MODELO DE NAVEGAÇÃO ASSISTENCIAL PARA ACESSO A DISPOSITIVOS DE ESTOMIA NA SAÚDE SUPLEMENTAR
Palavras-chave:
Estomaterapia, Estomias, Continuidade da Assistência ao paciente, AutocuidadoResumo
Objetivo
O acesso contínuo a equipamentos coletores e adjuvantes é condição essencial para a segurança clínica e prevenção de complicações periestomais em pessoas com estomia.1 Após a alta hospitalar, pacientes frequentemente enfrentam dificuldades para manter esse acesso, comprometendo a adaptação ao estoma e a continuidade do cuidado no domicílio.3 Evidências internacionais documentam que a prontidão para a alta é comprometida por barreiras clínicas, educacionais e contextuais, com impacto sobre readmissões no pós-operatório.3 Na saúde suplementar brasileira, a literatura consultada não identificou modelos sistematizados de navegação assistencial voltados ao acesso a dispositivos de estomia, sinalizando lacuna relevante para a prática especializada.3,5 Objetivo: Descrever a estruturação de um modelo de navegação assistencial voltado à organização do acesso a equipamentos coletores e adjuvantes para pessoas com estomia na saúde suplementar, no período pós-alta hospitalar.
Método
Trata-se de revisão literária desenvolvida a partir da prática clínica em estomaterapia na saúde suplementar, fundamentada em literatura científica publicada entre 2021 e 2025, com busca nas bases PubMed/MEDLINE e LILACS, utilizando os descritores ostomy, patient navigation, hospital discharge, self-care e continuity of care. O modelo foi elaborado com base na identificação de dificuldades no acesso contínuo a equipamentos no período de transição hospital-domicílio, considerando princípios do cuidado centrado na pessoa, segurança do paciente e continuidade do cuidado.
Resultados
Estratégias de navegação assistencial conduzidas por enfermeiros especialistas reduzem barreiras de acesso e qualificam transições entre níveis de cuidado;5 em estomaterapia, intervenções mediadas pelo enfermeiro estomaterapeuta associam-se a melhores índices de autoeficácia e adaptação ao estoma.4 O Consenso Brasileiro de Cuidado às Pessoas Adultas com Estomias de Eliminação referenda o papel central do enfermeiro estomaterapeuta na avaliação, prescrição e educação em saúde ao longo do processo perioperatório.1 A Resolução Normativa ANS nº 465/2021 delimita o marco regulatório da cobertura obrigatória de dispositivos de estomia na saúde suplementar.2 O modelo foi estruturado em quatro etapas sequenciais: (1) avaliação clínica especializada por enfermeiro estomaterapeuta, incluindo análise da estomia, pele periestomal e necessidades individuais;1 (2) prescrição técnica dos equipamentos adequados;1 (3) organização das informações clínicas e orientação de pacientes e familiares quanto aos fluxos de acesso na saúde suplementar;2 e (4) identificação e manejo de barreiras para garantir a continuidade do cuidado, com foco na adaptação segura ao estoma.3,4 A sistematização dessas etapas contribui para maior organização do processo assistencial, favorecendo o acesso aos insumos, a prevenção de complicações e o fortalecimento do autocuidado no domicílio.1,4
Conclusão
O modelo de navegação assistencial mostra-se uma estratégia relevante para qualificar a transição hospital-domiciliar, reduzir barreiras de acesso e promover cuidado seguro e contínuo.3,5 Apresenta potencial de replicabilidade e pode contribuir para a organização de práticas assistenciais mais integradas na estomaterapia.1,4
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Como contribuição para a área, este trabalho sinaliza uma agenda de pesquisa ainda pouco explorada no contexto da saúde suplementar brasileira, evidenciando o papel estratégico do enfermeiro estomaterapeuta na transição hospital-domicílio.2,5
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Referências
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