LESÃO RECORRENTE EM PÉ DE PACIENTE COM DIABETES PÓS-AMPUTAÇÃO: PREVENÇÃO SECUNDÁRIA, LONGITUDINALIDADE E ABORDAGEM INTERPROFISSIONAL

Autores

  • Larissa Lieberenz
  • Yasmim Alves Monteiro Lima
  • Gabriela Machado Bernardes De Sousa
  • Luciana Brasil Moreira De Oliveira Hospital Metropolitano Odilon Behrens
  • Maria Clara Salomão E Silva Guimarães

Palavras-chave:

Pé diabético, Estomaterapia, Amputação, Cicatrização de Feridas (Wound Healing), Prevenção secundária

Resumo

Objetivo

Relatar experiência acadêmica no acompanhamento do cuidado da pessoa com lesão no pé devido ao diabetes após amputação, com foco na prevenção secundária, na longitudinalidade da assistência e na importância do manejo interdisciplinar para qualificação do cuidado integral centrado na pessoa.

Desenvolvimento

 

Trata-se de relato de experiência vivenciado durante atividade prática na Atenção Primária à Saúde. Foi acompanhado o caso de paciente idosa, com diabetes mellitus tipo 2 de longa evolução e controle glicêmico irregular, com histórico de amputação transfemoral prévia decorrente de ulceração infectada. Em visita domiciliar, identificou-se nova ulceração no membro contralateral, classificada como Wagner 3, com sinais clínicos de infecção, presença de tecido desvitalizado e odor fétido, indicando alto risco de progressão. A análise situacional foi fundamentada em diretrizes internacionais e nacionais para prevenção e manejo do pé diabético, enfatizando três pilares: rastreio sistemático do pé de risco, estratégias adequadas de offloading e seguimento longitudinal estruturado no pós-amputação. Observou-se desconhecimento da paciente sobre sinais de agravamento, medidas preventivas e uso de calçados terapêuticos, evidenciando fragilidades no autocuidado e na educação em saúde. Identificaram-se barreiras socioeconômicas, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e ausência de acompanhamento programado, comprometendo a continuidade do cuidado. Institucionalmente, verificou-se inexistência de protocolos formais para seguimento de pacientes de alto risco. No âmbito processual, observaram-se registros clínicos incompletos, ausência de sistematização da avaliação do pé de risco e inexistência de fluxos assistenciais para manejo precoce de novas lesões. O cuidado inicial envolveu desbridamento conservador para controle de biofilme, coleta de cultura para antibioticoterapia guiada e indicação de terapia de contato total como estratégia de redistribuição de pressão plantar. Aspectos fisiológicos da cicatrização, controle inflamatório e princípios ético-legais relacionados à autonomia e consentimento foram considerados na condução do caso. Destacou-se a atuação da equipe multidisciplinar na coordenação do cuidado, educação em saúde, prevenção de complicações e articulação entre os níveis assistenciais, favorecendo uma abordagem integral centrada na pessoa e não apenas na lesão ou doença.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 

A experiência evidencia que pessoas com lesão no pé devido ao diabetes permanecem em risco elevado de novas ulcerações após amputações, exigindo vigilância contínua, prevenção secundária efetiva e acompanhamento longitudinal estruturado. Falhas no rastreio sistemático, descontinuidade assistencial e insuficiência de ações educativas favorecem recorrências evitáveis. Estratégias de prevenção secundária, offloading imediato, seguimento contínuo e protocolos institucionais são determinantes para reduzir amputações subsequentes. A Estomaterapia destaca-se como área estratégica na avaliação especializada do pé de risco, implementação de tecnologias de cuidado, educação para o autocuidado e organização de fluxos assistenciais seguros, atuando de forma integrada com a equipe multiprofissional e contribuindo diretamente para a segurança do paciente, integralidade do cuidado e qualidade da assistência.

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Biografia do Autor

Yasmim Alves Monteiro Lima

Acadêmica do curso de Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG-Brasil.

Gabriela Machado Bernardes De Sousa

Acadêmica do curso de Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG-Brasil.

Luciana Brasil Moreira De Oliveira, Hospital Metropolitano Odilon Behrens

Enfermeira do Hospital Metropolitano Odilon Behrens e Fiscal do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais.

Maria Clara Salomão E Silva Guimarães

Coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Coordenadora do curso de pós-graduação em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. 

Referências

International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF). IWGDF guidelines on the prevention and management of diabetic foot disease. 2023 update. The Hague: IWGDF; 2023.

Wounds International. Best practice guidelines: Wound management in diabetes. London: Wounds International; 2020.

Associação Brasileira de Estomaterapia (SOBEST). Diretrizes para o cuidado em feridas. São Paulo: SOBEST; 2019.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Lieberenz, L., Alves Monteiro Lima, Y., Machado Bernardes De Sousa, G., Brasil Moreira De Oliveira, L., & Salomão E Silva Guimarães, M. C. (2026). LESÃO RECORRENTE EM PÉ DE PACIENTE COM DIABETES PÓS-AMPUTAÇÃO: PREVENÇÃO SECUNDÁRIA, LONGITUDINALIDADE E ABORDAGEM INTERPROFISSIONAL. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2487