CUIDADO EM ESTOMATERAPIA EM PACIENTE INDÍGENA COM LESÃO DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO: RELATO DE CASO

Autores

  • Natália Barbosa De Oliveira
  • Kathleen Kristine Lima Oliveira
  • Emanuella França Da Silva
  • Isabella Cunha Victor
  • Fernanda Leticia Frates Cauduro
  • Amanda Mesquita Mendes Gonçalves
  • Andréa Mathes Faustino

Palavras-chave:

Estomaterapia, Saúde Indígena, Terapia Fotodinâmica, Cicatrização de Feridas

Resumo

Objetivo

Relatar a experiência do cuidado em estomaterapia a um paciente indígena com lesão de difícil cicatrização, acompanhado em serviço ambulatorial de estomaterapia.

Desenvolvimento

Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir da vivência de estudantes de enfermagem em um ambulatório de estomaterapia de um hospital universitário do Distrito Federal, no âmbito de um projeto de extensão de ação contínua (PEAC). O trabalho faz parte de um projeto de pesquisa guarda-chuva, que teve sua aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o número CAEE:  93770625.7.0000.5558. O paciente, do sexo masculino, 66 anos, indígena, procedente do Mato Grosso, apresentava diagnóstico de diabetes mellitus insulinodependente e lesão complexa em membro inferior direito decorrente de Fasciíte Necrotisante, submetido a desbridamentos cirúrgicos. Priorizou-se a identidade cultural do paciente e suas formas de expressão, promovendo um cuidado centrado na pessoa e culturalmente seguro1. A Fascite Necrosante (FN) caracteriza-se como uma infecção rara, causada por germes aeróbicos e anaeróbicos, de evolução acelerada e alto risco de mortalidade, que acometem a pele, o tecido subcutâneo, a fáscia superficial, podendo atingir fáscia profunda. Em razão do suprimento sanguíneo limitado da fáscia, o processo infeccioso costuma favorecer a destruição progressiva. Essa patologia é predominante no sexo masculino e embora atinja todas as idades, pessoas de meia idade e idosos possuem maior chances de serem infectados. Dentre as principais comorbidades relacionadas à FN está a diabetes mellitus, o que demonstra a importância do diagnóstico precoce dessa doença crônica, muitas vezes silenciosa2. Na admissão ambulatorial, a lesão apresentava grande extensão, bordas irregulares, presença de tecido desvitalizado, biofilme, exsudato abundante e exposição tendínea. Ao longo do seguimento, foram realizadas intervenções como: higienização com solução antimicrobiana, desbridamento mecânico e instrumental, controle de biofilme, manejo do exsudato e escolha de coberturas adequadas, como hidrofibra com prata3, malha antimicrobiana com Cloreto de Dialquil Carbamoil (DACC)4 e espumas de poliuretano. A malha com DACC controla feridas agudas e crônicas via interação hidrofóbica, capturando bactérias de forma rápida e irreversível4. Destaca-se a utilização da terapia fotodinâmica com azul de metileno a 1% associada à luz vermelha (9J), aplicada no leito e bordas da lesão, como estratégia adjuvante no controle microbiano e estímulo à cicatrização5. Observou-se a evolução clínica progressiva no período de 1 de outubro de 2025 a 19 de março de 2026,  caracterizada por redução significativa das dimensões da lesão, passando de 29,5cm (altura) x 15cm (largura) para 8,3 cm (altura) x 6,9cm (largura), além de melhora do leito, com predomínio de tecido de granulação, epitelização nas bordas e ausência de sinais flogísticos. O cuidado incluiu ainda educação em saúde direcionada ao paciente e acompanhantes, considerando as especificidades socioculturais e a necessidade de continuidade do cuidado no contexto do paciente.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

A experiência evidenciou a complexidade do cuidado em estomaterapia, especialmente em contextos que envolvem demandas clínicas complexas e especificidades socioculturais. A valorização da identidade cultural apresentou-se como um elemento fundamental para o estabelecimento de vínculo e adesão ao tratamento, tendo em vista a singularidade do paciente. 

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

De Zilva S, Walker T, Palermo C, Brimblecombe J. Práticas de saúde culturalmente seguras para povos indígenas na Austrália: uma revisão metaetnográfica sistemática. J Health Serv Res Policy [Internet]. 2022;27(1):74-84. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1177/13558196211041835.

Faria IAFKD, Bilate ACC. Fasciite necrosante: uma revisão bibliográfica. Braz J Implantol Health Sci [Internet]. 2025 Jul 10 [citado em 2026 mar 29];7(7):564-72. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/6017.

Silva Leite FA, Senna Araújo Brito A. Curativos de prata no tratamento de feridas exsudativas: uma revisão sistemática. Rev Feridas [Internet]. 2021 Mar 1 [citado em 2026 mar 29];9(46):1682-9. Disponível em: https://www.revistaferidas.com.br/index.php/revistaferidas/article/view/1402.

Freitas PSS, Rezende LDA, Silva KEJ, Fiorin BH, Santos RA, Ramalho AO. Utilização do cloreto de dialquil carbamoil na prevenção e tratamento de biofilme em feridas. ESTIMA (Braz J Enterostomal Ther). 2021;19:e1621.

Brandão MGSA, Ximenes MAM, Cruz GS, Brito EHS, Veras VS, Barros LM, et al. Terapia fotodinâmica no tratamento de feridas infectadas nos pés de pessoas com diabetes mellitus: síntese de boas evidências. Rev Enferm Atual In Derme [Internet]. 2020;92(30). Disponível em: http://dx.doi.org/10.31011/reaid-2020-v.92-n.30-art.649.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Barbosa De Oliveira, N., Kristine Lima Oliveira, K., França Da Silva, E., Cunha Victor, I., Leticia Frates Cauduro, F., Mesquita Mendes Gonçalves, A., & Mathes Faustino, A. (2026). CUIDADO EM ESTOMATERAPIA EM PACIENTE INDÍGENA COM LESÃO DE DIFÍCIL CICATRIZAÇÃO: RELATO DE CASO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2496