ATUAÇÃO DO ESTOMATERAPEUTA NA DEMARCAÇÃO PARA REPOSICIONAMENTO DA COLOSTOMIA EM HÉRNIA PARACOLOSTÔMICA: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Estomaterapia, Cuidados Pré-operatórios, Colostomia, HérniaResumo
Objetivo
Descrever a atuação do enfermeiro estomaterapeuta na demarcação pré-operatória para reposicionamento da colostomia em paciente com hérnia paracolostômica volumosa.
Desenvolvimento
Trata-se de um relato de caso que aborda a importância da demarcação pré-operatória do sítio da estomia em paciente do sexo masculino, 71 anos, submetido à correção de hérnia paracolostômica volumosa associada à hérnia incisional, com necessidade de reposicionamento ipsilateral da colostomia.
O paciente foi submetido, em 2020, à amputação abdominoperineal do reto por adenocarcinoma de reto baixo, com confecção de colostomia terminal definitiva no quadrante inferior esquerdo do abdome, sem demarcação pré-operatória. Realizou tratamento neoadjuvante com quimiorradioterapia, seguido de quimioterapia adjuvante.
No seguimento, evoluiu com hérnia paracolostômica volumosa associada à hérnia incisional mediana, resultando em distorção anatômica, dificuldade na adaptação do equipamento coletor, dermatite periestomia recorrente e limitação para realização de colonoscopia completa para vigilância oncológica. Diante desse quadro, foi indicada correção cirúrgica das hérnias, com encaminhamento ao estomaterapeuta para a demarcação pré-operatória do novo sítio da estomia.
A demarcação foi realizada em setembro de 2025, no quadrante superior esquerdo do abdome, após avaliação dos acidentes anatômicos e dos fatores críticos para adequada exteriorização da estomia, com o paciente nas posições supina, sentada e ortostática. O procedimento apresentou elevada complexidade, em decorrência da hérnia volumosa e do abdome em avental. O paciente participou ativamente da escolha do local, sendo o procedimento realizado em conjunto com o cirurgião.
A cirurgia ocorreu no dia seguinte à demarcação, com reposicionamento adequado da colostomia no local previamente marcado pelo estomaterapeuta. No pós-operatório, observou-se boa adaptação ao equipamento coletor, ausência de complicações e aceitação do novo sítio da estomia, permitindo o retorno às atividades laborais e a realização de colonoscopia completa. O paciente assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, incluindo autorização para uso de imagem. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Espírito Santo, sob parecer nº 8.329.159.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
O presente relato de caso evidencia que a demarcação pré-operatória constitui etapa relevante para o sucesso cirúrgico, especialmente em contextos clínicos complexos, como o reposicionamento da estomia em pacientes com hérnia paracolostômica volumosa. A atuação do enfermeiro estomaterapeuta possibilita a escolha adequada do sítio de exteriorização, favorecendo melhor adaptação ao equipamento coletor, vedação eficaz e prevenção de complicações pós-operatórias2,3.
Estudos indicam que, apesar das melhorias nas técnicas cirúrgicas, os procedimentos para confecção de estomias podem apresentar taxas de complicações entre 10% e 70%. Nesse contexto, evidências demonstram que a demarcação pré-operatória está associada à redução dessas complicações, incluindo hérnia paracolostômica e dermatites periestomia, além de promover maior independência no autocuidado e melhor qualidade de vida1,3,4.
No campo da Estomaterapia, o relato reforça a importância da atuação do estomaterapeuta no cuidado pré-operatório, destacando a demarcação como prática segura, de baixo custo e baseada em evidências. Demonstra, ainda, seu papel na educação do paciente, no preparo emocional e na tomada de decisão compartilhada, contribuindo para a qualificação da prática multiprofissional e para melhores desfechos clínicos2,3.
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Referências
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