INOVAÇÃO NA PREVENÇÃO DE LESÃO POR PRESSÃO: DESEMPENHO DA TECNOLOGIA C-CORE NA REDISTRIBUIÇÃO DE PRESSÃO

Autores

  • Perla Oliveira Soares De Souza EMPRESA CCORE
  • Mery Natali Silva Abreu Universidade Federal de Minas Gerais
  • Josimare Aparecida Otoni Spira
  • Raissa Mourão Marques Da Silva Universidade Federal de Minas Gerais
  • Eline Lima Borges

Palavras-chave:

Estomaterapia, Inovação Tecnológica, Segurança do Paciente, Úlcera por Pressão

Resumo

Objetivo

Comparar a redistribuição de pressão entre colchão viscoelástico e tecnologia C-CORE e sua efetividade na prevenção de lesões por pressão.

Método

Estudo clínico de fase I, com delineamento experimental fatorial1, não randomizado, integrante de uma agenda de pesquisa sobre avaliação de tecnologias em estomaterapia. As avaliações foram conduzidas no Laboratório de Tecnologia e Inovação (LABTEC C-CORE/UFMG), entre janeiro e julho de 2024. Foram realizadas 231 mensurações em voluntários saudáveis de ambos os sexos, estratificados por categorias de peso corporal. A pressão de interface foi mensurada por sensor SR Soft Vision®2. Os participantes foram posicionados em decúbito dorsal, lateral e ventral, com padronização postural por goniometria3 e controle ambiental. Consideraram-se pontos de pressão elevada valores superiores a 79 mmHg. A análise baseou-se na média dos níveis pressóricos entre os dispositivos, com tratamento estatístico no software SPSS 21.0. Utilizou-se a análise de covariância (ANCOVA), a qual possibilita a comparação das médias entre as superfícies de suporte com ajuste para variáveis de confusão. Foram consideradas covariáveis sexo, peso e idade dos participantes. O estudo contou com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Registro no ReBEC (RBR-9vsvkn5).

Resultados

A tecnologia C-CORE apresentou desempenho superior na redistribuição da pressão em comparação ao colchão viscoelástico, com redução média de 1,4 vezes nos níveis pressóricos elevados. Observou-se que o colchão viscoelástico apresentou média de pressão de 1509,31 mmHg com desvio padrão igual a 1378,549, enquanto a tecnologia C-CORE demonstrou menor média de pressão 1072,48 mmHg. Na análise estratificada por categoria de peso, observou-se que o colchão viscoelástico apresentou aumento progressivo das médias de pressão conforme o peso corporal: até 50 kg (média=427,17), 50 a 70 kg (média=1053,65), 70 a 100 kg (média=1852,08) e >100 kg (média=3082,25). A tecnologia C-CORE apresentou menores médias de pressão na maioria das categorias, especialmente nos extremos de peso: até 50 kg (média=207,06), 50 a 70 kg (média=1112,16), 70 a 100 kg (média=1498,59) e >100 kg (média=1208,80). Ressalta-se o aumento progressivo da efetividade conforme peso corporal, com redução de 1,2 vezes na faixa de 70 a 100 kg e de até 2,5 vezes em indivíduos com peso superior a 100 kg. Esses achados evidenciam maior eficiência da tecnologia em cenários de maior carga mecânica, condição diretamente associada ao risco de lesão por pressão.

Conclusão

A tecnologia C-CORE demonstrou maior capacidade de redistribuição da pressão em comparação ao colchão viscoelástico, especialmente em indivíduos com maior peso corporal. Os resultados reforçam seu potencial como estratégia inovadora e eficaz na prevenção de lesões por pressão.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

O estudo integra uma agenda estruturada de investigação sobre tecnologias em estomaterapia, evidenciando benefícios clínicos relevantes na utilização de superfícies de suporte avançadas. Ao demonstrar redução significativa dos picos pressóricos, especialmente em indivíduos com maior carga corporal, contribui para a tomada de decisão clínica baseada em evidências, aprimoramento de protocolos assistenciais e da segurança do paciente. Os achados reforçam a importância da incorporação de tecnologias eficazes na prevenção de lesões por pressão, com impacto direto na qualidade do cuidado em estomaterapia.

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Biografia do Autor

Mery Natali Silva Abreu, Universidade Federal de Minas Gerais

Possui graduação em estatística (2004) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestrado (2007) e doutorado (2011) em Saúde Pública/Epidemiologia, pela Faculdade de Medicina da UFMG. Atualmente é professora associada na Escola de Enfermagem da UFMG, atuando nos cursos de graduação e mestrado profissional de Gestão de Serviços de Saúde e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem. Tem experiência na área de Probabilidade e Estatística, com ênfase em Epidemiologia e Saúde Pública, atuando, principalmente, nos seguintes temas: Saúde Urbana, Epidemiologia das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis e Saúde do Trabalhador.

