REDISTRIBUIÇÃO DE PRESSÃO EM NEONATOS: EVIDÊNCIAS E LACUNAS NA AVALIAÇÃO DE SUPERFÍCIES DE SUPORTE
Palavras-chave:
Estomaterapia, Lesão por pressão, Recém-Nascido, Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, Superfícies de SuporteResumo
Objetivo
Analisar as evidências disponíveis sobre a redistribuição da pressão de interface em superfícies de suporte utilizadas na prevenção de lesões por pressão em neonatos hospitalizados.
Método
Revisão de escopo conduzida conforme metodologia do Joanna Briggs Institute e reportada segundo PRISMA-ScR. Estudo integrante de um programa de pesquisa voltado à avaliação de tecnologias em estomaterapia. A questão de pesquisa foi estruturada pelo acrônimo PCC (População: neonatos; Conceito: redistribuição da pressão de interface em superfícies de suporte; Contexto: prevenção de lesão por pressão em ambiente hospitalar). A busca foi realizada em março de 2026 nas bases PubMed, ScienceDirect, Biblioteca Virtual em Saúde, Embase e Cochrane Library. Incluíram-se estudos com mensuração objetiva da pressão de interface em neonatos, sem restrição temporal ou de idioma. A seleção foi realizada por dois revisores independentes, com apoio do software Rayyan. Os dados foram extraídos por instrumento estruturado e analisados de forma descritiva.
Resultados
Dos 158 estudos identificados, três compuseram a amostra final, publicados entre 2008 e 2024, conduzidos em contextos experimental e clínico. Foram avaliadas superfícies convencionais e tecnologias de redistribuição de pressão, incluindo colchões de ar dinâmico e sistemas tecnológicos avançados. De modo geral, as superfícies tecnológicas demonstraram maior capacidade de redistribuição da pressão1, com redução dos picos pressóricos em regiões de maior vulnerabilidade, como occipital e calcâneos2. Entretanto, observou-se expressiva heterogeneidade metodológica entre os estudos, especialmente quanto aos métodos de mensuração, variáveis analisadas e delineamentos, além da escassez de estudos clínicos controlados em neonatos3.
Conclusão
Superfícies de suporte tecnológicas demonstram potencial superior na redistribuição da pressão de interface em neonatos, contribuindo para a redução de picos pressóricos. A heterogeneidade metodológica limita a robustez e a aplicabilidade clínica dos resultados. Evidencia-se a necessidade de padronização dos métodos de mensuração e do desenvolvimento de estudos clínicos controlados que fortaleçam a base de evidências disponíveis.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O estudo integra uma agenda estruturada de investigação sobre tecnologias em estomaterapia, ao evidenciar lacuna científica relevante na avaliação de superfícies de suporte para neonatos. Seus achados fundamentam a necessidade de desenvolvimento de estudos experimentais padronizados e ensaios clínicos, subsidiando a prática baseada em evidências, a tomada de decisão clínica e a elaboração de protocolos assistenciais voltados à segurança do paciente neonatal.
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Referências
Jucker TA, Annaheim S, Elodie Morlec, Camenzind M, Anna-Barbara Schlüer, Brotschi B, et al. Innovative air mattress for the prevention of pressure ulcers in neonates. Journal of Wound Care. 2024 Sep 2;33(9):652–8.
Visscher MO, Hu P, Carr AN, Bascom CC, Isfort RJ, Creswell K, et al. Newborn infant skin gene expression: Remarkable differences versus adults. Simon M, editor. PLOS ONE. 2021 Oct 19;16(10):e0258554.
Schlüer AB, Müller AY, Fromme NP, Camenzind M, Riener R, Rossi RM, et al. Use of a novel pressure distribution system for severely ill neonates: a clinical pilot study carried out by the PREPICare consortium. BMC Pediatrics. 2023 Nov 23;23(1).


