HORMONIOTERAPIA SEM ACOMPANHAMENTO PROFISSIONAL E RISCOS DE AFECÇÕES CUTÂNEAS EM PESSOAS TRANS: IMPLICAÇÕES PARA ESTOMATERAPIA
Palavras-chave:
Pessoas Transgênero, Terapia Hormonal, Pele, Estomaterapia, EnfermagemResumo
Objetivo
Analisar a associação entre o uso de hormonioterapia sem acompanhamento profissional e a ocorrência de afecções cutâneas em pessoas trans.
Método
Estudo transversal, com abordagem quantitativa, desenvolvido com transexuais da organização não governamental Astra - Direitos Humanos e Cidadania LGBT, localizada na cidade de Aracaju/Sergipe. Foram aplicados instrumentos de coleta de dados baseados em aspectos sociodemográficos e condições de saúde. Os dados foram estatisticamente pelo software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 25,0 e a análise de Componente Principal (PCA) foi realizada por meio do programa Paleontological Statistics (PAST) 4.0. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Tiradentes com nº de parecer 5.742.860, CAAE: 61245522.7.0000.5371.
Resultados
Participaram do estudo 58 transexuais, sendo 39,7% homens trans, 31,0% mulheres trans e 29,3% não-binários. Verificou-se que 50% dos participantes realizaram hormonioterapia, sendo que 41,4% destes não obtiveram acompanhamento profissional. Entre os usuários, 51,7% relataram efeitos adversos, com destaque para cefaleia e elevação da pressão arterial. A análise por PCA evidenciou agrupamentos nos quais a ausência de seguimento em saúde esteve associada a maior ocorrência de efeitos adversos, especialmente entre mulheres trans, corroborando achados da literatura sobre impactos da hormonioterapia na saúde geral dessa população⁴.
A elevada frequência de uso hormonal sem supervisão e a presença de efeitos colaterais sugerem impacto potencial na integridade da pele. A hormonioterapia de afirmação de gênero está associada a alterações dermatológicas relevantes¹. Em homens trans, o uso da testosterona relaciona-se ao aumento da produção sebácea, acne e alopecia². Em mulheres trans, a utilização de estrogênio é associada à intensificação do risco de melasma, xerose e alterações de pigmentação¹,⁴. Tais condições podem ser agravadas na ausência de acompanhamento profissional¹.
Conclusão
O uso de hormonioterapia sem o acompanhamento de profissionais de saúde é frequente na população trans e associa-se ao aumento de efeitos adversos, com ênfase na elevação da pressão arterial, ocorrência de cefaleia e alterações dermatológicas¹,⁴. Esses dados evidenciam fragilidades no acesso aos serviços de saúde, reforçando o contexto de vulnerabilidade dessa população⁴.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Ressalta-se a necessidade de ampliação do cuidado estomaterapêutico à população trans, com foco na avaliação da integridade cutânea, prevenção de lesões e manejo de alterações dermatológicas associadas à hormonoterapia¹,³, promovendo cuidado integral, inclusivo e baseado em evidências científicas.
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Referências
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