Josimare Aparecida Otoni Spira

Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da UFMG. Enfermeira e especialista em Enfermagem em Estomaterapia pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Membro do projeto de extensão "Observatório de Estomaterapia: feridas e estomas" e do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Cuidado e Desenvolvimento Humano (NEPCDH), ambos da Escola de Enfermagem - UFMG. Tem experiência na área de Enfermagem, com ênfase em Enfermagem em Estomaterapia.

Raissa Mourão Marques Da Silva, Universidade Federal de Minas Gerais

Bacharel em Ciências Biológicas com ênfase em Farmacologia pela UFMG (2005), Mestre em Bioquímica e Imunologia pela UFMG (2007) e Doutor em Imunologia pela UFMG (2011), com estágios pós-doutorais em Cronobiologia, no Trinity College Dublin (Irlanda - 2012-2014) e em Microbiologia na UFMG (2014-2016). Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de Microbiologia do ICB/UFMG. Tem experiência na área de Imunologia e Microbiologia, com ênfase em Imunologia Celular e Interação Microorganismo-Hospedeiro, atuando principalmente nos seguintes temas: interação microbiota-hospedeiro e seu papel no desenvolvimento de respostas inflamatórias, impacto da resposta inflamatória durante disbiose da microbiota indígena intestinal, determinantes metabólicos para infecções por patógenos oportunistas (Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Candida albicans) durante disbiose intestinal e fisiopatologia de respostas inflamatórias agudas.

Eline Lima Borges

Possui Graduação em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (1987), Especialização em Enfermagem em Estomaterapia pela Universidade de São Paulo - USP (1994), Mestrado em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da UFMG (2000) e Doutorado em Enfermagem Fundamental pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP (2005). Professor Titular da Escola de Enfermagem da UFMG. Docente permanente da Pós-Graduação Stricto Sensu da Escola de Enfermagem da UFMG. Coordenadora do Curso de Especialização Enfermagem em Estomaterapia da Escola de Enfermagem da UFMG (2007-2025). Subcoordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Cuidado e Desenvolvimento Humano. Coordenadora da Câmara Técnica de Estomaterapia do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais. Coordenadora do projeto Observatório em Estomaterapia: feridas e estomas como extensão (desde 1998) e iniciação científica (desde 2023). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Estomaterapia (SOBEST) no cargo de Secretário Adjunto (Gestão 1996-1997, 2000-2001), Conselho Científico (Gestão 2006-2008), Assessora do Departamento de Educação (Gestão 2021-2023), Membros do Departamento de Educação (Gestão 2024-2026). Coordenadora do projeto Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) ''Avaliação da Superfície C-CORE para Prevenção de Lesão por Pressão'', fruto da cooperação técnica e científica entre a Universidade Federal de Minas Gerais e a empresa C-CORE Indústria e Comércio de Artefatos Plásticos Ltda (Gestão 2023-2033). Coordenadora do Laboratório de Tecnologia e Inovação (LABTEC) C-CORE/UFMG. Possui experiência na área de Enfermagem Médico-Cirúrgica. Realiza pesquisas com ênfase nos seguintes temas: Saúde do Adulto e Idoso, Cuidado em Saúde e na Enfermagem, Validação de Tecnologias em Saúde, especialmente na área de prevenção e tratamento de lesão cutânea e assistência à pessoa com estomia intestinal ou urinária.

Referências

Krishnan P. When and how to use factorial design in nursing research. Nurse Res. 2021;29(1):26–31. doi:10.7748/nr.2020.e1757

Borges EL, Miranda ALP, Souza POS, Abreu MNS, Spira JAO. Pressão em proeminências ósseas de acordo com posições corporais: um ensaio clínico de fase I. Rev Esc Enferm USP. 2025;59:e20250073. doi:10.1590/1980-220X-REEUSP-2025-0073en.

Gajdosik RL, Bohannon RW. Clinical measurement of range of motion: review of goniometry emphasizing reliability and validity. Phys Ther. 1987;67(12):1867–1872. doi:10.1093/ptj/67.12.1867

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Oliveira Soares De Souza, P., Natali Silva Abreu, M., Aparecida Otoni Spira, J., Silva, R. M. M. D., & Lima Borges, E. (2026). INOVAÇÃO NA PREVENÇÃO DE LESÃO POR PRESSÃO: DESEMPENHO DA TECNOLOGIA C-CORE NA REDISTRIBUIÇÃO DE PRESSÃO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2441