IMPLANTAÇÃO DE PROTOCOLO DE ULTRASSONOGRAFIA À BEIRA-LEITO POR ENFERMEIROS EM UTI ONCOLÓGICA

Autores

  • Bruno Almeida De Oliveira AC Camargo Cancer Center
  • Rafael Santos Ferreira AC Camargo Cancer Center
  • Vitória Olivatti Silva Hospital do Coração Hcor

Palavras-chave:

Ultrassonografia, Unidade de Terapia Intensiva, Enfermagem, Estomaterapia, Segurança do Paciente

Resumo

Objetivo

Relatar a experiência da implantação de um protocolo de utilização da ultrassonografia à beira-leito por enfermeiros em uma unidade de terapia intensiva de um centro oncológico. 

Desenvolvimento

A ultrassonografia point-of-care (POCUS) tem sido incorporada à prática clínica como ferramenta complementar ao exame físico, ampliando a acurácia diagnóstica e apoiando a tomada de decisão, especialmente em pacientes críticos. Na enfermagem, seu uso vem sendo reconhecido no Brasil por meio de pareceres do sistema COFEN/COREN, desde que haja capacitação adequada e respeito aos limites profissionais. 

Trata-se de um relato de experiência sobre a implantação de um protocolo assistencial em uma unidade de terapia intensiva oncológica, caracterizado como ação institucional de melhoria de processo e educação permanente, sem envolvimento de pesquisa com seres humanos ou aplicação de instrumentos sistematizados de avaliação. Dois enfermeiros realizaram capacitação teórico-prática em ultrassonografia e, posteriormente, conduziram a articulação com equipe médica, coordenação de enfermagem e setor de práticas assistenciais para validação institucional da proposta.

Foi conduzida revisão narrativa da literatura para definição das indicações, contraindicações, técnica de execução e condutas frente aos achados ultrassonográficos, com foco na avaliação vesical e do antro gástrico. Foram estabelecidos critérios clínicos para ativação do protocolo, incluindo oligúria ou anúria súbita, distensão vesical, extravasamento peri-sonda, distensão abdominal, náuseas e vômitos. 

A ultrassonografia vesical foi utilizada para avaliação de retenção urinária e mensuração de resíduo vesical, subsidiando decisões como cateterismo ou conduta expectante. A avaliação do antro gástrico foi empregada para estimativa do volume gástrico e identificação de risco para broncoaspiração, apoiando intervenções como pausa da dieta enteral, passagem de sonda e discussão terapêutica com a equipe médica. Foram considerados fatores de risco como uso de opioides, drogas vasoativas e nutrição enteral. 

Para implementação, foi desenvolvido programa de capacitação com conteúdo teórico e treinamento prático supervisionado entre profissionais, com participação inicial de 11 enfermeiros. Durante a prática assistencial, foram percebidos relatos espontâneos dos profissionais indicando maior segurança na tomada de decisão clínica e melhor embasamento para condução dos casos, sem aplicação de instrumentos formais de avaliação. 

O protocolo encontra-se em fase de expansão, com previsão de capacitação de novos profissionais e estruturação de indicadores assistenciais para avaliação de impacto. 

Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia

 A implantação do protocolo demonstrou potencial para qualificar o cuidado, fortalecer a autonomia do enfermeiro e favorecer a prática baseada em evidências. Na estomaterapia, destaca-se a contribuição na avaliação de disfunções urinárias e gastrointestinais, com impacto na prevenção de complicações e na segurança do paciente. 

Como perspectivas futuras, propõe-se a implementação de indicadores como: taxa de adesão ao protocolo, número de avaliações realizadas por enfermeiros, redução de sondagens vesicais desnecessárias, tempo para tomada de decisão clínica, incidência de retenção urinária e eventos relacionados ao risco de broncoaspiração. Tais medidas poderão subsidiar avaliações mais robustas sobre o impacto do protocolo na prática assistencial. 

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Biografia do Autor

Rafael Santos Ferreira, AC Camargo Cancer Center

Enfermeiro especialista em Terapia Intensiva e Urgência e Emergência

Titulado pela Associação Brasileira de Terapia Intensiva (ABENTI)

Enfermeiro II na Unidade de Terapia Intensiva do AC Camargo Cancer Center

 

Vitória Olivatti Silva, Hospital do Coração Hcor

Enfermeira Especialista em Terapia Intensiva e Cardiologia

Titulada pela Associação Brasileira de Terapia Intensiva (ABENTI)

Enfermeira no Hospital do Coração (Hcor) 

Referências

Moore CL, Copel JA. Point-of-care ultrasonography. N Engl J Med. 2011;364(8):749-57.

Arzola C, et al. Gastric ultrasound in perioperative care. Anesthesiology. 2018;129(1):89–105.

Balderi T, Carli F. Urinary retention after surgery. Minerva Anestesiol. 2010;76(2):120-30.

Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Parecer sobre uso de ultrassonografia por enfermeiros.

American College of Critical Care Medicine. Guidelines for point-of-care ultrasound.

Publicado

2026-06-05

Como Citar

Almeida De Oliveira, B., Santos Ferreira, R., & Olivatti Silva, V. (2026). IMPLANTAÇÃO DE PROTOCOLO DE ULTRASSONOGRAFIA À BEIRA-LEITO POR ENFERMEIROS EM UTI ONCOLÓGICA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2508