MANEJO DE ÚLCERA VENOSA COMPLEXA PÓS-LOXOSCELISMO COM MATRIZ L-PRF: RELATO DE CASO

Autores

  • Michelle Nabuco Dos Reis
  • Joel Azevedo
  • Jefferson Nunes Dos Santos
  • Fillipe Barbosa Dos Reis De Lima
  • Rafaela Sales De Oliveira
  • Tatiane Mendes Araújo Ferreira
  • Patrícia Rachel Dantas De Britto Martins
  • Adriana Silva Lino

Palavras-chave:

estomaterapia, Fibrina Rica em Plaquetas, Úlcera Varicosa, venenos de aranha, Terapia por Compressão (Compression Therapy)

Resumo

Objetivo

Apresentar a evolução cicatricial de uma lesão crônica pós-loxoscelismo tratada por meio de abordagem multidisciplinar e uso de terapias regenerativas autólogas em ambulatório de estomaterapia.

Desenvolvimento

 

Relata-se caso de mulher, 34 anos, sem comorbidades sistêmicas, com insuficiência venosa crônica e histórico de loxoscelismo seis meses antes da admissão (novembro/2024). Admitida em ambulatório de estomaterapia em maio/2025, apresentava úlcera crônica na panturrilha em fase inflamatória da cicatrização com tecido de granulação hipertrófico sugestivo de biofilme, esfacelo nas bordas, eritema perilesional, edema, dermatite ocre e exsudato moderado com odor. Iniciou-se preparo do leito baseado no consenso internacional de higiene de feridas: limpeza com sabonete e solução de polihexametileno biguanida (PHMB) 0,2%, seguida de cobertura com gaze impregnada com PHMB e trocas diárias. Paralelamente, em acompanhamento com cirurgia vascular e infectologia, a cultura de tecido isolou Staphylococcus aureus. A antibioticoterapia foi ajustada por antibiograma (Sulfametoxazol + Trimetoprima por 14 dias), controlando a infecção. Em agosto/2025, com o leito sem sinais flogísticos, optou-se por terapia regenerativa avançada. O protocolo consistiu na coleta semanal de sangue periférico (tubos de 10ml) e centrifugação seriada pelo método PRO-PRF (5 minutos a 60g; 5 minutos a 200g; 5 minutos a 700g) para obtenção dos coágulos de matriz L-PRF. O concentrado foi aplicado diretamente na ferida, recoberto por tecnologia de cloreto de dialquilcarbamoíla (DACC) e associado à terapia compressiva. Observou-se intensa aceleração da angiogênese e contração centrípeta, culminando na cicatrização completa e alta da paciente em março/2026, após dez meses de acompanhamento. Com estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 7.241.877), trata-se de um estudo de relato de caso, em um serviço de estomaterapia público e privado conjuntamente, localizados no interior de Pernambuco.

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 

O caso evidencia a eficácia do manejo estruturado em lesões crônicas de etiologia mista. O rigor no preparo do leito e o controle da carga bacteriana foram essenciais para o sucesso da terapia celular. A aplicação da matriz L-PRF acelerou a regeneração tecidual de forma segura. Destaca-se o protagonismo do estomaterapeuta na articulação multidisciplinar e no uso de biotecnologias regenerativas, reafirmando a especialidade na vanguarda do tratamento de feridas complexas.

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Referências

Saboia-Dantas CJ, Mendes JJ, Pinto NR, Dohan Ehrenfest DM, Farias JG, Monteiro JAS, et al. Platelet-Rich Fibrin Progressive Protocol: third generation of blood concentrates. J Oral Maxillofac Surg. 2023;81(1):80-87.

Chaves-Moreira D, Gremski LH, Minozzo JC, Sadler IG, Senff-Ribeiro A, Veiga SS. Systemic loxoscelism, less frequent but more deadly: the involvement of phospholipases D in the pathophysiology of envenomation. Toxins (Basel). 2023;15(1):17.

Murphy C, Atkin L, Swanson T, Tachi M, Tan YK, Vega de Ceniga M, et al. Defying hard-to-heal wounds with an early antibiofilm intervention strategy: wound hygiene. J Wound Care. 2020;29(Sup3b):S1-S26.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Nabuco Dos Reis, M., Azevedo, J., Nunes Dos Santos, J., Barbosa Dos Reis De Lima, F., Sales De Oliveira, R., Mendes Araújo Ferreira, T., Rachel Dantas De Britto Martins, P., & Silva Lino, A. (2026). MANEJO DE ÚLCERA VENOSA COMPLEXA PÓS-LOXOSCELISMO COM MATRIZ L-PRF: RELATO DE CASO. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2504