MANEJO DAS DISFUNÇÕES VESICAIS E INTESTINAIS NA INFÂNCIA: REVISÃO INTEGRATIVA E IMPLICAÇÕES PARA A ESTOMATERAPIA

Autores

  • Ana Rita M. Hudson
  • Larissa Comello Faria
  • Luma Nunes Camilo

Palavras-chave:

Criança; Incontinência Urinária; Constipação; Incontinência Fecal; Estomaterapia

Resumo

Objetivo

Analisar as evidências científicas sobre as estratégias de manejo das disfunções vesicais e intestinais na infância, com ênfase nas implicações para o cuidado em estomaterapia. 

Método

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme etapas metodológicas padronizadas. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizando descritores dos sistemas MeSH e DeCS, combinados por operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos estudos primários publicados nos últimos cinco anos, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem estratégias de manejo dessas disfunções em crianças. Foram excluídos estudos de revisão, protocolos, duplicados e aqueles sem relação direta com intervenções ou cuidado clínico. A seleção seguiu as recomendações do PRISMA, resultando em 12 estudos incluídos.

Resultados

As evidências demonstraram que o manejo dessas disfunções é multifatorial, envolvendo intervenções conservadoras, clínicas, cirúrgicas e tecnológicas. Estratégias como uroterapia, treinamento do assoalho pélvico, biofeedback e estimulação elétrica mostraram-se eficazes na melhora dos sintomas e da qualidade de vida. Intervenções clínicas e cirúrgicas foram indicadas em casos específicos, especialmente diante de falha terapêutica inicial. No entanto, independentemente da abordagem utilizada, observou-se a necessidade de acompanhamento contínuo, adesão ao tratamento e suporte familiar, aspectos diretamente relacionados à atuação da estomaterapia. Além disso, tecnologias em saúde mostraram-se úteis no monitoramento e na educação dos pacientes.

Conclusão

O manejo das disfunções vesicais e intestinais na infância deve ser conduzido de forma integrada e centrada no paciente, considerando diferentes níveis de intervenção. Nesse cenário, a estomaterapia apresenta papel fundamental na avaliação funcional, reeducação miccional e intestinal, apoio à tomada de decisão clínica, educação em saúde e acompanhamento longitudinal, contribuindo para a adesão ao tratamento, prevenção de complicações e melhoria da qualidade de vida. A literatura evidencia, contudo, lacunas na sistematização da atuação da estomaterapia nesse contexto, reforçando a necessidade de estudos que fortaleçam sua inserção na prática baseada em evidências e ampliem sua atuação no cuidado à população pediátrica.

Considerações/Contribuições para a Estomaterapia

Este estudo contribui para a área ao sistematizar evidências sob a perspectiva da estomaterapia, ampliando a compreensão de seu papel no manejo dessas condições e evidenciando sua relevância na organização do cuidado, na tomada de decisão clínica e na continuidade assistencial. Observa-se, contudo, lacuna na literatura quanto à descrição sistematizada dessa atuação, reforçando a necessidade de novos estudos que fortaleçam sua inserção na prática baseada em evidências.

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Referências

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Rita M. Hudson, A., Comello Faria, L., & Nunes Camilo, L. (2026). MANEJO DAS DISFUNÇÕES VESICAIS E INTESTINAIS NA INFÂNCIA: REVISÃO INTEGRATIVA E IMPLICAÇÕES PARA A ESTOMATERAPIA. Congresso Paulista De Estomaterapia. Recuperado de https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/2510