CONTROLE DA BIOCARGA BACTERIANA EM FERIDAS COM CURATIVOS CONTENDO DACC: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Palavras-chave:
Estomaterapia, Feridas e Lesões, Cicatrização de Feridas, Biofilmes, Resistência Microbiana a MedicamentosResumo
Objetivo
Analisar evidências científicas sobre o uso de curativos contendo DACC no controle da biocarga bacteriana em feridas
Método
Revisão integrativa da literatura, conduzida segundo a estratégia PICo. A busca foi realizada nas bases PubMed, LILACS (BVS) e SciELO, em fevereiro e março de 2026, sem restrição temporal. Foram utilizados descritores e termos relacionados a feridas, curativos hidrofóbicos, DACC e biocarga bacteriana, combinados por operadores booleanos. Incluíram-se estudos que avaliaram o uso de curativos contendo DACC em feridas ou modelos experimentais. O processo de seleção seguiu as recomendações do PRISMA, resultando na inclusão de 18 estudos.
Resultados
Os estudos incluídos apresentaram diferentes delineamentos metodológicos. De forma consistente, evidenciou-se redução da biocarga bacteriana associada ao uso de curativos contendo DACC, tanto em modelos experimentais quanto em contextos clínicos. A interação hidrofóbica entre o curativo e os microrganismos favoreceu a remoção mecânica das bactérias durante as trocas. Microrganismos como Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa foram frequentemente descritos. Estudos clínicos relataram melhora da evolução de feridas crônicas e cirúrgicas, com redução de sinais de colonização crítica.
Conclusão
Curativos contendo DACC configuram uma estratégia eficaz e segura para o manejo da biocarga bacteriana em feridas, com potencial para otimizar a evolução clínica sem contribuir para a resistência antimicrobiana. Seu uso representa uma abordagem relevante para a prática em estomaterapia, especialmente no contexto do controle de colonização crítica.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Os achados reforçam a aplicabilidade clínica do DACC como alternativa segura no manejo local da carga microbiana, especialmente em cenários que demandam uso racional de antimicrobianos. Para a Estomaterapia, este estudo fortalece a prática baseada em evidências ao subsidiar a escolha de tecnologias terapêuticas adequadas ao perfil da ferida. Destaca-se o papel do enfermeiro estomaterapeuta na avaliação clínica, na tomada de decisão e na implementação de estratégias eficazes de controle do biofilme e da biocarga bacteriana. Além disso, contribui para a padronização de condutas, qualificação da assistência e melhoria dos desfechos clínicos no cuidado de pessoas com feridas.
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Referências
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