COMPONENTES DO PROCESSO DE TRABALHO EM ENFERMAGEM NO CUIDADO À PESSOA COM ESTOMIA EM SASPOS

Autores

  • Patrícia Rosa Da Silva
  • Claudiomiro Da Silva Alonso Universidade Federal de Minas Gerais
  • Fernanda Soares De Jesus
  • Felizarda Rodrigues Santos
  • Maria De Lourdes De Freitas Gomes Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
  • Cátia Sueli Palmeira
  • Roberta Mendonça Viana

Palavras-chave:

Estomia, Estomaterapia, Processo de Trabalho em Saúde, Papel do Profissional de Enfermagem

Resumo

Objetivo

Identificar os componentes que estruturam o processo de trabalho de enfermeiros nos Serviços de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia.

Método

Estudo qualitativo, descritivo e exploratório, conduzido com 24 enfermeiros de Serviços de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia de Minas Gerais, selecionados por amostragem em bola de neve. A coleta ocorreu entre janeiro e abril de 2025, por meio de formulário eletrônico com questões abertas sobre organização do trabalho e práticas assistenciais. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática, com apoio do software Iramuteq, incluindo análise de similitude e identificação de comunidades temáticas. A categorização foi orientada pelos componentes do processo de trabalho em saúde: agentes, objetos, instrumentos, métodos e produtos. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 7.312.708/2024).

Resultados

Foram identificados cinco componentes do processo de trabalho: agentes, objetos, instrumentos, métodos e produtos. Nos agentes, destacaram-se enfermeiro, pessoa com estomia e equipe multiprofissional, com reconhecimento parcial do protagonismo do enfermeiro. Nos objetos, observou-se imprecisão conceitual, com deslocamento para finalidades como reabilitação e qualidade de vida. Quanto aos instrumentos, predominaram coletores, adjuvantes, formulários e conhecimentos técnicos, com baixa incorporação de tecnologias inovadoras. Nos métodos, evidenciaram-se avaliação clínica, educação em saúde e processo de enfermagem, porém de forma fragmentada e pouco sistematizada. Nos produtos, destacaram-se autonomia para o autocuidado, qualidade de vida, bem-estar e autoestima, com baixa menção à satisfação da pessoa com estomia. De forma geral, os achados revelam fragilidades conceituais e operacionais que comprometem a organização e a intencionalidade do cuidado.

Conclusão

Os achados evidenciam desarticulação entre os componentes do processo de trabalho, com repercussões na consistência e na intencionalidade do cuidado. Observa-se fragilidade na apropriação conceitual dos elementos que o estruturam, o que limita o protagonismo do enfermeiro e o alinhamento às diretrizes assistenciais. A predominância de práticas tradicionais e a baixa integração de referenciais teóricos e tecnológicos indicam limitações na organização do cuidado. Embora o autocuidado emerja como resultado relevante, aspectos relacionados à experiência e satisfação da pessoa com estomia permanecem pouco incorporados.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Os resultados contribuem para a especialidade ao evidenciar lacunas na organização do processo de trabalho, orientando o aprimoramento da prática clínica e o fortalecimento do papel do enfermeiro estomaterapeuta. Ao destacar a necessidade de domínio conceitual e metodológico, reforçam a importância da especialização e da qualificação do ensino, favorecendo a consolidação de práticas mais estruturadas, resolutivas e alinhadas às demandas da pessoa com estomia nos serviços especializados.

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Biografia do Autor

Patrícia Rosa Da Silva

Estomaterapeuta TiSobest. Mestre em Gestão dos Serviços de Saúde. Doutorando em Enfermagem

Claudiomiro Da Silva Alonso, Universidade Federal de Minas Gerais

Enfermeiro. Especialista em Saúde do Adulto Hospitalar. Mestre e Doutor em Enfermagem.

Fernanda Soares De Jesus

Enfermeira. Especialista em Enfermagem em Estomaterapia.

Felizarda Rodrigues Santos

Enfermeira. Especialista em Enfermagem em Estomaterapia

Maria De Lourdes De Freitas Gomes, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

Enfermeira. Estomaterapeuta TiSobest. Mestre e Doutora em Saúde Pública. 

Cátia Sueli Palmeira

Enfermeira. Mestre e Doutorado em Saúde Pública

Roberta Mendonça Viana

Enfermeira. Especialista em Enfermagem em Estomaterapia. Mestre em Gestão dos Serviços de Saúde

Referências

Sanna MC. Os processos de trabalho em enfermagem. Rev Bras Enferm. 2007;60(2):221-4.

Alonso CS, Silva PR, Garcia TF, Domingos SRF, Barbosa JAG. Nurses' work process in caring for people with ostomies: practices and challenges for comprehensiveness. Rev Rene. 2025;26:e95777.

Paula MAB, Moraes JT. Consenso brasileiro de cuidado às pessoas adultas com estomias de eliminação. São Paulo: Segmento Farma; 2021.

Faria RGS, Oliveira VC, Cortez DN, Borges EL, Moraes JT. Avaliação do grau de conformidade dos serviços de atenção à saúde da pessoa com estomia. Saúde Colet (Barueri). 2023;13(88):13247-66.

Gomes ES, Druzian JM, Dalmolin A, Santos EB, Simon BS, Conceição DL, et al. Processo de enfermagem no cuidado às pessoas com estomia intestinal. REAEnf. 2023;23(2):e13118.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Rosa Da Silva, P., Alonso, C. D. S., Jesus, F. S. D., Santos, F. R., Gomes, M. D. L. D. F., Palmeira, C. S., & Viana, R. M. (2026). COMPONENTES DO PROCESSO DE TRABALHO EM ENFERMAGEM NO CUIDADO À PESSOA COM ESTOMIA EM SASPOS. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2488