ATUAÇÃO DO ESTOMATERAPEUTA NA DEMARCAÇÃO PARA REPOSICIONAMENTO DA COLOSTOMIA EM HÉRNIA PARACOLOSTÔMICA: RELATO DE CASO

Autores

  • Zulaina Zupeli Marianelli Universidade Federal do Espírito Santo
  • Paula De Souza Silva Freitas Universidade Federal do Espírito Santo
  • Luanna Dias De Assis Universidade Federal do Espírito Santo
  • Gabriela Scaramussa Luz Pandini Universidade Federal do Espírito Santo
  • Heloísa Helena Camponez Bárbara Rédua Universidade Federal do Espírito Santo

Palavras-chave:

Estomaterapia, Cuidados Pré-operatórios, Colostomia, Hérnia

Resumo

Objetivo

Descrever a atuação do enfermeiro estomaterapeuta na demarcação pré-operatória para reposicionamento da colostomia em paciente com hérnia paracolostômica volumosa.

Desenvolvimento

 Trata-se de um relato de caso que aborda a importância da demarcação pré-operatória do sítio da estomia em paciente do sexo masculino, 71 anos, submetido à correção de hérnia paracolostômica volumosa associada à hérnia incisional, com necessidade de reposicionamento ipsilateral da colostomia.

O paciente foi submetido, em 2020, à amputação abdominoperineal do reto por adenocarcinoma de reto baixo, com confecção de colostomia terminal definitiva no quadrante inferior esquerdo do abdome, sem demarcação pré-operatória. Realizou tratamento neoadjuvante com quimiorradioterapia, seguido de quimioterapia adjuvante.

No seguimento, evoluiu com hérnia paracolostômica volumosa associada à hérnia incisional mediana, resultando em distorção anatômica, dificuldade na adaptação do equipamento coletor, dermatite periestomia recorrente e limitação para realização de colonoscopia completa para vigilância oncológica. Diante desse quadro, foi indicada correção cirúrgica das hérnias, com encaminhamento ao estomaterapeuta para a demarcação pré-operatória do novo sítio da estomia.

A demarcação foi realizada em setembro de 2025, no quadrante superior esquerdo do abdome, após avaliação dos acidentes anatômicos e dos fatores críticos para adequada exteriorização da estomia, com o paciente nas posições supina, sentada e ortostática. O procedimento apresentou elevada complexidade, em decorrência da hérnia volumosa e do abdome em avental. O paciente participou ativamente da escolha do local, sendo o procedimento realizado em conjunto com o cirurgião.

A cirurgia ocorreu no dia seguinte à demarcação, com reposicionamento adequado da colostomia no local previamente marcado pelo estomaterapeuta. No pós-operatório, observou-se boa adaptação ao equipamento coletor, ausência de complicações e aceitação do novo sítio da estomia, permitindo o retorno às atividades laborais e a realização de colonoscopia completa. O paciente assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, incluindo autorização para uso de imagem. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Espírito Santo, sob parecer nº 8.329.159.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 O presente relato de caso evidencia que a demarcação pré-operatória constitui etapa relevante para o sucesso cirúrgico, especialmente em contextos clínicos complexos, como o reposicionamento da estomia em pacientes com hérnia paracolostômica volumosa. A atuação do enfermeiro estomaterapeuta possibilita a escolha adequada do sítio de exteriorização, favorecendo melhor adaptação ao equipamento coletor, vedação eficaz e prevenção de complicações pós-operatórias2,3.

Estudos indicam que, apesar das melhorias nas técnicas cirúrgicas, os procedimentos para confecção de estomias podem apresentar taxas de complicações entre 10% e 70%. Nesse contexto, evidências demonstram que a demarcação pré-operatória está associada à redução dessas complicações, incluindo hérnia paracolostômica e dermatites periestomia, além de promover maior independência no autocuidado e melhor qualidade de vida1,3,4.

