MANEJO DE LESÃO TEGUMENTAR CAUSADA POR FERROADA DE ARRAIA EM PACIENTE INDÍGENA: RELATO DE CASO

Autores

  • Maria Carolina De Araújo Alves
  • Maria Clara Perez Saboia
  • Barbara Luiza Alves Dos Santos
  • Thaisa Da Silva Tavares Caixeta
  • Rute Costa Brito
  • Andréa Mathes Faustino
  • Amanda Mesquita Mendes Gonçalves
  • Fernanda Leticia Frates Cauduro

Palavras-chave:

Estomaterapia, Saúde Indígena, Cicatrização de Feridas, Arraia

Resumo

Objetivo

Relatar o caso de paciente indígena com ferida de difícil cicatrização decorrente de ferroada de arraia, atendido em ambulatório de enfermagem de referência em estomaterapia de um Hospital Universitário (HU) em Brasília, Distrito Federal.

Desenvolvimento

Trata-se de relato de caso desenvolvido a partir da vivência de acadêmicas de enfermagem em projeto de extensão de ação contínua, sob supervisão de enfermeiras e docentes. O estudo integra projeto guarda-chuva aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAEE: 93770625.7.0000.5558). Paciente indígena, etnias Ikpeng e Waurá, do território do Xingu no Mato Grosso, sexo masculino, 18 anos, encaminhado pelo Ambulatório de Saúde Indígena devido a lesão traumática em membro inferior direito ocasionada por ferroada de arraia. O ferrão do animal possui epitélio granular e camada mucosa, responsáveis pela liberação de veneno e substâncias que induzem inflamação, vasoconstrição e contaminação bacteriana1. A necrose tecidual induzida pelas toxinas prolonga a fase inflamatória e retarda a formação do tecido de granulação, tornando a ferida de difícil cicatrização2. Após o evento, o paciente realizou mais de seis esquemas de antibioticoterapia e a lesão foi acompanhada em ambulatório de sua região, utilizando-se exclusivamente pomada à base de colagenase. Na admissão no HU, a lesão apresentava área total de 15,84 cm². Observou-se bordas maceradas, irregulares e desniveladas, áreas de necrose de coagulação e tecido desvitalizado aderido ao leito. A conduta incluiu higienização do membro com água e sabão e da lesão com solução fisiológica 0,9%, seguida de desbridamento mecânico e instrumental, sem queixa dolorosa. A seleção das coberturas foi realizada conforme características da lesão considerando exsudato, carga microbiana, tecido desvitalizado e estado das bordas e pele perilesão3. Durante o tratamento, utilizou-se Hidrofibra com Prata, Malha com Matriz Cicatrizante neutra e com sais de prata, Matriz Cicatrizante TLC com octasulfato de sacarose, Compressa Antimicrobiana de Acetato impregnado com Cloreto de Dialquil Carbamoil (DACC) e Espuma com borda de silicone. Como terapias adjuvantes, instituiu-se Terapia Fotodinâmica (PDT) com substância fotossensibilizante (azul de metileno a 1%) associada à laserterapia com luz vermelha (9 J) visando o controle microbiano4. Ademais, foi empregada terapia de fotobiomodulação com comprimento de onda na faixa do vermelho, objetivando favorecer o reparo tecidual. Após a décima semana de tratamento, a lesão apresentou redução progressiva, com área total de 5,5 cm². Para acompanhamento evolutivo, realizou-se registros fotográficos e mensurações quinzenais da lesão, que cicatrizou completamente em aproximadamente 10 meses.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

O tempo prolongado da cicatrização reflete o desafio metabólico em reverter a cronicidade da lesão, onde o desequilíbrio entre síntese e degradação do colágeno culminou em uma cicatriz hipertrófica2 com remodelação progressiva. Foram fornecidas orientações quanto aos cuidados com a lesão e a pele perilesional, com ênfase na hidratação cutânea e fotoproteção local3. O estudo contribui ao evidenciar estratégias avançadas no manejo de feridas complexas, incluindo terapias adjuvantes e uso de coberturas especializadas na estomaterapia. Além disso, reforça a importância do cuidado culturalmente sensível e da prática baseada em evidências na assistência aos povos originários e comunidades tradicionais1.

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Referências

CUNHA IL, GUIMARÃES IC, ARAÚJO BF, BORGES MP, MAGALHÃES IG, MONTEIRO LD. Perfil clínico e sociodemográfico de pacientes acometidos por ferroadas de arraias e terapêuticas aplicadas. Revista Pan-Amazônica de Saúde, vol. 12, dez. 2021. DOI: 10.5123/S2176-6223202100963. [citado em 2026 mar 31]. Disponível em: http://scielo.iec.gov.br/pdf/rpas/v12/2176-6223-rpas-12-e202100963.pdf.

BORGES EL. Feridas: úlceras por pressão e de membros inferiores. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. [citado em 2026 abr 02].

International Wound Infection Institute (IWII) Therapeutic wound and skin cleansing: Clinical evidence and recommendations. Wounds International. 2025. [cited 2026 abr 02]. Available from: https://sobest.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Therapeutic-wound-and-skin-cleansing.pdf.

SILVA AM, SILVA GM, MARTINS JC, BAVARESCO T, ECHEVARRIA-GUANILO ME. Photobiomodulation and photodynamic therapy in the treatment of pressure injuries: a scoping review. Revista Latino-Americana de Enfermagem, [S.l.], v. 33, p. e4489, 2025. [cited 2026 abr 02]. Available from: https://www.scielo.br/j/rlae/a/jMkCwYWHb5pMwrTNpNbGm3M/?lang=pt&format=pdf.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Carolina De Araújo Alves, M., Clara Perez Saboia, M., Luiza Alves Dos Santos, B., Da Silva Tavares Caixeta, T., Costa Brito, R., Mathes Faustino, A., Mesquita Mendes Gonçalves, A., & Leticia Frates Cauduro, F. (2026). MANEJO DE LESÃO TEGUMENTAR CAUSADA POR FERROADA DE ARRAIA EM PACIENTE INDÍGENA: RELATO DE CASO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2494