TOXICIDADE FINANCEIRA DA ESTOMIA: REVISÃO INTEGRATIVA E MODELO DE RISCO ECONÔMICO FAMILIAR

Autores

  • Adriana Pelegrini Dos Santos Pereira
  • João Daniel De Souza Menezes
  • Matheus Querino Da Silva
  • Stela Regina Pedroso Vilela Torres De Carvalho
  • Emerson Roberto Dos Santos
  • Rita De Cassia Helu Mendonça Ribeiro
  • Júlio César André
  • Mikaell Alexandre Gouvea Faria

Palavras-chave:

Estomia, Custos indiretos, Empobrecimento familiar, Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Sintetizar evidências sobre custos diretos e indiretos relacionados à estomia e propor a Escala de Toxicidade Financeira da Estomia (ETFE) como instrumento de estratificação de risco econômico familiar em serviços de estomaterapia.

Método

Revisão integrativa de análises econômicas, coortes e estudos de custos envolvendo pessoas com estomia em sistemas de saúde públicos e mistos. Critérios de inclusão: apresentação de valores monetários (mensais ou anuais), distinção de componentes de custo (equipamentos, internações, transporte, perda de produtividade) e, quando disponível, indicadores de impacto familiar (endividamento, cortes em despesas essenciais). A síntese organizou os dados em três domínios – custos diretos, custos indiretos e adaptação familiar – que fundamentaram a ETFE 

Resultados

 No Brasil, em serviço do SUS em Minas Gerais, o custo anual médio foi de R$ 2.159,68; presença de dermatite periestomal em cerca de 29% dos participantes aumentou as despesas em 35%, evidenciando o peso econômico das complicações evitáveis. Avaliação de custos em país europeu, por meio de análise de atividades, mostrou que complicações periestomais podem responder por 40–50% do custo total em determinados contextos, principalmente por consumo adicional de materiais e atendimentos não programados. Estudo de coorte nacional na Suécia e investigação dinamarquesa recente demonstraram que pessoas com estomia apresentam custos de saúde anuais aproximadamente 4–6 vezes superiores aos controles, com diferença mantida por pelo menos dez anos, impulsionada por readmissões, reoperações e maior uso de recursos especializados. Pesquisas qualitativas e inquéritos em oncologia mostram que a toxicidade financeira associa‑se a maior sofrimento emocional, pior qualidade de vida e até aumento de mortalidade, o que oferece paralelo conceitual robusto para a estomia. No contexto brasileiro, relatos indicam que mais de metade das famílias de pessoas estomizadas reduz gastos com alimentação, lazer ou educação e recorre a empréstimos para cobrir despesas com transporte, insumos adicionais e adaptações domiciliares. A ETFE sintetiza esses achados em três domínios: (1) custos diretos mensais; (2) custos indiretos (dias de trabalho perdidos, afastamentos, aposentadoria precoce, necessidade de cuidador remunerado); (3) adaptação familiar (cortes em despesas essenciais, endividamento e estresse financeiro percebido). Pontuações mais altas definem TFE moderada ou grave e prioridade para intervenções

Conclusão

 

As evidências demonstram que a estomia pode desencadear Toxicidade Financeira prolongada, combinando despesas diretas, perda de renda e ajustes familiares dolorosos, o que justifica monitorização sistemática por meio da ETFE e políticas de proteção econômica focalizadas em famílias mais vulneráveis.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Na prática, a ETFE pode ser aplicada na primeira consulta e em revisões periódicas, permitindo ao estomaterapeuta identificar precocemente TFE moderada/grave e acionar estratégias custo‑efetivas: demarcação pré‑operatória universal, prevenção intensiva de complicações cutâneas, educação estruturada em autocuidado, telemonitorização para evitar internações e articulação com a assistência social para acesso a benefícios e programas de renda. Ao documentar sistematicamente a TFE e seus determinantes, a estomaterapia fortalece argumentos técnicos para ampliação de cobertura de insumos, inclusão de indicadores econômicos em protocolos de qualidade e defesa de políticas que tratem a estomia não apenas como condição clínica, mas como risco econômico e social evitável. 

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Referências

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Pelegrini Dos Santos Pereira, A., Menezes, J. D. D. S., Da Silva, M. Q., De Carvalho, S. R. P. V. T., Dos Santos, E. R., Ribeiro, R. D. C. H. M., André, J. C., & Faria, M. A. G. (2026). TOXICIDADE FINANCEIRA DA ESTOMIA: REVISÃO INTEGRATIVA E MODELO DE RISCO ECONÔMICO FAMILIAR. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2492