COMPONENTES DO PROCESSO DE TRABALHO EM ENFERMAGEM NO CUIDADO À PESSOA COM ESTOMIA EM SASPOS
Palavras-chave:
Estomia, Estomaterapia, Processo de Trabalho em Saúde, Papel do Profissional de EnfermagemResumo
Objetivo
Identificar os componentes que estruturam o processo de trabalho de enfermeiros nos Serviços de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia.
Método
Estudo qualitativo, descritivo e exploratório, conduzido com 24 enfermeiros de Serviços de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia de Minas Gerais, selecionados por amostragem em bola de neve. A coleta ocorreu entre janeiro e abril de 2025, por meio de formulário eletrônico com questões abertas sobre organização do trabalho e práticas assistenciais. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática, com apoio do software Iramuteq, incluindo análise de similitude e identificação de comunidades temáticas. A categorização foi orientada pelos componentes do processo de trabalho em saúde: agentes, objetos, instrumentos, métodos e produtos. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 7.312.708/2024).
Resultados
Foram identificados cinco componentes do processo de trabalho: agentes, objetos, instrumentos, métodos e produtos. Nos agentes, destacaram-se enfermeiro, pessoa com estomia e equipe multiprofissional, com reconhecimento parcial do protagonismo do enfermeiro. Nos objetos, observou-se imprecisão conceitual, com deslocamento para finalidades como reabilitação e qualidade de vida. Quanto aos instrumentos, predominaram coletores, adjuvantes, formulários e conhecimentos técnicos, com baixa incorporação de tecnologias inovadoras. Nos métodos, evidenciaram-se avaliação clínica, educação em saúde e processo de enfermagem, porém de forma fragmentada e pouco sistematizada. Nos produtos, destacaram-se autonomia para o autocuidado, qualidade de vida, bem-estar e autoestima, com baixa menção à satisfação da pessoa com estomia. De forma geral, os achados revelam fragilidades conceituais e operacionais que comprometem a organização e a intencionalidade do cuidado.
Conclusão
Os achados evidenciam desarticulação entre os componentes do processo de trabalho, com repercussões na consistência e na intencionalidade do cuidado. Observa-se fragilidade na apropriação conceitual dos elementos que o estruturam, o que limita o protagonismo do enfermeiro e o alinhamento às diretrizes assistenciais. A predominância de práticas tradicionais e a baixa integração de referenciais teóricos e tecnológicos indicam limitações na organização do cuidado. Embora o autocuidado emerja como resultado relevante, aspectos relacionados à experiência e satisfação da pessoa com estomia permanecem pouco incorporados.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
Os resultados contribuem para a especialidade ao evidenciar lacunas na organização do processo de trabalho, orientando o aprimoramento da prática clínica e o fortalecimento do papel do enfermeiro estomaterapeuta. Ao destacar a necessidade de domínio conceitual e metodológico, reforçam a importância da especialização e da qualificação do ensino, favorecendo a consolidação de práticas mais estruturadas, resolutivas e alinhadas às demandas da pessoa com estomia nos serviços especializados.
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Referências
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