RELATO DE EXPERIÊNCIA: ATENDIMENTO EMERGENCIAL DA ENFERMAGEM EM ESTOMATERAPIA NO SERVIÇO AMBULATORIAL ESPECIALIZADO

Autores

  • Lucas Gomes Cavalcante
  • Andréa Mathes Faustino
  • Amanda Mesquita Mendes Gonçalves

Palavras-chave:

Enfermagem; Estomaterapia; Feridas; Assistência Ambulatorial; Educação em Enfermagem

Resumo

 

Objetivo

 Descrever a experiência vivenciada por um acadêmico de enfermagem durante um atendimento de urgência em estomaterapia em serviço ambulatorial, evidenciando a importância do raciocínio clínico, da atuação multiprofissional e da assistência baseada em evidências.

Desenvolvimento

 A experiência ocorreu no âmbito de um projeto de extensão em estomaterapia, em um serviço especializado de um hospital universitário no Distrito Federal. O atendimento envolveu uma paciente adolescente, de 16 anos, com síndrome de Parkes Weber, caracterizada por malformação vascular com presença de fístulas arteriovenosas em membro inferior esquerdo. A paciente foi encaminhada em caráter de urgência pela equipe de dermatologia para manejo de lesão em região plantar, apresentando pele perilesional com aspecto bolhoso, bordas irregulares e maceradas, exsudato serossanguinolento abundante, áreas extensas de tecido necrosado e pontos de granulação. No momento do atendimento, a paciente encontrava-se ansiosa devido a episódio recente de sangramento ativo em ambiente escolar, sendo acompanhada emergencialmente após exposição da rede vascular da lesão, decorrente de desbridamento inadequado. Durante a retirada do curativo anterior, composto por gaze, bota de Unna e cobertura de espuma, identificou-se inicialmente sangramento moderado, prontamente contido. Contudo, ao prosseguir o procedimento, observou-se sangramento arterial ativo e contínuo em ponto específico da lesão, caracterizando situação de urgência. Diante disso, foram adotadas medidas imediatas de contenção, incluindo compressão local e aplicação de compressa estéril embebida em solução fisiológica a 0,9% associada à adrenalina (epinefrina) 1:1.000, reconhecida como opção eficaz para hemostasia tópica devido ao seu efeito vasoconstritor¹˒². Destaca-se também o uso de coberturas hemostáticas, como o alginato de cálcio, que auxilia no controle do sangramento por meio da ativação da coagulação³, além da aplicação de curativo compressivo, essencial para manutenção da hemostasia e prevenção de novos episódios hemorrágicos¹. Simultaneamente, foram acionadas as equipes da regulação interna e da emergência hospitalar, garantindo suporte e continuidade da assistência. A paciente foi encaminhada à unidade de pronto atendimento (Sala Vermelha), onde recebeu cuidados complementares, incluindo reavaliação clínica e troca do curativo. O caso foi discutido entre a equipe de enfermagem e especialidades médicas, como cirurgia vascular, dermatologia e clínica médica, possibilitando definição conjunta das condutas terapêuticas⁵. A vivência evidenciou a importância da atuação rápida e assertiva da enfermagem, do raciocínio clínico⁴ e da comunicação efetiva entre os profissionais, além de destacar o papel do enfermeiro na coordenação do cuidado em situações críticas.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 Conclui-se que a experiência contribuiu significativamente para o desenvolvimento de competências clínicas, pensamento crítico e segurança na tomada de decisão frente a situações de risco⁴. Ressalta-se a importância da formação baseada em evidências científicas, da atuação humanizada e do trabalho multiprofissional na garantia de uma assistência segura e de qualidade⁵. Ademais, o relato reforça a relevância da enfermagem em estomaterapia na identificação precoce de complicações, no manejo de lesões complexas¹˒² e na articulação do cuidado em rede, destacando a necessidade de qualificação contínua dos profissionais e o fortalecimento de práticas assistenciais baseadas em evidências, visando à melhoria dos desfechos clínicos e da qualidade de vida dos pacientes.

