RADIODERMITES NO CÉSIO-137: INTERSECCIONALIDADE E ESTIGMA NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

Autores

  • Talita Clementino Bueno Rezende Rodrigues

Palavras-chave:

Estomaterapia;, Radiodermite;, Césio-137;, Wanda Horta;, ODS 3.

Resumo

Objetivo

O acidente radiológico com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, não foi apenas uma tragédia técnica ou ambiental, mas um evento que expôs as feridas profundas da vulnerabilidade social e do preconceito humano. Este estudo propõe uma análise sensível e crítica sobre a evolução das radiodermites — lesões cutâneas severas causadas pela radiação — sob a luz da Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda Horta. O objetivo principal é refletir sobre como o manejo dessas feridas evoluiu do empirismo pautado no medo, em 1987, para o cuidado especializado e tecnológico da Estomaterapia em 2026, considerando o estigma que atravessou décadas. (p. 1)

 

Desenvolvimento

A análise revela que, no auge da crise em 1987, as vítimas sofreram um colapso completo de suas necessidades vitais. No âmbito psicobiológico, a falta de conhecimento técnico resultou em tratamentos rudimentares, como o uso de gaze simples, que se mostraram ineficazes diante da necrose profunda. Contudo, foi no campo psicossocial que a dor se tornou mais aguda: o "medo do invisível" transformou pacientes em alvos de isolamento punitivo. Relatos da época e representações audiovisuais contemporâneas, como a minissérie "Emergência Radioativa", mostram que o toque terapêutico — pilar fundamental da enfermagem — foi substituído pela distância e pelo abandono, agravados pelo fato de a maioria das vítimas pertencer a estratos socioeconômicos vulneráveis, como catadores de recicláveis. (pp. 1-2) Ao confrontar aquele cenário com a realidade de 2026, percebe-se um salto ético e científico. A Estomaterapia moderna introduz tecnologias como a prata nanocristalina e a laserterapia, que não apenas tratam a lesão física, mas previnem mutilações que antes eram consideradas inevitáveis. Mais do que ferramentas técnicas, a prática atual se fundamenta na interseccionalidade, garantindo que o cuidado seja inclusivo e que a dignidade do paciente seja preservada, independentemente de sua condição social. O enfermeiro de hoje compreende que o uso de equipamentos de proteção deve ser uma ferramenta de aproximação segura, e nunca uma barreira de exclusão. (pp. 2-3)

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

Conclui-se que o cuidado especializado é o antídoto mais eficaz contra o estigma. Ao aplicar os preceitos de Wanda Horta e alinhar-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS 3), a enfermagem reafirma seu papel como ciência humana e política. Tratar uma radiodermite em 2026 vai além da cicatrização da pele; trata-se de um ato de reabilitação da cidadania e de acolhimento ético, transformando a dor da exclusão histórica em um compromisso com a vida e com a justiça social. (pp. 1, 3)

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Referências

HORTA, W. de A. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU, 1979.

BRASIL. CNEN. Relatório do Acidente Radiológico de Goiânia. 1988.

GOVERNO DE GOIÁS. C.A.R.A - Centro de Assistência aos Radioacidentados. Dados de monitoramento 2026.

NETFLIX. Emergência Radioativa (Minissérie). Direção: [Nome], Brasil, 2026.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Agenda 2030, 2015.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Clementino Bueno Rezende Rodrigues, T. (2026). RADIODERMITES NO CÉSIO-137: INTERSECCIONALIDADE E ESTIGMA NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2451