DEMANDAS RELACIONADAS À ESTOMATERAPIA NA RADIOTERAPIA: EXPERIÊNCIA DE ENFERMAGEM EM SERVIÇO DE ALTA COMPLEXIDADE

Autores

  • Gustavo Nogueira Ribeiro Sobral
  • Bruno Almeida De Oliveira AC Camargo Cancer Center
  • Erika Larissa De Almeida Camargo A.C. Camargo Câncer Center
  • Sabrina De Lucas Ramos Necy A.C. Camargo Câncer Center
  • Katia Cristina Trigo A.C. Camargo Câncer Center
  • Letícia Dos Santos

Palavras-chave:

Radioterapia, Estomaterapia, enfermagem oncologica, radiodermite, autocuidado

Resumo

Objetivo

Relatar a experiência da equipe de enfermagem na identificação e manejo de demandas relacionadas à estomaterapia em pacientes submetidos à radioterapia em um centro oncológico de alta complexidade.

Desenvolvimento

Trata-se de um relato de experiência fundamentado na prática assistencial de enfermeiras atuantes em um serviço de radioterapia de alta complexidade, a partir do levantamento das principais demandas e intervenções de enfermagem relacionadas à estomaterapia nesse contexto.

A radioterapia compromete a integridade cutânea e mucosa por meio de alterações microvasculares, hipóxia tecidual e fibrose, resultando em prejuízo da cicatrização e maior suscetibilidade ao desenvolvimento de feridas complexas. Esse cenário gera demandas relevantes nos eixos da estomaterapia (feridas, estomias e incontinências), exigindo cuidado especializado.

A radiodermatite destacou-se como uma das principais toxicidades, sendo manejada conforme protocolos institucionais baseados em classificações internacionais. As intervenções incluem hidratação da pele com produtos neutros, isentos de álcool, óleos e fragrâncias, aplicada três vezes ao dia, respeitando intervalo mínimo antes das sessões, além da orientação quanto à redução de fricção e exposição a agentes irritantes. Em casos mais avançados, utilizam-se coberturas atraumáticas, como silicone e espumas absorventes, associadas a terapias tópicas e avaliação especializada.

Foram também identificadas demandas relacionadas à incontinência urinária e fecal em pacientes submetidos à radioterapia pélvica, frequentemente associadas à cistite actínica e proctite actínica, demandando proteção da pele perineal, manejo da umidade, uso de dispositivos auxiliares e educação para o autocuidado.

Em pacientes submetidas à braquiterapia ginecológica, a estenose vaginal foi observada como complicação relevante, sendo orientadas medidas como uso de dilatadores vaginais, lubrificantes e cuidados locais, visando manutenção da elasticidade tecidual e conforto. Em pacientes traqueostomizados em tratamento de cabeça e pescoço, destaca-se a necessidade de adaptação de dispositivos, como a substituição de cânulas metálicas por plásticas, visando segurança terapêutica e prevenção de lesões cutâneas.

O serviço dispõe de possibilidade de discussão de casos e encaminhamento para ambulatórios especializados em feridas de alta complexidade, além de suporte de grupo institucional voltado à pele e estomias, favorecendo abordagem interdisciplinar. Realiza-se ainda acompanhamento pós-tratamento, com monitoramento remoto via telefone e e-mail, possibilitando identificação precoce e manejo oportuno de complicações.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 A radioterapia configura-se como um campo relevante e complexo para demandas relacionadas à integridade cutânea, cicatrização, incontinências e cuidados com estomas. A atuação sistematizada da enfermagem, aliada ao suporte especializado, contribui para prevenção de agravos e melhoria dos desfechos clínicos, reforçando a inserção estratégica da estomaterapia na atenção oncológica.

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Biografia do Autor

Gustavo Nogueira Ribeiro Sobral

Pós-Graduando em Estomaterapia pelo AC Camargo.

Especialista em Saúde Pública com Ênfase na Estratégia de Saúde e da Família pelo Centro Universitário São Camilo.

MBA em Gestão de Saúde pelo Centro Universitário São Camilo.

Graduado em Enfermagem Pela Universidade São Judas Tadeu (2019).

Atualmente é Gerente de Enfermagem na Atenção Domiciliar.

Bruno Almeida De Oliveira, AC Camargo Cancer Center

Enfermeiro Especialista em Estomaterapia, Docência para o Ensino Superior e Oncologia.

Coordenador da Pós Graduação em Estomaterapia do AC Camargo Cancer Center

Membro do Conselho Mundial de Estomaterapia e da Associação Brasileira de Estomaterapia

Enfermeiro II no Complexo Ambulatorial de Especialidades Cirúrgicas e Curativos do AC Camargo Cancer Center onde é integrante do Grupo Oncológico de Pele e Estomias e Preceptor da Residência de Enfermagem.

Erika Larissa De Almeida Camargo, A.C. Camargo Câncer Center

Enfermeira no núcleo de Hemodinamica e Radioterapia do AC Camargo Cancer Center

Pós graduanda em Estomaterapia pelo AC Camargo Cancer Center

Sabrina De Lucas Ramos Necy, A.C. Camargo Câncer Center

Enfermeira no núcleo de Hemodinamica e Radioterapia do AC Camargo Cancer Center

Pós graduanda em Estomaterapia pelo AC Camargo Cancer Center

Graduada em Enfermagem pela Universidade do Estado do Pará (2021). Pós-Graduada em Oncologia Multiprofissional, do Hospital Israelita Albert Einstein (2023). Especialista em Oncologia pelo Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia do A.C Camargo Cancer Center. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia e Bioquímica da Universidade Federal do Pará. (FARMABIO-UFPA) no Núcleo de Pesquisas em Oncologia (NPO/UFPA) sob orientação da Professora Dra. Danielle Queiroz Calcagno. É membro-colaborador da Liga Acadêmica de Sistematização da Assistência de Enfermagem (LASAE). Realizou estágio voluntário na clínica Oncológica do Brasil - Ensino e Pesquisa (OBEP). Ademais, no período de 04/2020 a 10/2021 foi pesquisadora voluntária de Iniciação Científica (PIVIC) no Núcleo de Pesquisas em Oncologia (NPO), sob orientação da Professora Dra. Danielle Queiroz Calcagno, com projetos relacionados à biópsia líquida na oncologia. Além disso, foi bolsista de monitoria na disciplina de Farmacologia no curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Estado do Pará.

Katia Cristina Trigo, A.C. Camargo Câncer Center

Enfermeira Coordenadora no do núcleo de Hemodinâmica, Radioterapia e Complexos Ambulatoriais Cirúrgicos de Curativos do AC Camargo Cancer Center

 

Referências

Hara F, Lipsitt A, Marignol L. Topical management of acute radiation dermatitis in breast cancer patients: a systematic review. Anticancer Res. 2017;37:5343–53.

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Schnieder F, et al. Three-arm randomized phase III trial: Aloe vs placebo for skin treatment during breast cancer radiation. Clin Breast Cancer. 2015;15:181–90.

Scott C. RTOG assessment tool and intervention rationales. RTOG; 2017.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Nogueira Ribeiro Sobral, G., Almeida De Oliveira, B., De Almeida Camargo, E. L., De Lucas Ramos Necy, S., Cristina Trigo, K., & Santos, L. D. (2026). DEMANDAS RELACIONADAS À ESTOMATERAPIA NA RADIOTERAPIA: EXPERIÊNCIA DE ENFERMAGEM EM SERVIÇO DE ALTA COMPLEXIDADE. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2480