ULTRASSONOGRAFIA À BEIRA LEITO NA ESTOMATERAPIA: É POSSÍVEL AVALIAR O QUE NÃO SE VÊ?
Palavras-chave:
Ultrassonografia, Estomaterapia, Prática avançada de enfermagemResumo
Objetivo
Refletir sobre os limites do modelo tradicional de avaliação do tegumento na estomaterapia, centrado na inspeção e palpação, e discutir o potencial da ultrassonografia à beira leito como recurso inovador para a prática clínica.
Desenvolvimento
A avaliação do tegumento permanece ancorada em um paradigma clínico baseado em práticas sensoriais — inspeção e palpação — que, embora essenciais, restringem-se à superfície visível e palpável. Essa abordagem suscita questionamentos: estamos avaliando o tecido em sua integralidade ou apenas manifestações tardias? Evidências apontam que alterações estruturais e fisiológicas se iniciam em planos profundos, como demonstrado por estudos que identificam o aumento da umidade subepidérmica como marcador precoce de lesões por pressão 1. Nesse contexto, a dependência exclusiva do exame físico tradicional pode representar não apenas uma limitação técnica, mas também um atraso na tomada de decisão clínica. É nesse cenário que a ultrassonografia à beira leito emerge como tecnologia disruptiva e, enfermeiros com conhecimentos e habilidades para manejá-lo dispõem de um instrumento potente o qual possibilita ampliar a avaliação, raciocínio clínico e tomada de decisão durante a assistência de pessoas com lesões de pele 1-3. Ao dominar equipamentos portáteis de ultrassonografia os quais podem ser utilizados em ambientes clínicos beira leito, ambulatórios e até mesmo na atenção primária em saúde, enfermeiros visualizam, em tempo real, as camadas cutâneas e subcutâneas, e deslocam o olhar da superfície para a profundidade do tecido. Essa abordagem permite identificar precocemente edema, inflamação e desorganização estrutural, favorecendo uma prática clínica mais antecipatória e resolutiva 1-3. Na estomaterapia, tal deslocamento pode impactar diretamente na detecção precoce de, a exemplo, lesões por pressão, na diferenciação de danos associados à umidade e na análise de complicações de pele periestoma.
Considerações Finais/Contribuições para a Estomaterapia
Este ensaio reflexivo propõe questionar os limites do modelo atual de avaliação do tegumento e destacar a necessidade de incorporar tecnologias que ampliem o raciocínio clínico. A ultrassonografia à beira leito, ao revelar dimensões invisíveis do tecido, aponta para uma mudança de paradigma: o exame físico deixa de ser exclusivamente sensorial e passa a ser potencializado por recursos tecnológicos. Para a estomaterapia, essa incorporação pode significar avanços na prevenção, diagnóstico precoce e manejo de complicações cutâneas, fortalecendo a prática baseada em evidências e ampliando a segurança e qualidade do cuidado.
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Referências
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- Mousavi S, Nadimi S, Ayatollahi H, Haghighat M, Ahmadi M. Deep learning for diagnosis of pressure injuries using ultrasound images. J Tissue Viability. 2021;30(3):291‑298. doi:10.1016/j.jtv.2020.12.004
-Atkin L, Bućko Z, Montero EC, Ousey K, Posnett J, Ivins N, Moore Z. Implementing TIMERS: the race against hard-to-heal wounds. J Wound Care. 2017;26(5):199‑206. doi:10.12968/jowc.2017.26.5.199


