APLICAÇÃO DA ESCALA ELPO NA AVALIAÇÃO DO RISCO DE LESÃO POR PRESSÃO EM CIRURGIAS PROLONGADAS

Autores

  • Luciana Brasil Moreira De Oliveira Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais
  • Larissa Viana Almeida De Lieberenz Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais
  • Susiane Sucasas Frison Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais
  • Carlos Henrique Silva Tonázio Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais
  • Maria Clara Salomão E Silva Guimarães Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Palavras-chave:

Lesão por pressão, Período perioperatório, Posicionamento do paciente, Centro cirúrgico, Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Avaliar a aplicação da Escala de Avaliação de Risco para Lesões Decorrentes do Posicionamento Cirúrgico (ELPO) na identificação do risco de lesão por pressão (LP).

Método

 

Estudo descritivo, retrospectivo, documental, de abordagem quantitativa, realizado de março a setembro de 2025 em hospital privado de grande porte. Foram incluídos no estudo pacientes ≥18 anos submetidos a cirurgias com duração superior a quatro horas, no período de 2020 a 2022, sendo excluídos aqueles com LP prévia à admissão. A amostra final foi composta por 2.938 pacientes, após exclusão de 16 casos. Foram analisados os registros da escala ELPO quanto ao preenchimento, consistência das informações e documentação das medidas preventivas. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva, com frequências absolutas e relativas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 7.500.711; CAAE 85693824.0.0000.5128).

Resultados

 

A Escala ELPO foi registrada em 2.806 prontuários (95,51%), evidenciando sua incorporação à prática assistencial. Observou-se preenchimento completo em 83,70% das escalas no transoperatório, embora isso não assegure a acurácia das informações registradas. As maiores ausências de preenchimento ocorreram nos itens tipo de anestesia (11,23%) e comorbidades (3,88%). Quanto às medidas preventivas (proteção de proeminências e/ou uso de rodilhas/coxins), 2.805 prontuários apresentavam registro de sua utilização. Porém em 2.775 (98,93%), não foi especificado o local de aplicação ou tipo de material/ equipamento utilizado para prevenção, evidenciando limitação na qualidade dos registros. Foram identificados 7 casos de LP (incidência de 0,24%), sendo 4 no centro cirúrgico, 2 em unidade de terapia intensiva e 1 na unidade de internação (em até 5 dias após cirurgia). Os escores da ELPO desses pacientes variaram de 7 a 19, sendo classificados como baixo risco, não sendo detectadas medidas diferenciadas para a prevenção de LP, uma vez que na instituição os pacientes com escore igual ou maior a 20 devem ser avaliados pela supervisão de enfermagem antes de se iniciar o procedimento cirúrgico. Observou-se ainda inconsistência entre variáveis clínicas e escores atribuídos, além de subnotificação relevante, comprometendo a acurácia da estratificação de risco e a rastreabilidade das ações preventivas.

Conclusão

 

A escala ELPO apresentou elevada taxa de utilização na prática assistencial, porém com limitações significativas relacionadas à qualidade do preenchimento, consistência dos registros e ausência de padronização, comprometendo a acurácia da estratificação de risco. As inconsistências observadas e a subnotificação de informações relevantes indicam fragilidades no processo de aplicação do instrumento, reduzindo sua efetividade como ferramenta de apoio à tomada de decisão clínica. Evidenciada a necessidade de qualificação da equipe de enfermagem, padronização dos registros e monitoramento sistemático do uso da escala, a fim de potencializar sua aplicabilidade e contribuir para a segurança do paciente no período perioperatório.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

 

Foram evidenciadas fragilidades na aplicação da escala ELPO e nos registros assistenciais no centro cirúrgico, reforçando a necessidade de capacitação da equipe, padronização de protocolos e monitoramento de indicadores. A Estomaterapia contribui como apoio técnico-científico na qualificação das práticas, promovendo segurança do paciente e melhoria do cuidado perioperatório.

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Biografia do Autor

Luciana Brasil Moreira De Oliveira, Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais

Enfermeira Estomaterapeuta. 

Enfermeira Fiscal do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais.

Enfermeira Supervisora do Bloco Cirúrgico do Hospital Metropolitano Odilon Behrens. 

Larissa Viana Almeida De Lieberenz, Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais

Docente da Pós-graduação de Enfermagem em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Susiane Sucasas Frison, Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Docente da Pós-graduação de Enfermagem em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Carlos Henrique Silva Tonázio, Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Docente da Pós-graduação de Enfermagem em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Maria Clara Salomão E Silva Guimarães, Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Docente da Pós-graduação de Enfermagem em Estomaterapia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais

Referências

Lopes CMM, Haas VJ, Dantas RAS. Development and validation of ELPO scale. Rev Latino-Am Enfermagem. 2016;24:e2745.

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Lima DCJ, et al. Risk assessment using ELPO scale. Res Soc Dev. 2021;10(15):e403101522704.

Souza GGB, et al. Risco de lesão por pressão em pacientes cirúrgicos. Rev SOBECC. 2023;28.

Speth J. Prevention of perioperative pressure injury. AORN J. 2023;118(1):37-44.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Brasil Moreira De Oliveira, L., Viana Almeida De Lieberenz, L., Sucasas Frison, S., Silva Tonázio, C. H., & Salomão E Silva Guimarães, M. C. (2026). APLICAÇÃO DA ESCALA ELPO NA AVALIAÇÃO DO RISCO DE LESÃO POR PRESSÃO EM CIRURGIAS PROLONGADAS. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2500