CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DE FERIDAS OPERATÓRIAS EM CIRURGIA CARDÍACA: ESTUDO PILOTO
Palavras-chave:
estomaterapia, ferida cirúrgica, infecção de sítio cirúrgico, cirurgia cardíaca, curativosResumo
Objetivo
Descrever as características clínicas de feridas operatórias em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca em um estudo piloto.
Método
Estudo descritivo e observacional, oriundo da fase piloto de um ensaio clínico randomizado que avalia a eficácia clínica de uma cobertura com cloreto de dialquil carbamoil (DACC) na prevenção de infecção de sítio cirúrgico (ISC), complicação relevante associada ao aumento de morbidade e à necessidade de vigilância sistemática¹. O estudo foi realizado entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, em um hospital público referência em cardiopneumologia, em Fortaleza, Ceará. A população incluiu indivíduos com 18 anos ou mais, sem imunossupressão e infecção ativa. A amostra foi composta por 11 pacientes, alocados aleatoriamente em controle (curativo convencional com gaze estéril e fita microporosa) e grupo intervenção (cobertura com DACC associada a coxim estéril). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 6.573.512). O acompanhamento ocorreu desde o pós-operatório imediato em unidade de terapia intensiva, incluindo enfermaria, alta hospitalar e monitoramento remoto. A avaliação das feridas foi realizada nos dias 2, 7, 14, 30 e 90, por meio de checklist estruturado contemplando sinais inflamatórios, exsudato, integridade da ferida e pele perilesional, alinhada às recomendações atuais para avaliação sistematizada de feridas cirrúrgicas², além de registro fotográfico e análise de prontuários.
Resultados
A cirurgia cardíaca é um procedimento que apresenta risco significativo de complicações associadas à ferida operatória, especialmente em incisões esternais³. Dos participantes, 63,6% (7) eram do sexo masculino, com média de idade de 58,36 anos (DP ± 12,06). Sete pacientes foram alocados no grupo controle e quatro no grupo DACC, sendo a menor amostra decorrente de perdas no seguimento. Observou-se evolução cicatricial predominantemente favorável entre os participantes, com baixa frequência de sinais inflamatórios locais, como hiperemia, edema e calor. A presença de exsudato excessivo foi pouco frequente e, quando presente, apresentou-se em pequena quantidade e com características serosas. Não houve casos de deiscência de ferida operatória durante o período avaliado. A intensidade de dor relacionada à ferida foi baixa, com pontuação máxima de 2 na Escala Visual Analógica. Destaca-se reduzida necessidade de trocas de curativo e maior tempo de permanência das coberturas, especialmente no grupo que utilizou DACC. Nenhum participante apresentou ISC ao longo de 90 dias de acompanhamento. Como limitação, observou-se à ausência de registros completos em prontuário, como a realização de tricotomia pré-operatória.
Conclusão
No contexto do piloto, as feridas operatórias apresentaram evolução clínica favorável, com baixa ocorrência de complicações locais e ausência de ISC no período analisado.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Os achados evidenciam a importância da integração da estomaterapia com a segurança do paciente e a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde, além de indicarem o potencial de tecnologias como o DACC no manejo de feridas cirúrgicas, devendo ser investigado em estudos com maior robustez metodológica.
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Referências
Centers for Disease Control and Prevention. National Healthcare Safety Network (NHSN) Patient Safety Component Manual: Surgical Site Infection (SSI) Event. Atlanta: CDC; 2026.
Disponível em: https://www.cdc.gov/nhsn/pdfs/pscmanual/9pscssicurrent.pdf
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Chen D, Zhang J, Wang Y, Jiang W, Xu Y, Xiong C, et al. Risk factors for sternal wound infection after open-heart operations: a systematic review and meta-analysis. Int Wound J. 2024;21(3):e14457.https://doi.org/10.1111/iwj.14457


