MANEJO DA DEISCÊNCIA DE FERIDA OPERATÓRIA COM TERAPIA POR PRESSÃO NEGATIVA

Autores

  • Milena Cristo Martins Universidade de Brasília
  • Andrea Mathes Faustino

Palavras-chave:

Estomaterapia, Deiscência de ferida operatória, Terapia por pressão negativa, Cicatrização de feridas, Enfermagem

Resumo

Objetivo

Analisar as diretrizes do European Wound Management Association (EWMA) para o manejo da deiscência de ferida operatória, com foco na terapia por pressão negativa (TPN) e na atuação do enfermeiro estomaterapeuta, correlacionando tais recomendações com evidências e práticas no contexto brasileiro.

Método

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada entre setembro e novembro de 2025. A busca foi conduzida nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Medline, além do site oficial do EWMA. Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Utilizaram-se descritores relacionados à infecção de ferida cirúrgica, deiscência, enfermagem e estomaterapia. Após triagem e aplicação dos critérios de elegibilidade, 10 estudos compuseram a amostra final. Os dados foram organizados e analisados por meio de análise temática.

Resultados

Os achados evidenciam que as diretrizes do EWMA recomendam avaliação sistemática da ferida, controle de infecção, uso de coberturas adequadas e aplicação da TPN como estratégia eficaz no manejo da deiscência. A TPN demonstrou benefícios como estímulo à formação de tecido de granulação, redução de exsudato, controle da carga bacteriana e aceleração da cicatrização. Evidências brasileiras corroboram esses achados, destacando ainda a viabilidade de adaptações, como o uso de curativo a vácuo simplificado em contextos de recursos limitados. Tecnologias complementares, como a laserterapia de baixa
potência, também mostraram potencial na cicatrização. Contudo, foram identificadas lacunas quanto à padronização de protocolos, especialmente no manejo de biofilme.

Conclusão

A incorporação das recomendações do EWMA à prática clínica brasileira é viável e contribui para qualificar o cuidado em deiscência de ferida operatória. A TPN se destaca como tecnologia eficaz, porém sua implementação em larga escala depende de análise de custo-efetividade e adaptação à realidade do sistema de saúde. A atuação do enfermeiro estomaterapeuta é essencial nesse processo, especialmente na avaliação clínica, escolha terapêutica e monitoramento dos resultados.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

O estudo reforça o papel central do enfermeiro estomaterapeuta na gestão de feridas complexas, evidenciando sua autonomia e responsabilidade na aplicação de tecnologias avançadas. Destaca-se a necessidade de capacitação contínua, desenvolvimento de protocolos clínicos e ampliação da produção científica nacional. A adoção de práticas baseadas em evidências pode contribuir para redução de complicações, otimização de recursos e melhoria dos desfechos
clínicos, fortalecendo a estomaterapia no contexto brasileiro.

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Biografia do Autor

Milena Cristo Martins, Universidade de Brasília

Enfermeira graduada pela Universidade de Brasília (2020). Possui experiência em Feridas Crônicas, Incontinências e Estomias pelo Serviço Ambulatorial de Enfermagem em Estomaterapia (SAEE-HUB). Especialização em Enfermagem em Estomaterapia pela Universidade de Brasília (2026).

Referências

Apelqvist J, Willy C, Fagerdahl AM, et al. Negative pressure wound therapy – overview, challenges and perspectives. J Wound Care. 2017;26(Suppl 3):S1–S113.

European Wound Management Association (EWMA). EWMA Document: Negative

Pressure Wound Therapy. J Wound Care. 2018;27(Suppl 1).

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Rampazzo CFM, et al. Uso do laser de baixa potência em deiscência de feridas

operatórias. Braz J Health Rev. 2025;8(1):1–17.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Cristo Martins, M., & Mathes Faustino, A. (2026). MANEJO DA DEISCÊNCIA DE FERIDA OPERATÓRIA COM TERAPIA POR PRESSÃO NEGATIVA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2499