INOVAÇÃO NA PREVENÇÃO DE LESÃO POR PRESSÃO: DESEMPENHO DA TECNOLOGIA C-CORE NA REDISTRIBUIÇÃO DE PRESSÃO
Palavras-chave:
Estomaterapia, Inovação Tecnológica, Segurança do Paciente, Úlcera por PressãoResumo
Objetivo
Comparar a redistribuição de pressão entre colchão viscoelástico e tecnologia C-CORE e sua efetividade na prevenção de lesões por pressão.
Método
Estudo clínico de fase I, com delineamento experimental fatorial1, não randomizado, integrante de uma agenda de pesquisa sobre avaliação de tecnologias em estomaterapia. As avaliações foram conduzidas no Laboratório de Tecnologia e Inovação (LABTEC C-CORE/UFMG), entre janeiro e julho de 2024. Foram realizadas 231 mensurações em voluntários saudáveis de ambos os sexos, estratificados por categorias de peso corporal. A pressão de interface foi mensurada por sensor SR Soft Vision®2. Os participantes foram posicionados em decúbito dorsal, lateral e ventral, com padronização postural por goniometria3 e controle ambiental. Consideraram-se pontos de pressão elevada valores superiores a 79 mmHg. A análise baseou-se na média dos níveis pressóricos entre os dispositivos, com tratamento estatístico no software SPSS 21.0. Utilizou-se a análise de covariância (ANCOVA), a qual possibilita a comparação das médias entre as superfícies de suporte com ajuste para variáveis de confusão. Foram consideradas covariáveis sexo, peso e idade dos participantes. O estudo contou com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Registro no ReBEC (RBR-9vsvkn5).
Resultados
A tecnologia C-CORE apresentou desempenho superior na redistribuição da pressão em comparação ao colchão viscoelástico, com redução média de 1,4 vezes nos níveis pressóricos elevados. Observou-se que o colchão viscoelástico apresentou média de pressão de 1509,31 mmHg com desvio padrão igual a 1378,549, enquanto a tecnologia C-CORE demonstrou menor média de pressão 1072,48 mmHg. Na análise estratificada por categoria de peso, observou-se que o colchão viscoelástico apresentou aumento progressivo das médias de pressão conforme o peso corporal: até 50 kg (média=427,17), 50 a 70 kg (média=1053,65), 70 a 100 kg (média=1852,08) e >100 kg (média=3082,25). A tecnologia C-CORE apresentou menores médias de pressão na maioria das categorias, especialmente nos extremos de peso: até 50 kg (média=207,06), 50 a 70 kg (média=1112,16), 70 a 100 kg (média=1498,59) e >100 kg (média=1208,80). Ressalta-se o aumento progressivo da efetividade conforme peso corporal, com redução de 1,2 vezes na faixa de 70 a 100 kg e de até 2,5 vezes em indivíduos com peso superior a 100 kg. Esses achados evidenciam maior eficiência da tecnologia em cenários de maior carga mecânica, condição diretamente associada ao risco de lesão por pressão.
Conclusão
A tecnologia C-CORE demonstrou maior capacidade de redistribuição da pressão em comparação ao colchão viscoelástico, especialmente em indivíduos com maior peso corporal. Os resultados reforçam seu potencial como estratégia inovadora e eficaz na prevenção de lesões por pressão.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O estudo integra uma agenda estruturada de investigação sobre tecnologias em estomaterapia, evidenciando benefícios clínicos relevantes na utilização de superfícies de suporte avançadas. Ao demonstrar redução significativa dos picos pressóricos, especialmente em indivíduos com maior carga corporal, contribui para a tomada de decisão clínica baseada em evidências, aprimoramento de protocolos assistenciais e da segurança do paciente. Os achados reforçam a importância da incorporação de tecnologias eficazes na prevenção de lesões por pressão, com impacto direto na qualidade do cuidado em estomaterapia.
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Referências
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