QUALIDADE DE VIDA DE ENFERMEIRAS COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA AVALIADA PELO KING'S HEALTH QUESTIONNAIRE

Autores

  • Leticia Faria Serpa
  • Marcela Crystiane Marabeli Hashimoto
  • Luciana Soares Costa Santos

Palavras-chave:

Incontinência Urinária, Enfermagem, estomaterapia, Qualidade de Vida, Saúde da mulher

Resumo

Objetivo

 A incontinência urinária (IU) é definida como uma queixa de perda involuntária de urina, afetando cerca de 27% da população mundial, sendo mais prevalente em mulheres. Estudos mostram que a IU impõe restrições na vida das mulheres em atividades da via diária, sexuais, sociais e ocupacionais, inclusive com profissionais de Enfermagem, afetando-as física, emocional e socialmente, e parece comprometer a qualidade de vida.

Objetivo: Avaliar o impacto da IU na qualidade de vida de mulheres profissionais de enfermagem, utilizando o “King´s Health Questionnaire”.

Método

Estudo exploratório, descritivo, de abordagem quantitativa e corte transversal, utilizando o King's Health Questionnaire (KHQ), validado para avaliação do impacto da incontinência urinária na qualidade de vida.

Foi realizado um piloto com coleta de dados mediante formulário online enviado às profissionais de enfermagem, após a orientação sobre o estudo e o aceite em participar da pesquisa. O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, sob o nº do CAEE: 94157525.6.0000.5479 e número do Parecer: 8.302.633.

Foi realizada análise exploratória dos escores dos domínios do KHQ e medidas de tendência central e dispersão, adotando o nível de significância de 5% ( p< 0,05%).

Resultados

Estudo piloto com 50 profissionais da enfermagem, sendo 74% de Enfermeiras, 20% Técnicas de enfermagem e 6% Auxiliares de enfermagem. A idade média foi de 49,5 anos, e 60% com mais de 15 anos de atuação na área.

Com relação aos dados clínicos, as doenças mais comuns foram ansiedade (35%) e HAS (27%), sendo que 59% das participantes tomam alguma medicação de uso contínuo. A média de IMC nessa amostra foi de 28,3, sendo que 52% realizam alguma atividade física.

A prevalência de IU na amostra foi de 27,3%, desses 32,5% referem impacto na vida, sendo os principais: 21% nos afazeres domésticos; 19% nas atividades diárias; 23% na realização de atividades físicas; 17% sua vida social; 17% referem no relacionamento com o parceiro e 15% na vida sexual. Além disso, 21% referem que a IU faz com que se sinta deprimida; 25% nervosa ou ansiosa e alteração do sono e 92% refere sentir-se cansada ou esgotada.

Com relação às principais estratégias para minimizar o desconforto, referiram: redução na ingestão de líquidos (46%), levar e sempre trocar de roupa (44%) e uso de forro (29%).

Conclusão

A prevalência de IU continua alta entre os profissionais de enfermagem (27,3%), sendo que traz impacto importante na qualidade de vida. As principais estratégias para minimizar o desconforto foram: redução da ingestão de líquidos, troca de roupa e uso de forro higiênico.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 A partir desse estudo verificou-se a necessidade do desenvolvimento de estratégias para auxiliar Mulheres com IU, inclusive profissionais da enfermagem, seja para a reabilitação do assoalho pélvico, seja no processo educacional, para enfrentamento da situação e minimizando os efeitos na qualidade de vida.

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Biografia do Autor

Leticia Faria Serpa

Enfermeira, Mestre e Doutora na Saúde do Adulto pela Escola de Enfermagem da USP. Especialista em Cuidados Intensivos, Terapia Nutricional,  Complementação Pedagógica.  MBA em Gestão em Saúde. Coaching de Saúde e Bem Estar. Designer Instrucional. Especialização em Estomaterapia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.  Gerente de Educação Corporativa do Hospital Santa Rita

Marcela Crystiane Marabeli Hashimoto

Enfermeira Estomaterapeuta pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Especialista em Gerontologia pela Faculdade Israelita Albert Einstein. Especialista em Cuidados Paliativos pela Pontificia Universidade Catolica MG.

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da incontinência urinária não neurogênica. Brasília: MS; 2020.

Ribeiro J. Prevalência e fatores associados de incontinência urinária em profissionais de enfermagem [dissertação]. Ribeirão Preto: USP; 2011.

Lopes LG, et al. Prevalence, risk factors and impact of pelvic floor dysfunctions in nurses. Neurourol Urodyn. 2019;38(6):1492-503.

Santos MSN, et al. Incontinência urinária em profissionais de enfermagem: revisão de escopo. Rev JRG Estud Acad. 2024;7(15):e151552.

Fonseca ESM, et al. Validação do King’s Health Questionnaire em mulheres brasileiras. Rev Bras Ginecol Obstet. 2005;27(5):235-42.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Faria Serpa, L., Crystiane Marabeli Hashimoto, M., & Soares Costa Santos, L. (2026). QUALIDADE DE VIDA DE ENFERMEIRAS COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA AVALIADA PELO KING’S HEALTH QUESTIONNAIRE. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2448