LESÃO NO PÉ DA PESSOA COM DIABETES: SIMULAÇÃO REALÍSTICA, FORMAÇÃO INTERPROFISSIONAL E CUIDADO INTEGRAL

Autores

  • Larissa Lieberenz
  • Yasmim Alves Monteiro Lima Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais
  • Gabriela Machado Bernardes De Sousa
  • Luciana Brasil Moreira De Oliveira Hospital Metropolitano Odilon Behrens
  • Maria Clara Salomão E Silva Guimarães

Palavras-chave:

Pé diabético, Desbridamento, Estomaterapia, Segurança do Paciente, Protocolos Clínicos

Resumo

Objetivo

Analisar criticamente a experiência do uso da simulação realística no treinamento de estudantes de enfermagem e medicina sobre o cuidado da lesão no pé da pessoa com diabetes mellitus tipo 2.

Desenvolvimento

Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido a partir de simulação clínica de alta fidelidade como estratégia inovadora no contexto da graduação em Enfermagem e Medicina, especialmente no ensino do tratamento de feridas. O cenário envolveu paciente masculino fictício, 62 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há 15 anos, hipertensão arterial sistêmica e tabagismo ativo, permitindo vivência prévia e segura antes do contato com o paciente real. Foram analisados dados clínicos, achados semiológicos, condutas adotadas e sua conformidade com recomendações de diretrizes internacionais para manejo do pé diabético, incluindo as orientações do International Working Group on the Diabetic Foot, da Wounds International e da Associação Brasileira de Estomaterapia, além da integração entre diferentes áreas profissionais no cuidado.

 

O paciente apresentou úlcera em antepé direito há aproximadamente 60 dias, medindo 2,5 cm, com bordas maceradas, hiperemia periférica, odor fétido leve e sinais sugestivos de biofilme. Relatava glicemias frequentemente superiores a 250 mg/dL e uso irregular de antidiabéticos. Ao exame, evidenciou-se perda de sensibilidade ao monofilamento de Semmes-Weinstein e pulsos periféricos diminuídos, indicando neuropatia periférica associada a possível comprometimento vascular. Identificaram-se falhas relevantes no processo assistencial, como ausência de registro sistematizado, uso de gaze seca inadequada para controle do exsudato, inexistência de avaliação da perfusão (ABI) e ausência de estratégias de offloading. A análise evidenciou fatores intrínsecos (hiperglicemia crônica, neuropatia, doença arterial periférica) e extrínsecos (pressão plantar contínua, manejo inadequado da umidade e ausência de protocolo institucional) que contribuíram para atraso cicatricial e aumento do risco infeccioso. O caso demonstra que a lesão no pé da pessoa com diabetes constitui evento multifatorial, associado a alterações metabólicas, neurológicas e vasculares, agravadas por falhas na avaliação clínica e no manejo local da ferida. A simulação possibilitou reconhecer a importância da atuação multidisciplinar e da comunicação interprofissional, favorecendo uma abordagem centrada na pessoa e não apenas na lesão ou doença, além de preparar os estudantes para atuação mais segura e resolutiva no cenário real.

 

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

O estudo reforça o papel estratégico do enfermeiro estomaterapeuta na avaliação especializada da ferida, na identificação de neuropatia e perfusão comprometida, na seleção de coberturas tecnológicas (como hidrofibras com prata), na indicação de desbridamento adequado e na implementação de estratégias de offloading. Destaca-se ainda a importância da educação terapêutica, do controle glicêmico rigoroso e da atuação integrada com clínica médica, endocrinologia e fisioterapia, evidenciando a relevância do trabalho multidisciplinar para o cuidado integral. A simulação demonstra caráter inovador na graduação, sobretudo na formação médica em tratamento de feridas, ao possibilitar desenvolvimento de competências clínicas, raciocínio diagnóstico e tomada de decisão baseada em evidências antes da prática com pacientes reais, contribuindo para redução de complicações, prevenção de amputações e qualificação da assistência em saúde.

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Biografia do Autor

Yasmim Alves Monteiro Lima, Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais

Acadêmica do curso de Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG-Brasil.

Gabriela Machado Bernardes De Sousa

Acadêmica do curso de Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG-Brasil.

Luciana Brasil Moreira De Oliveira, Hospital Metropolitano Odilon Behrens

Enfermeira do Hospital Metropolitano Odilon Behrens e Fiscal do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais.

Maria Clara Salomão E Silva Guimarães

Coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Coordenadora do curso de pós-graduação em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. 

Referências

International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF). IWGDF guidelines on the prevention and management of diabetic foot disease. 2023 update. The Hague: IWGDF; 2023.

Wounds International. Best practice guidelines: Wound management in diabetes. London: Wounds International; 2020.

Associação Brasileira de Estomaterapia (SOBEST). Diretrizes para o cuidado em feridas. São Paulo: SOBEST; 2019.

National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP). Prevention and treatment of pressure injuries: Clinical practice guideline. 3rd ed. Washington (DC): NPIAP; 2019.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Lieberenz, L., Alves Monteiro Lima, Y., Machado Bernardes De Sousa, G., Brasil Moreira De Oliveira, L., & Salomão E Silva Guimarães, M. C. (2026). LESÃO NO PÉ DA PESSOA COM DIABETES: SIMULAÇÃO REALÍSTICA, FORMAÇÃO INTERPROFISSIONAL E CUIDADO INTEGRAL. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2489