IMPACTO DE TECNOLOGIA EDUCATIVA DE BAIXO CUSTO NO LETRAMENTO EM SAÚDE NO AUTOCUIDADO DOS PÉS
Palavras-chave:
Educação, Diabetes Mellitus, Pé Diabético, Estomaterapia, Atenção Primária à SaúdeResumo
Objetivo
Analisar o efeito de uma tecnologia educativa de baixo custo, mediada por folder ilustrado, sobre o letramento funcional em saúde aplicado ao autocuidado dos pés em pessoas com Diabetes Mellitus (DM) na Atenção Primária à Saúde.
Método
Estudo quase-experimental, do tipo antes e depois, realizado com 198 indivíduos com DM em Unidades de Saúde de Pouso Alegre (MG). A intervenção consistiu na mediação educativa, em sala de espera, a partir de folder construído com base no “Algoritmo do Pé em Diabetes”. O material foi elaborado com linguagem simplificada e suporte de inteligência artificial generativa (OpenAI) para criação de imagens ilustrativas, com o objetivo de favorecer a compreensão de conteúdos técnicos por indivíduos com baixo letramento em saúde. O letramento em saúde foi avaliado pelo Short Assessment of Health Literacy for Portuguese Speaking Adults (SAHLPA-18) e o desfecho foi o conhecimento aplicado ao autocuidado, mensurado por instrumento do tipo “mitos e verdades”, composto por afirmações relacionadas às práticas de cuidado, aplicado imediatamente antes e após a intervenção educativa. O folder construído, encontra-se no link: https://www.canva.com/design/DAGs46hZoTA/mbenys0yl_OS2k5auudg7Q/view?utm_content=DAGs46hZoTA&utm_campaign=designshare&utm_medium=link2&utm_source=uniquelinks&utlId=h325d56e231. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética (parecer nº 7.650.737).
Resultados
Foram avaliados 198 indivíduos com DM, condição de elevada magnitude e impacto nos sistemas de saúde¹,². Observou-se alta prevalência de letramento em saúde inadequado (68%; n=135), evidenciando limitação na capacidade de compreender e aplicar informações no manejo da doença³,⁴.
No momento pré-intervenção, verificou-se baixo desempenho no reconhecimento de práticas adequadas de autocuidado dos pés, especialmente relacionadas à inspeção diária, cuidados com a pele e escolha de calçados. Após a intervenção educativa, houve aumento expressivo no conhecimento, com elevação da média de acertos de 11 para 15 pontos (máx.=17), representando ganho relevante no desempenho.
Para além do incremento quantitativo, observou-se mudança no padrão de respostas, com maior acerto em itens que exigiam julgamento prático, indicando avanço na capacidade de aplicação do conhecimento . Destaca-se que esse efeito ocorreu mesmo entre participantes com baixo letramento, sugerindo redução de barreiras cognitivas previamente estabelecidas.
Adicionalmente, identificaram-se fatores de risco para complicações, como controle glicêmico irregular, sintomas sugestivos de neuropatia periférica e lacunas nas práticas de autocuidado, incluindo ausência de inspeção regular dos pés e comportamentos de risco. Esses achados evidenciam a coexistência de vulnerabilidades clínicas, comportamentais e cognitivas na população estudada.
De forma integrada, os resultados indicam que a intervenção contribuiu não apenas para ampliar o conhecimento, mas para favorecer sua conversão em decisões práticas no cuidado diário, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade⁵.
Conclusão
A intervenção educativa demonstrou impacto imediato no letramento funcional em saúde aplicado ao autocuidado dos pés, mesmo em uma população com alta prevalência de baixo letramento. Os achados indicam que estratégias educativas mediadas por linguagem acessível e recursos visuais favorecem a tradução do conhecimento em decisões práticas no cotidiano do cuidado.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Para a estomaterapia, o estudo reforça o papel do enfermeiro como mediador do conhecimento e agente estratégico na prevenção de complicações evitáveis, destacando a relevância de intervenções educativas acessíveis e aplicáveis na Atenção Primária à Saúde.
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Referências
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