PREVALÊNCIA DE FERIDAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: ASSOCIAÇÃO COM A ESCALA COELHO & SAVASSI 

Autores

  • Jéssica Vendrúscolo Pessoa De Castro
  • Maria Augusta De Moraes Pedrosa
  • Maria Clara Salomão E Silva Guimarães

Palavras-chave:

Ferimentos e lesões., Atenção Primária à Saúde, Visita domiciliar, Estomaterapia, Prioridades em Saúde

Resumo

Objetivo

Estimar a prevalência de feridas em usuários da APS de um município da região Centro-Oeste de Minas Gerais e analisar sua associação com a ERF-CS.

Método

Estudo observacional, transversal e descritivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, conduzido com pacientes com feridas cadastrados na APS. Foram identificados 45 casos, dos quais 32 participantes foram incluídos, avaliados por entrevista estruturada e aplicação da Escala de Risco Familiar de Coelho & Savassi.

Resultados

A prevalência de pessoas com feridas neste estudo foi de 0,11%, equivalente a 1,1/1.000 habitantes. Predominaram idosos (65,6%), do sexo masculino (56,3%), com baixa escolaridade (62,5%) e renda de até um salário mínimo (62,5%). A maioria apresentava comorbidades (96,9%), sobretudo hipertensão arterial sistêmica (84,4%) e diabetes mellitus (53,1%). As etiologias mais frequentes foram úlcera venosa (46,9%), lesão por pressão (21,9%) e doença do pé relacionada ao DM (15,6%), localizadas principalmente nos membros inferiores (87,5%). O número de feridas por indivíduo variou de 1 a 5, totalizando 49 lesões (média de 1,53). O tempo de duração variou de 1 mês a mais de 30 anos. Quanto à ERF-CS constataram-se os seguintes estratos: risco habitual (n=8; 25,0%) - indivíduos com média etária de 65 anos, majoritariamente masculinos, sem comprometimento da mobilidade ou impacto de fatores comportamentais (tabagismo/etilismo); média de 1,4 lesões, predominando úlceras venosas em membros inferiores, cujo tempo de evolução foi de 3,2 anos. Risco menor (n=9; 28,1%) - participantes mais jovens (média de 61 anos), do sexo masculino, com múltiplas comorbidades, tabagismo e etilismo; a etiologia predominante foi de úlceras venosas recorrentes, com maior tempo de evolução (7 anos). Risco médio (n=11; 34,4%) - comorbidades, deficiência e maior exposição familiar ao uso de substâncias, predomínio de úlceras venosas e lesões persistentes (6 anos). Risco maior (n=4; 12,5%) - indivíduos mais idosos,  com limitações funcionais, acamamento e comorbidades graves; destacaram-se as  lesões por pressão recorrentes, especialmente em regiões calcânea, sacral e trocantérica, menor tempo de evolução (10 meses).

Conclusão

 A ERF-CS permite identificar fatores sociais, clínicos e ambientais que impactam a saúde familiar. A estratificação evidenciou perfis distintos, reforçando a necessidade de abordagens ampliadas no cuidado.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 

Os achados contribuem para a estomaterapia ao corroborar o modelo TIMERS, ao integrar características da lesão a fatores sistêmicos e psicossociais. Sugere-se a realização de estudos com amostras maiores para subsidiar, futuramente, a construção de escalas específicas de avaliação do risco de feridas na APS, baseadas em variáveis clínicas e sociodemográficas.

 

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Referências

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Vendrúscolo Pessoa De Castro, J., De Moraes Pedrosa, M. A., & Salomão E Silva Guimarães, M. C. (2026). PREVALÊNCIA DE FERIDAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: ASSOCIAÇÃO COM A ESCALA COELHO & SAVASSI . Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2495