RELATO DE EXPERIÊNCIA: ATENDIMENTO EMERGENCIAL DA ENFERMAGEM EM ESTOMATERAPIA NO SERVIÇO AMBULATORIAL ESPECIALIZADO
Palavras-chave:
Enfermagem; Estomaterapia; Feridas; Assistência Ambulatorial; Educação em EnfermagemResumo
Objetivo
Descrever a experiência vivenciada por um acadêmico de enfermagem durante um atendimento de urgência em estomaterapia em serviço ambulatorial, evidenciando a importância do raciocínio clínico, da atuação multiprofissional e da assistência baseada em evidências.
Desenvolvimento
A experiência ocorreu no âmbito de um projeto de extensão em estomaterapia, em um serviço especializado de um hospital universitário no Distrito Federal. O atendimento envolveu uma paciente adolescente, de 16 anos, com síndrome de Parkes Weber, caracterizada por malformação vascular com presença de fístulas arteriovenosas em membro inferior esquerdo. A paciente foi encaminhada em caráter de urgência pela equipe de dermatologia para manejo de lesão em região plantar, apresentando pele perilesional com aspecto bolhoso, bordas irregulares e maceradas, exsudato serossanguinolento abundante, áreas extensas de tecido necrosado e pontos de granulação. No momento do atendimento, a paciente encontrava-se ansiosa devido a episódio recente de sangramento ativo em ambiente escolar, sendo acompanhada emergencialmente após exposição da rede vascular da lesão, decorrente de desbridamento inadequado. Durante a retirada do curativo anterior, composto por gaze, bota de Unna e cobertura de espuma, identificou-se inicialmente sangramento moderado, prontamente contido. Contudo, ao prosseguir o procedimento, observou-se sangramento arterial ativo e contínuo em ponto específico da lesão, caracterizando situação de urgência. Diante disso, foram adotadas medidas imediatas de contenção, incluindo compressão local e aplicação de compressa estéril embebida em solução fisiológica a 0,9% associada à adrenalina (epinefrina) 1:1.000, reconhecida como opção eficaz para hemostasia tópica devido ao seu efeito vasoconstritor¹˒². Destaca-se também o uso de coberturas hemostáticas, como o alginato de cálcio, que auxilia no controle do sangramento por meio da ativação da coagulação³, além da aplicação de curativo compressivo, essencial para manutenção da hemostasia e prevenção de novos episódios hemorrágicos¹. Simultaneamente, foram acionadas as equipes da regulação interna e da emergência hospitalar, garantindo suporte e continuidade da assistência. A paciente foi encaminhada à unidade de pronto atendimento (Sala Vermelha), onde recebeu cuidados complementares, incluindo reavaliação clínica e troca do curativo. O caso foi discutido entre a equipe de enfermagem e especialidades médicas, como cirurgia vascular, dermatologia e clínica médica, possibilitando definição conjunta das condutas terapêuticas⁵. A vivência evidenciou a importância da atuação rápida e assertiva da enfermagem, do raciocínio clínico⁴ e da comunicação efetiva entre os profissionais, além de destacar o papel do enfermeiro na coordenação do cuidado em situações críticas.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
Conclui-se que a experiência contribuiu significativamente para o desenvolvimento de competências clínicas, pensamento crítico e segurança na tomada de decisão frente a situações de risco⁴. Ressalta-se a importância da formação baseada em evidências científicas, da atuação humanizada e do trabalho multiprofissional na garantia de uma assistência segura e de qualidade⁵. Ademais, o relato reforça a relevância da enfermagem em estomaterapia na identificação precoce de complicações, no manejo de lesões complexas¹˒² e na articulação do cuidado em rede, destacando a necessidade de qualificação contínua dos profissionais e o fortalecimento de práticas assistenciais baseadas em evidências, visando à melhoria dos desfechos clínicos e da qualidade de vida dos pacientes.
Aprovado sob número CAEE: 93770625.7.0000.5558
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Referências
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