MANEJO DA DEISCÊNCIA DE FERIDA OPERATÓRIA COM TERAPIA POR PRESSÃO NEGATIVA
Palavras-chave:
Estomaterapia, Deiscência de ferida operatória, Terapia por pressão negativa, Cicatrização de feridas, EnfermagemResumo
Objetivo
Analisar as diretrizes do European Wound Management Association (EWMA) para o manejo da deiscência de ferida operatória, com foco na terapia por pressão negativa (TPN) e na atuação do enfermeiro estomaterapeuta, correlacionando tais recomendações com evidências e práticas no contexto brasileiro.
Método
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada entre setembro e novembro de 2025. A busca foi conduzida nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Medline, além do site oficial do EWMA. Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Utilizaram-se descritores relacionados à infecção de ferida cirúrgica, deiscência, enfermagem e estomaterapia. Após triagem e aplicação dos critérios de elegibilidade, 10 estudos compuseram a amostra final. Os dados foram organizados e analisados por meio de análise temática.
Resultados
Os achados evidenciam que as diretrizes do EWMA recomendam avaliação sistemática da ferida, controle de infecção, uso de coberturas adequadas e aplicação da TPN como estratégia eficaz no manejo da deiscência. A TPN demonstrou benefícios como estímulo à formação de tecido de granulação, redução de exsudato, controle da carga bacteriana e aceleração da cicatrização. Evidências brasileiras corroboram esses achados, destacando ainda a viabilidade de adaptações, como o uso de curativo a vácuo simplificado em contextos de recursos limitados. Tecnologias complementares, como a laserterapia de baixa
potência, também mostraram potencial na cicatrização. Contudo, foram identificadas lacunas quanto à padronização de protocolos, especialmente no manejo de biofilme.
Conclusão
A incorporação das recomendações do EWMA à prática clínica brasileira é viável e contribui para qualificar o cuidado em deiscência de ferida operatória. A TPN se destaca como tecnologia eficaz, porém sua implementação em larga escala depende de análise de custo-efetividade e adaptação à realidade do sistema de saúde. A atuação do enfermeiro estomaterapeuta é essencial nesse processo, especialmente na avaliação clínica, escolha terapêutica e monitoramento dos resultados.
Considerações/Contribuições para a Estomaterapia
O estudo reforça o papel central do enfermeiro estomaterapeuta na gestão de feridas complexas, evidenciando sua autonomia e responsabilidade na aplicação de tecnologias avançadas. Destaca-se a necessidade de capacitação contínua, desenvolvimento de protocolos clínicos e ampliação da produção científica nacional. A adoção de práticas baseadas em evidências pode contribuir para redução de complicações, otimização de recursos e melhoria dos desfechos
clínicos, fortalecendo a estomaterapia no contexto brasileiro.
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Referências
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