MATRIZ DE FIBRINA LEUCOPLAQUETÁRIA AUTÓLOGA NO TRATAMENTO DE FERIDAS: REVISÃO DE LITERATURA.
Palavras-chave:
Fibrina Leucoplaquetária Autóloga, Enfermagem Regenerativa, Feridas de difícil cicatrizaçãoResumo
Objetivo
Sintetizar evidências científicas acerca da aplicação da matriz de fibrina leucoplaquetária autóloga no manejo de feridas.
Método
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada em bases de dados científicos, PubMed, Scielo, BVS, LILACS e Google Acadêmico, e fontes institucionais como Ministério da Saúde e COFEN. Foram utilizados descritores extraídos do MeSH, sendo os principais: "Leukocyte-Rich Fibrin", "Platelet-Rich Fibrin", "PRF", "Regenerative Nursing", "Tissue Regeneration" e "Chronic Wounds", combinados por meio dos operadores booleanos. Foram incluídos estudos publicados nos últimos cinco anos, disponíveis na íntegra, nos idiomas inglês e português. A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, por meio de seleção dos principais achados.
Resultados
A busca inicial resultou em 55 publicações. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade e a remoção de duplicatas, a amostra final foi composta por 23 artigos. A análise da literatura evidenciou que a Fibrina Leucoplaquetária Autóloga (FLA) atua como uma estrutura biológica dinâmica que mimetiza a matriz extracelular, sendo superior aos concentrados de primeira geração por permitir a liberação sustentada de fatores de crescimento e citocinas por até 14 dias2,4. A caracterização bioquímica da matriz revela alta concentração de leucócitos e plaquetas, elementos fundamentais para a modulação da inflamação e indução da angiogênese em leitos de feridas complexas4. Adicionalmente, a literatura destaca que o sucesso da terapia depende da padronização dos protocolos de centrifugação, onde o controle da força G e do tempo de centrifugação é determinante para a viabilidade celular e a arquitetura da malha de fibrina3,4. No que se refere a praticidade, é evidenciado que a FLA reduz o tempo de internação e a frequência de visitas ambulatoriais, pois potencializa a cicatrização tecidual e reduz a intensidade da dor². Com isso, há melhora na qualidade de vida dos pacientes e maior eficiência dos serviços de saúde, com liberação mais rápida de vagas assistenciais. Além disso, a FLA está associada à redução do custo médio por paciente em comparação aos métodos convencionais de tratamento de feridas, evidenciando importante custo-benefício e contribuindo para a otimização dos recursos, especialmente na rede pública1,5.
Conclusão
A FLA se mostra uma alternativa terapêutica promissora no tratamento contra lesões de pele, promovendo a regeneração tecidual. A diminuição dos custos assistenciais5, melhora na qualidade de vida1 e diminuição do tempo de cicatrização2 são alguns dos benefícios evidenciados na literatura. Contudo, é imperioso ressaltar a necessidade de padronização dos protocolos de preparo e aplicação com vistas a fortalecer a segurança do uso dessa tecnologia na prática clínica da enfermagem regenerativa.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
A revisão contribui ao consolidar evidências sobre o uso da FLA como tecnologia inovadora no manejo de feridas complexas. A utilização desta tecnologia é respaldada por pareceres técnicos que reforçam a autonomia e competência do enfermeiro na aplicação de terapias regenerativas e na qualificação do cuidado. Além disso, a fundamentação em evidências qualifica o cuidado, promove a otimização de resultados clínicos e auxilia na gestão de custos em serviços de estomaterapia1,2,5.
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Referências
Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF). Parecer Técnico n.º 011/2023. O uso da Matriz de Fibrina Leucoplaquetária Autóloga (FLA) não transfusional no tratamento de feridas complexas por Enfermeiros. Brasília: Coren-DF; 2023.
Mendes F, Braz J, Souza P, Meneses D, Nicula I, Reis J. Utilização da fibrina leucoplaquetária como cobertura biológica no tratamento de feridas: uma revisão sistemática. Rev Enferm Atual In Derme [Internet]. 2024 [citado 25 mar 2026];98(4):e024398. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br/revista/article/view/2357.
Miron RJ, Fujioka-Kobayashi M, Sculean A, Zhang Y. Optimization of platelet-rich fibrin. Periodontol 2000. 2024;94(1):79-91.
Oliveira LA. Caracterização morfológica e bioquímica da fibrina leucoplaquetária autóloga: perspectivas na aplicação clínica [tese]. Brasília: Faculdade de Medicina, Universidade de Brasília; 2020.
Silva MMT. Análise descritiva dos custos no tratamento de feridas crônicas com fibrina leucoplaquetária autóloga (L-PRF) e de coberturas convencionais [trabalho de conclusão de curso]. Brasília: Departamento de Enfermagem, Universidade de Brasília; 2021.


