DEMANDAS RELACIONADAS À ESTOMATERAPIA NA RADIOTERAPIA: EXPERIÊNCIA DE ENFERMAGEM EM SERVIÇO DE ALTA COMPLEXIDADE
Palavras-chave:
Radioterapia, Estomaterapia, enfermagem oncologica, radiodermite, autocuidadoResumo
Objetivo
Relatar a experiência da equipe de enfermagem na identificação e manejo de demandas relacionadas à estomaterapia em pacientes submetidos à radioterapia em um centro oncológico de alta complexidade.
Desenvolvimento
Trata-se de um relato de experiência fundamentado na prática assistencial de enfermeiras atuantes em um serviço de radioterapia de alta complexidade, a partir do levantamento das principais demandas e intervenções de enfermagem relacionadas à estomaterapia nesse contexto.
A radioterapia compromete a integridade cutânea e mucosa por meio de alterações microvasculares, hipóxia tecidual e fibrose, resultando em prejuízo da cicatrização e maior suscetibilidade ao desenvolvimento de feridas complexas. Esse cenário gera demandas relevantes nos eixos da estomaterapia (feridas, estomias e incontinências), exigindo cuidado especializado.
A radiodermatite destacou-se como uma das principais toxicidades, sendo manejada conforme protocolos institucionais baseados em classificações internacionais. As intervenções incluem hidratação da pele com produtos neutros, isentos de álcool, óleos e fragrâncias, aplicada três vezes ao dia, respeitando intervalo mínimo antes das sessões, além da orientação quanto à redução de fricção e exposição a agentes irritantes. Em casos mais avançados, utilizam-se coberturas atraumáticas, como silicone e espumas absorventes, associadas a terapias tópicas e avaliação especializada.
Foram também identificadas demandas relacionadas à incontinência urinária e fecal em pacientes submetidos à radioterapia pélvica, frequentemente associadas à cistite actínica e proctite actínica, demandando proteção da pele perineal, manejo da umidade, uso de dispositivos auxiliares e educação para o autocuidado.
Em pacientes submetidas à braquiterapia ginecológica, a estenose vaginal foi observada como complicação relevante, sendo orientadas medidas como uso de dilatadores vaginais, lubrificantes e cuidados locais, visando manutenção da elasticidade tecidual e conforto. Em pacientes traqueostomizados em tratamento de cabeça e pescoço, destaca-se a necessidade de adaptação de dispositivos, como a substituição de cânulas metálicas por plásticas, visando segurança terapêutica e prevenção de lesões cutâneas.
O serviço dispõe de possibilidade de discussão de casos e encaminhamento para ambulatórios especializados em feridas de alta complexidade, além de suporte de grupo institucional voltado à pele e estomias, favorecendo abordagem interdisciplinar. Realiza-se ainda acompanhamento pós-tratamento, com monitoramento remoto via telefone e e-mail, possibilitando identificação precoce e manejo oportuno de complicações.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A radioterapia configura-se como um campo relevante e complexo para demandas relacionadas à integridade cutânea, cicatrização, incontinências e cuidados com estomas. A atuação sistematizada da enfermagem, aliada ao suporte especializado, contribui para prevenção de agravos e melhoria dos desfechos clínicos, reforçando a inserção estratégica da estomaterapia na atenção oncológica.
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Referências
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