No campo da Estomaterapia, o relato reforça a importância da atuação do estomaterapeuta no cuidado pré-operatório, destacando a demarcação como prática segura, de baixo custo e baseada em evidências. Demonstra, ainda, seu papel na educação do paciente, no preparo emocional e na tomada de decisão compartilhada, contribuindo para a qualificação da prática multiprofissional e para melhores desfechos clínicos2,3.

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Biografia do Autor

Zulaina Zupeli Marianelli, Universidade Federal do Espírito Santo

Enfermeira graduada pela Universidade de Vila Velha (UVV), com pós-graduação em Enfermagem Oncológica pelo Hospital  do Câncer AC Camargo e em Estomaterapia pela Universidade de Taubaté (UNITAU). Atua como Enfermeira  Estomaterapeuta autônoma, com experiência na assistência a pacientes com estomias e feridas. É membro  pleno da Associação Brasileira de Estomaterapia (SOBEST) e atualmente cursa o Mestrado Profissional em Enfermagem no  Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Paula De Souza Silva Freitas, Universidade Federal do Espírito Santo

Enfermeira, professora Adjunta na universidade federal do Espírito Santo, no departamento de enfermagem do Centro de ciências da Saúde em Vitória -ES. Professora Permanente do Programa de Pós Graduação em enfermagem  (PPGENF), na linha Organização e Avaliação dos sistemas de cuidados à saúde. Doutora e mestre em Saúde Coletiva  com ênfase em Política e Gestão em Saúde, pela Universidade Federal do Espírito Santo. É especialista em  Enfermagem Cardiovascular; Gestão da qualidade, gestão de planos de saúde , Auditoria em enfermagem, enfermagem  Dermatológica, estomaterapia, ensino do processo de enfermagem e mediação de processos educacionais na  modalidade digital. Pesquisadora do CuidarTech. Possui linha de pesquisa em Gestão e novas tecnologias de feridas  complexas, Pratica baseada em evidencia no manejo de lesão por pressão e linha de pesquisa de Registros de  Enfermagem e prontuário do paciente

Luanna Dias De Assis, Universidade Federal do Espírito Santo

Enfermeira graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), atualmente residente em saúde da criança e do adolescente pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM).

Gabriela Scaramussa Luz Pandini, Universidade Federal do Espírito Santo

Possui graduação em Enfermagem pelo Instituto Capixaba de Educação e Tecnologia (2008). Estomaterapeuta graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Mestranda no curso do Mestrado Profissional em Enfermagem - UFES (PPGENF).  Membro do grupo de pesquisa Laboratório de Tecnologias em Saúde CuidarTech. Membro pleno da Associação Brasileira de estomaterapia. Consultora técnica de produtos na área da Danmed. Docente da Pós Graduação da Instituição de Ensino e  Pesquisa Albert Einstein e Diretora da Estoma Care - Serviços de enfermagem especializado.

Heloísa Helena Camponez Bárbara Rédua, Universidade Federal do Espírito Santo

Enfermeira pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, EMESCAM, com especialização em Terapia Intensiva pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, EMESCAM,  especialização em Gestão Hospitalar e Inovação em Saúde pela Faculdade Multivix, especialização em Estomaterapia  pelo Hospital Israelita Albert Einstein São Paulo e Mestranda do Programa de Pós Graduação em Enfermagem da  Universidade Federal do Espirito Santo, UFES. Membro do grupo de pesquisa Laboratório de Tecnologias em Saúde  CuidarTech. Membro pleno da Associação Brasileira de Estomaterapia (SOBEST).

Referências

Ambe PC, et al. The effect of preoperative stoma site marking on risk of stoma-related complications in patients with intestinal ostomy: a systematic review and meta-analysis. Colorectal Dis. 2022;24:904–17. doi:10.1111/codi.16118.

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Zupeli Marianelli, Z., De Souza Silva Freitas, P., Dias De Assis, L., Scaramussa Luz Pandini, G., & Camponez Bárbara Rédua, H. H. (2026). ATUAÇÃO DO ESTOMATERAPEUTA NA DEMARCAÇÃO PARA REPOSICIONAMENTO DA COLOSTOMIA EM HÉRNIA PARACOLOSTÔMICA: RELATO DE CASO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2491