IMPLANTAÇÃO DE PROTOCOLO DE ULTRASSONOGRAFIA À BEIRA-LEITO POR ENFERMEIROS EM UTI ONCOLÓGICA
Palavras-chave:
Ultrassonografia, Unidade de Terapia Intensiva, Enfermagem, Estomaterapia, Segurança do PacienteResumo
Objetivo
Relatar a experiência da implantação de um protocolo de utilização da ultrassonografia à beira-leito por enfermeiros em uma unidade de terapia intensiva de um centro oncológico.
Desenvolvimento
A ultrassonografia point-of-care (POCUS) tem sido incorporada à prática clínica como ferramenta complementar ao exame físico, ampliando a acurácia diagnóstica e apoiando a tomada de decisão, especialmente em pacientes críticos. Na enfermagem, seu uso vem sendo reconhecido no Brasil por meio de pareceres do sistema COFEN/COREN, desde que haja capacitação adequada e respeito aos limites profissionais.
Trata-se de um relato de experiência sobre a implantação de um protocolo assistencial em uma unidade de terapia intensiva oncológica, caracterizado como ação institucional de melhoria de processo e educação permanente, sem envolvimento de pesquisa com seres humanos ou aplicação de instrumentos sistematizados de avaliação. Dois enfermeiros realizaram capacitação teórico-prática em ultrassonografia e, posteriormente, conduziram a articulação com equipe médica, coordenação de enfermagem e setor de práticas assistenciais para validação institucional da proposta.
Foi conduzida revisão narrativa da literatura para definição das indicações, contraindicações, técnica de execução e condutas frente aos achados ultrassonográficos, com foco na avaliação vesical e do antro gástrico. Foram estabelecidos critérios clínicos para ativação do protocolo, incluindo oligúria ou anúria súbita, distensão vesical, extravasamento peri-sonda, distensão abdominal, náuseas e vômitos.
A ultrassonografia vesical foi utilizada para avaliação de retenção urinária e mensuração de resíduo vesical, subsidiando decisões como cateterismo ou conduta expectante. A avaliação do antro gástrico foi empregada para estimativa do volume gástrico e identificação de risco para broncoaspiração, apoiando intervenções como pausa da dieta enteral, passagem de sonda e discussão terapêutica com a equipe médica. Foram considerados fatores de risco como uso de opioides, drogas vasoativas e nutrição enteral.
Para implementação, foi desenvolvido programa de capacitação com conteúdo teórico e treinamento prático supervisionado entre profissionais, com participação inicial de 11 enfermeiros. Durante a prática assistencial, foram percebidos relatos espontâneos dos profissionais indicando maior segurança na tomada de decisão clínica e melhor embasamento para condução dos casos, sem aplicação de instrumentos formais de avaliação.
O protocolo encontra-se em fase de expansão, com previsão de capacitação de novos profissionais e estruturação de indicadores assistenciais para avaliação de impacto.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
A implantação do protocolo demonstrou potencial para qualificar o cuidado, fortalecer a autonomia do enfermeiro e favorecer a prática baseada em evidências. Na estomaterapia, destaca-se a contribuição na avaliação de disfunções urinárias e gastrointestinais, com impacto na prevenção de complicações e na segurança do paciente.
Como perspectivas futuras, propõe-se a implementação de indicadores como: taxa de adesão ao protocolo, número de avaliações realizadas por enfermeiros, redução de sondagens vesicais desnecessárias, tempo para tomada de decisão clínica, incidência de retenção urinária e eventos relacionados ao risco de broncoaspiração. Tais medidas poderão subsidiar avaliações mais robustas sobre o impacto do protocolo na prática assistencial.
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Referências
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