CONTROLE DE BIOFILME EM LESÃO PERIESTOMAL NEONATAL: ATUAÇÃO DO ESTOMATERAPEUTA
Palavras-chave:
Estomaterapia; Recém-Nascido; Cicatrização de Feridas; Infecção; Cuidados de EnfermagemResumo
Objetivo
Descrever a atuação do enfermeiro estomaterapeuta no manejo de lesão periestomal complexa em neonato com enterocolite necrosante, enfatizando a utilização de tecnologia avançada no controle do biofilme e na otimização do processo cicatricial.
Desenvolvimento
Relato de experiência realizado em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, envolvendo recém-nascido do sexo masculino, 3 meses de idade, com diagnóstico de sepse associada à enterocolite necrosante, evoluindo com perfuração intestinal e pneumoperitônio, submetido à confecção de estomia.
Durante a evolução clínica, identificou-se lesão periestomal associada à deiscência de sutura, presença de tecido desvitalizado (esfacelo), biofilme e elevada carga microbiana, além de exsudato seroso em moderada quantidade, configurando um microambiente desfavorável à cicatrização.
A conduta inicial consistia na utilização de gaze de rayon associada a óleo de girassol e laserterapia de baixa intensidade, sem resposta clínica satisfatória. Diante da complexidade da lesão e da ausência de evolução favorável, o enfermeiro estomaterapeuta instituiu o uso de cobertura avançada composta por fibras poliabsorventes associadas à prata, com ação no controle do biofilme, redução da carga microbiana e promoção de desbridamento mecânico por interação físico-química (atração eletrostática), contribuindo para a limpeza do leito da ferida e modulação do microambiente cicatricial.
Foram realizadas sete trocas de curativo em intervalo médio de 72 horas, no período de 20/02/2025 a 28/02/2025, com monitoramento contínuo da equipe assistencial previamente capacitada. A comunicação de intercorrências foi realizada de forma sistematizada, favorecendo a tomada de decisão rápida e segura.
Observou-se evolução clínica significativa, com redução do exsudato, remoção progressiva do esfacelo, controle da carga microbiana e início do processo de granulação tecidual, além de melhora das condições locais da deiscência periestomal. A intervenção possibilitou a modulação do microambiente da ferida, favorecendo a progressão do processo cicatricial.
O presente estudo caracteriza-se como relato de experiência de natureza assistencial, sem intervenção experimental e sem identificação do paciente, garantindo anonimato e confidencialidade das informações. Dessa forma, conforme as normativas nacionais vigentes, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa/Sistema CEP/CONEP.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
O manejo de lesões periestomais em neonatos críticos exige avaliação especializada e tomada de decisão baseada em evidências. A atuação do enfermeiro estomaterapeuta mostrou-se fundamental na escolha da cobertura adequada, no controle do biofilme e na condução do cuidado.
O uso de tecnologia avançada demonstrou impacto direto na evolução clínica, reforçando a importância da incorporação de coberturas específicas no contexto da terapia intensiva neonatal. Este relato contribui para a prática da estomaterapia ao evidenciar a efetividade de intervenções direcionadas ao leito da ferida, promovendo segurança do paciente, otimização do cuidado e melhores desfechos assistenciais.
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Referências
Associação Brasileira de Estomaterapia. Diretrizes para o cuidado de pessoas com estomias e feridas. São Paulo: SOBEST; 2021.
Ministério da Saúde. Protocolo para prevenção e tratamento de feridas. Brasília: MS; 2018.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde. Brasília: ANVISA; 2017.
Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de cuidados ao recém-nascido de risco. Rio de Janeiro: SBP; 2019.
Santos VLCG, Cesaretti IUR. Assistência em estomaterapia: cuidado clínico especializado. São Paulo: Atheneu; 2015.


