ESTRESSE PERCEBIDO, DOR E CICATRIZAÇÃO DE FERIDAS DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO: ESTUDO DE COORTE MULTINACIONAL
Palavras-chave:
Ferimentos e Lesões, Estresse Psicológico, Dor, Estomaterapia, PsicologiaResumo
Objetivo
Identificar e analisar a associação entre estresse percebido, dor e cicatrização em pacientes com feridas de difícil cicatrização, comparando os achados de dois contextos de saúde distintos: Brasil e Canadá.
Método
Este estudo é uma análise secundária de dois estudos primários observacionais e prospectivos, um conduzido no Brasil e outro no Canadá. Os dados foram coletados ao longo de 2 a 6 atendimentos, por meio de entrevistas, avaliação das feridas e revisão de prontuários, utilizando formulários sociodemográficos e clínicos, o Inventário Breve de Dor (escores de intensidade e interferência da dor), o Questionário de Dor McGill, a Escala de Úlcera por Pressão para Cicatrização e a Escala de Estresse Percebido.
Resultados
Um total de 54 participantes foi incluído (32 brasileiros e 22 canadenses), com proporções iguais de homens e mulheres. A maioria era casada e possuía ensino médio completo. No total, 67,9% apresentavam feridas em membros inferiores. Nenhuma medida de dor ou estresse esteve significativamente associada aos escores de cicatrização das feridas na amostra total. No entanto, a associação entre dor, estresse e cicatrização diferiu entre Brasil e Canadá. A distribuição da etiologia das feridas diferiu significativamente entre os países, com predomínio de feridas vasculogênicas no Brasil e feridas cirúrgicas no Canadá (p < 0,001). A duração das feridas também foi significativamente maior no Brasil (média = 1.592,8; DP = 3.103,8 dias) em comparação ao Canadá (média = 69,9; DP = 80,3 dias; p < 0,001). As mulheres relataram níveis mais elevados de estresse e dor (p = 0,004–0,035), e os participantes brasileiros relataram maior interferência da dor nas atividades de vida diária (p = 0,044).
Conclusão
O estudo não identificou associação entre estresse percebido, dor e cicatrização de feridas na amostra total. No entanto, as diferenças entre os países confirmam que essas associações podem variar conforme o contexto. Esses achados indicam que tais relações podem não ser generalizáveis para contextos clínicos caracterizados por etiologias de feridas heterogêneas, diferentes perfis de cronicidade e distintos percursos de cuidado. Além disso, as diferenças significativas entre os países evidenciam necessidades contextuais no sistema de saúde brasileiro, bem como a influência de fatores culturais.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O delineamento binacional possibilitou examinar as trajetórias de cicatrização em dois sistemas de saúde distintos, revelando diferenças clinicamente relevantes na cronicidade e na etiologia das feridas, com implicações importantes para a organização do cuidado, particularmente no Brasil. As contribuições para a Estomaterapia incluem a necessidade de considerar fatores psicossociais, como estresse percebido e dor, de forma contextualizada no cuidado a pacientes com feridas de difícil cicatrização. Os achados reforçam a importância de uma abordagem integral e individualizada, que leve em conta não apenas aspectos clínicos da ferida, mas também diferenças culturais, sociais e estruturais entre os sistemas de saúde.
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Referências
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