 Aprovado sob número CAEE:   93770625.7.0000.5558

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Andréa Mathes Faustino

Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - EERP / USP (2001), Especialização em Enfermagem Geriátrica e Gerontológica pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP (2003), Especialização em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo - FGV-SP (2005), Mestrado em Enfermagem Fundamental - EERP / USP (2008), Título de Especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG (2014), Doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília - UnB (2014), Pós-Doutorado em Gerontologia pela Universidade de Aveiro, Portugal (2020), Especialização em Estomaterapia pelo Instituto Israelita Albert Einstein de São Paulo (2025) e Título de Especialista em Estomaterapia pela Sociedade Brasileira de Estomaterapia - TiSOBEST (2025). Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Gerontologia e Geriatria (GEPGG - UnB), do Laboratório de Estudos e Pesquisas em História da Enfermagem da UnB (LEPHEnf - UnB) e do Grupo de Estudos e Pesquisas de Enfermagem em Estomaterapia (GEPEE) todos vinculados ao CNPq. Membro Fundador e Coordenadora dos Projetos de Extensão: Liga Acadêmica de Gerontologia e Geriatria da UnB (LAGGUnB) (desde 2010); Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UnB (desde 2016) e do Serviço Ambulatorial de Enfermagem em Estomaterapia (SAEE) (desde 2025). Atualmente é Professora Associada no Departamento de Enfermagem, Faculdade de Ciências da Saúde, na Universidade de Brasília (UnB), Dirigente do Núcleo de Estudos, Pesquisas, Extensão em Envelhecimento (NEPEE) do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinar (CEAM) da UnB (2013-2018, 2024-2026) e Coordenadora de Extensão do CEAM-UnB (2025-2026). Foi Vice-Chefe do Departamento de Enfermagem (2011) e Coordenadora do Curso de Enfermagem (2011-2012). Atua desenvolvendo projetos e pesquisas com os seguintes temas: Gerontologia, Enfermagem Geriátrica e Gerontológica, História da Enfermagem e Enfermagem em Estomaterapia.

Amanda Mesquita Mendes Gonçalves

Possui graduação em Enfermagem pela Universidade de Brasília (2007) e Especialização em Cardiologia pela Fundação Universitária de Cardiologia (FUC-ICDF). Mestre em Enfermagem (linha de Cuidado, Gestão e Tecnologia em Saúde e Enfermagem) pelo Programa de Pós Graduação em Enfermagem da Universidade de Brasília. Doutora em Ciência Médicas (linha de Aspectos Clínicos, Epidemiológicos, Experimentais, Microbiológicos, Patológicos, Terapêuticos e Profiláticos das Doenças Crônico-Degenerativas) pelo Programa de Pós Graduação em Ciências Médicas da Universidade de Brasília. Trabalha no Hospital Universitário de Brasília, onde atuou como responsável pelo ambulatório de Estomaterapia, como chefe do Setor de Regulação e Avaliação em Saúde, gerenciando os serviços de Gestão de Leitos, Transporte, Ambulatórios, Faturamento e Estatística, Arquivo Médico e Central de Marcação de Exames, Consultas e Procedimentos e como chefe da Unidade de Atenção à Saúde do Idoso, responsável pela gestão de Ambulatórios. Atuou ainda como enfermeira assistencial do ambulatório de Saúde Indígena, ambulatório de Transplante e no ambulatório de Dermatologia / Hanseníase. Atualmente é enfermeira assistencial no ambulatório de Estomaterapia e enfermeira referência em Epidermólise Bolhosa. Atuou como supervisora da Unidade de Terapia Intensiva de cardiologia pediátrica no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal e como supervisora de Ambulatórios e da Unidade de Terapia Endovenosa do Hospital da Criança de Brasília. Tem experiência na área de Enfermagem, com ênfase em gestão, docência, estomaterapia, cardiologia adulto e pediátrica, terapia intensiva adulto e pediátrica, saúde do idoso e do adulto, pediatria, neonatologia e saúde indígena.

Referências

Colwell JC, et al. Peristomal skin complications: prevention and management. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2019;46(2):123-32.

Santos VLCG, et al. Complicações relacionadas ao estoma e à pele periestoma: revisão integrativa. Rev Bras Enferm. 2016;69(2):395-402.

Thomas S. Alginate dressings in surgery and wound management. J Wound Care. 2000;9(2):56-60.

Tanner CA. Thinking like a nurse: a research-based model of clinical judgment. J Nurs Educ. 2006;45(6):204-11.

Peduzzi M. Trabalho em equipe multiprofissional em saúde. Rev Saúde Pública. 2001;35(1):103-9.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Gomes Cavalcante, L., Mathes Faustino, A., & Mesquita Mendes Gonçalves, A. (2026). RELATO DE EXPERIÊNCIA: ATENDIMENTO EMERGENCIAL DA ENFERMAGEM EM ESTOMATERAPIA NO SERVIÇO AMBULATORIAL ESPECIALIZADO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2456