica. Destaca-se reduzida necessidade de trocas de curativo e maior tempo de permanência das coberturas, especialmente no grupo que utilizou DACC. Nenhum participante apresentou ISC ao longo de 90 dias de acompanhamento. Como limitação, observou-se à ausência de registros completos em prontuário, como a realização de tricotomia pré-operatória.

Conclusão

No contexto do piloto, as feridas operatórias apresentaram evolução clínica favorável, com baixa ocorrência de complicações locais e ausência de ISC no período analisado. 

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Os achados evidenciam a importância da integração da estomaterapia com a segurança do paciente e a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde, além de indicarem o potencial de tecnologias como o DACC no manejo de feridas cirúrgicas, devendo ser investigado em estudos com maior robustez metodológica.

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Biografia do Autor

Maria Beatriz Nunes De Carvalho, Universidade Estadual do Ceará

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde, Bolsista de Mestrado (FUNCAP), Especialista em Urgência e Emergência (IJF/ESP-CE)

Aurilene Lima Da Silva, Universidade Estadual do Ceará

Doutora em Enfermagem (UECE), Enfermeira Estomaterapeuta, Assessora do Serviço de Estomaterapia do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, Vice-presidente da Associação Brasileira de Enfermagem Sessão Ceará (2025-2028)

Rhanna Emanuela Fontenele Lima De Carvalho, Universidade Estadual do Ceará

Doutora em Enfermagem (USP), Professora Adjunta do Curso de Graduação em Enfermagem (UECE)

Sarah Beatriz Pinto Bezerra, Universidade Estadual do Ceará

Acadêmica de Enfermagem (UECE), Bolsista de Iniciação Científica (FUNCAP)

Victoria Souza De Oliveira, Universidade Estadual do Ceará

Acadêmica de Enfermagem (UECE), Bolsista de Iniciação Científica (CNPq)

Referências

Centers for Disease Control and Prevention. National Healthcare Safety Network (NHSN) Patient Safety Component Manual: Surgical Site Infection (SSI) Event. Atlanta: CDC; 2026.

Disponível em: https://www.cdc.gov/nhsn/pdfs/pscmanual/9pscssicurrent.pdf

Sandy-hodgetts K. et al. International best practice recommendations for the early identification and prevention of surgical wound complications. London: Wounds International. 2020. Disponível em: https://woundsinternational.com/

Chen D, Zhang J, Wang Y, Jiang W, Xu Y, Xiong C, et al. Risk factors for sternal wound infection after open-heart operations: a systematic review and meta-analysis. Int Wound J. 2024;21(3):e14457.https://doi.org/10.1111/iwj.14457

Publicado

2026-06-05

Como Citar

De Carvalho, M. B. N., Da Silva, A. L., De Carvalho, R. E. F. L., Bezerra, S. B. P., & De Oliveira, V. S. (2026). CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DE FERIDAS OPERATÓRIAS EM CIRURGIA CARDÍACA: ESTUDO PILOTO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2440